Resenha: Um Acordo e Nada Mais (Clube dos Sobreviventes #2) - Mary Balogh

5.12.18


 Sophia Fry é uma pessoa excluída da sociedade. Após a morte de seu pai, a garota passou a viver basicamente de favores nas casas de todo e qualquer parente próximo. Conhecida como a "Ratinha" entre seus tios e primos, a dama consegue a proeza de chamar a atenção do Visconde Darleigh.
 Vincent - outro membro do "Clube Dos Sobreviventes" - teve sua primeira participação na guerra interrompida permanentemente, ao acidentar-se com o disparo de um canhão e perder sua visão. Não bastasse sua recuperação mental, o jovem agora tem que lidar com o novo título de Visconde que lhe foi incumbido. Fugindo da mãe e irmãs, as quais tentavam-no arranjar um casamento, o rapaz volta a sua antiga casa de infância e lá conhece a família de Sophia.
 A senhorita Fry, ao notar o interesse - não tão genuíno assim - da prima em agarrar Vicent e sua fortuna com as duas mãos, impede os planos da moça, apenas para ver-se despejada de casa. E o Visconde Darleigh - como o homem honrado que é - prontamente oferece uma solução para os problemas da dama recém-abandonada: unir-se a ele em sagrado matrimônio.
 Como nenhum dos dois tinham planos de casarem-se em um futuro próximo, Vicent faz uma proposta à moça: eles passariam apenas um ano juntos e depois cada um poderia fazer de sua vida aquilo que bem desejasse. E simples assim, Sophia Fry deixou de ser a "Ratinha" para tornar-se uma Viscondessa.
 Pode-se dizer que "Um Acordo e Nada Mais" segue os mesmos moldes de seu primeiro livro da série "Uma Proposta e Nada Mais". Ambos possuem a mesma sobriedade de enredo e um romance mais maduro daqueles que estamos acostumados a encontrarmos. Porém, nesse segundo romance de Mary Balogh, a autora acerta em alguns aspectos e peca em outros primordiais.
 Respectivamente citando, um dos pontos altos desse romance é o próprio desenvolvimento do relacionamento entre o casal principal. Geralmente as obras de Mary Balogh sempre fazem-me sentir um certo tipo de vergonha alheia ao ler as descrições mais eróticas entre seus protagonistas. No entanto, o amor entre Sophia e Vincent surge e progride naturalmente, fazendo com que até as usuais cenas íntimas, adquiram uma escrita mais natural.
 Considero metade desse avanço na questão sentimental da narrativa, algo devido a personalidade empática do protagonista masculino, já que Vincent foi um dos melhores mocinhos criados por Balogh. Apesar de sua deficiência visual, a maneira quase poética com a qual o rapaz passou a compreender o mundo ao seu redor, foi algo encantador de ler.
 Junto de Sophia e sua imaginação também fértil, o casal protagonizou cenas carinhosas e até mesmo meigas para o padrão mais tradicional de Balogh e esse foi o ponto chave para conquistar os leitores do gênero.
 Entretanto, diferente de seu antecessor, "Uma Proposta e Nada Mais" perde um pouco de seu encanto devido a falta de um enredo mais substancial envolvendo seus personagens. Ao chegarmos em meados da página 230/240, o conflito que supostamente segurava a atenção do leitor, era algo irrisório demais.
 Não havia um clímax ou algum tipo de problema - além do próprio desenrolar do romance - que envolvesse o leitor. As descrições alongadas e até mesmo, algumas cenas entre Sophia conhecendo todos os membros da família de Vincent - deixaram o final da narrativa tediosa.
 Sem mencionar que alguns encontros entre a própria senhorita Fry e alguns membros do "Clube dos Sobreviventes" incomodou-me um pouco. A moça de autoestima baixa e aparência distinta das demais damas da sociedade, por vezes foi colocada sob os holofotes de toda a sociedade e teve sua aparência julgada como se estivesse passando por uma avaliação do Inmetro.
 E apesar da autora trabalhar e desenvolver melhor toda essa questão compreensível da imagem que Sophia tinha dela mesma, esse início da narrativa ainda chega a ecoar - e irritar - no decorrer da leitura.
 Se apenas "Um Acordo e Nada Mais" tivesse aquele cenário não usual de seu antecessor e talvez um enredo além daquele envolvendo o próprio título da obra, Mary Balogh entraria de novo para a lista de favoritos com sua escrita impecável e romance adorável.


Classificação: 3.5 de 5 estrelas.

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Edição Nacional - Um acordo e nada mais

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