Resenha: Um Tom Mais Escuro de Magia (Tons de Magia #1) - V.E. Schwab

15.11.18


 "Um Tom Mais Escuro de Magia" é aquele livro que veio restaurar a fé na humanidade e salvar meu universo literário - basicamente jogado aos pedaços - de entrar em total e completo colapso. Mas antes de tecer elogios para a escrita fantástica de V.E. Schwab, deixe-me fazer um breve resumo da narrativa.
 Em um mundo mágico dividido entre quatro Londres diferentes - Vermelha, Cinza, Branca e Preta - Kell é um dos últimos Viajantes - seres que conseguem transitar entre os universos - existentes em seu tempo.
 Proibido de coletar objetos de qualquer uma dessas Londres, Kell - como o feiticeiro rebelde que é - ignora esse aviso e inicia um comércio ilegal de troca entre colecionadores e outros magos em uma taberna local. Tudo transcorria as mil maravilhas, até uma garota interceptar Kell e entregar-lhe uma pedra misteriosa, solicitando ao rapaz que ele enviasse o pertence para um ente querido que residia em uma outra variação do mesmo país.
 Sem tempo para analisar o objeto ou o pedido em questão, o garoto viaja até a Londres Cinza e imediatamente depara-se com Delilah Bard - uma ladra com aspirações a pirata - em um beco sombrio da cidade. Envolto na confusão da situação ao descobrir que a pedra preta em seu bolso representava uma antiga e maligna magia proveniente da Londres Negra, Kell nem ao menos percebe quando Lila rouba o objeto de seu casaco e foge de seu alcance.
 Procurando a garota a fim de recuperar aquilo que lhe pertencia, o rapaz de um olho claro e o outro completamente negro, vê-se diante de um conflito envolvendo poderes antigos, que ele sequer imaginou existir. 

"Love doesn't keep us from freezing to death, Kell," she continued, "or starving, or being knifed for the coins in our pocket. Love doesn't' buy us anything, so be glad for what you have and who you have because you may want for things but you need for nothing"

 Essa é minha primeira experiência com a escrita de Victoria Schwab. Após anos a fio lendo resenhas sobre suas magníficas obras, sua impecável escrita e seus encantadores livros de fantasia, algo recorrente na opinião dos leitores desanimou-se com relação a trilogia "Tons de Magia": a unanimidade com a qual todos pareciam detestar Delilah Bard.
 Portanto, venho aqui nessa resenha deixar registrado a seguinte afirmação: Lila é um ser humano precioso que merece ser colocada em um potinho e apreciada por mais pessoas.
 Nenhum elemento, capítulo ou narrativa teria sequer um porcento de emoção, não tivéssemos a ironia e sarcasmo da garota Bard alegrando nossa existência. Não entendo a razão da antipatia generalizada com essa personagem, visto que - apesar de impulsiva - Lila levou esse enredo nas costas ao tentar ajudar Kell - de acordo com a sua própria ética e moral levemente egocêntrica - desde o instante em que eles começaram a se conhecerem melhor (desconsideremos o roubo inicial, está basicamente na genética de Lila furtar objetos pequenos).
 Feito esse meu manisfesto de defesa em relação a Delilah Bard, vale também ressaltar todos os outros personagens e suas características marcantes para o enredo. Apesar do foco da narrativa ser centrado em Kell e Lila, a autora intercala os capítulos e apresenta outros seres - com estórias secundárias - que no decorrer da trama integram-se perfeitamente para o conflito criado.
 Se a habilidade de Schwab em descrever personagens é excelente, sua aptidão para criar universos é inquestionável. A cada viagem de Kell para uma Londres distinta, sentia-me abrindo um novo livro na palma de minha mão sem nem ao menos levantar do lugar e trocar de obra na estante. As descrições de cada país eram impecáveis, sendo a Londres Branca - com o reinado perturbado dos irmãos Dane - minha favorita. O sistema de mágica e as questões políticas que regiam as diferentes monarquias, criadas pela autora, surgem como a cereja no topo desse enredo.

"I'm not going to run into myself, am I? asked Lila, breaking the silence.
Kell glanced her way. "What are you talking about?"
She kicked a loose stone. "Well, I mean, it's another world, isn't it? Another version of London? Is there another version of me?"
Kell frowned. "I've never met anyone like you."
He hadn't' meant it as a compliment, but Lila took it that way, flashing him a grin. "What can I say," she said, "I'm one of a kind".

 Sempre tendo a analisar livros com aquela arcaica lógica baseada na ênfase da narrativa, procurando entender se a autora fará uma obra centrada no desenvolvimento dos personagens ou do próprio plot. E surpreendentemente, em menos de 400 páginas, V.E Schwab conseguiu explorar esses dois elementos - sem privilegiar apenas um recurso literário ou perder-se no meio do caminho - de modo formidável.
 O leitor cria uma empatia quase instantânea com Kell e seu casaco multiuso, de forma que quando a ação começa, você torce para que ele consiga vencer as forças do mal sem precisar sacrificar a si mesmo durante o processo.
 Desde a leitura de "Six Of Crows" - anos atrás - nunca consegui encontrar uma obra que fizesse-me apegar aos personagens ou descrevesse um universo fantástico chamativo o suficiente para manter minha atenção na narrativa, mesmo ela sendo escassa com relação ao romance - ainda que a questão amorosa não seja o foco aqui, já sentei na primeira cadeirinha do barco desse ship entre Kell e Lila - e "Um Tom Mais Escuro de Magia" veio suprir minha necessidade de encontrar uma gangue de adolescentes para amar.
 Com magia; monarquia; baile de máscaras; barcos; piratas; cenários obscuros; diálogos engraçados e uma narrativa cativante, V.E. Schwab chegou para ocupar o pódio de autoras favoritas.


Classificação: 5 de 5 estrelas + <3

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