Resenha: Rainha Das Sombras (Throne Of Glass #4) - Sarah J. Maas

5.2.18


"We do not look back, Chaol. It helps no one and nothing to look back. We can only go on. 
There she was, that queen looking out at him, because it made him feel so strangely young - when she now seemed so old. "What if we go on," he said, "only to more pain and despair? What if we go on, only to find a horrible end waiting for us?
Aelin looked northward, as if she could see al the way to Terrasen, "Then it is not the end"

SPOILERS ALL THE WAY DOWN
NÃO ESPERE UMA RESENHA COESA E COERENTE
 "Rainha Das Sombras" é o temido e quarto volume da série "Trono de Vidro" escrita por Sarah J. Maas. Nessa altura do campeonato é dispensável qualquer tipo de resumo sobre o enredo, portanto inicia-se agora todas as considerações em relação a obra.
 Diferente do imaginado, não acreditei nos inúmeros comentários e resenhas negativas que circulavam no universo literário envolvendo esse livro. Afinal, a internet e eu discordamos consequentemente sobre as obras de Sarah J. Maas.
 Portanto, foi uma surpresa o fato de concordar com essa galera do contra, ao chegar quase na página 300 do livro e ele apresentar zero acontecimentos interessantes.
  Em "Herdeira Do Fogo" era possível ver toda a transformação de Celaena em Aelin. Seu processo de amadurecimento, a aceitação de suas perdas e até mesmo a esperança de um futuro melhor ao lado de Rowan. Os personagens e a narrativa seguiam uma linearidade fluída, onde cada capítulo - independente dos acontecimentos que lá ocorriam - eram primordiais para a narrativa.
 O que não se pode dizer de "Rainha Das Sombras", afinal eu viveria perfeitamente bem sem as 400 páginas inicias dessa obra onde a autora passou metade do tempo descrevendo o quanto Aelin era a fodona daquele reino - nem o resgate do Aedion salvou o início dessa estória.
 A falta de direção da autora ficou evidente nessa obra e é nesse exato momento em que o leitor percebe o quanto seria mais útil se os contos de "A Lâmina da Assassina" tivessem sido inseridos no decorrer desse livro, ao invés de ganhar um volume separado.
 Além disso, a reclamação geral era de que os personagens no quarto livro haviam sido desconstruídos e se transformado em serem fictícios distintos daqueles que nós passamos a amar nas obras inicias. E infelizmente isso é verdade, principalmente com Aelin. 
 A mudança de assassina para rainha estava sendo feita de uma maneira primorosa pela autora, porém nesse volume a personagem - antes empática - transformou-se numa figura imaculada e inumana. Os únicos momentos da narrativa, nos quais algum tipo de sentimento relacionado a compaixão foram exemplificados, era quando a garota estava perto de Rowan.
 Aliás, o protagonista masculino, junto com a formação do romance foi outro balde de água fria nesse enredo. Rowan e Aelin se transformaram em Feyre e Rhys versão 2.0. Com cenas turísticas e domésticas de "venha conhecer minha cidade" até diálogos enjoativos sobre roupas de dormir reveladoras e exemplificações sobre os variados usos da língua, tudo em seu relacionamento foi enjoativo, para dizer o mínimo. Até agora estou tentando encontrar meu guerreiro medieval de "Herdeira do Fogo" e descobrir onde foi que ele se perdeu.
 E esse é meu maior medo envolvendo a criação dos romances entre os outros casais que serão formados nos próximos volumes, principalmente Manon e Dorian. Meu príncipe - agora Rei - foi a ausência mais significativa durante essa leitura. Parecia que nunca iriam salvar esse menino e quando Manon deixou o recado avisando que ele ainda estava vivo, meu coração encheu-se de alegria e emoção pela primeira vez no decorrer desse enredo.
 Fica aqui minha torcida para que a Sarah J. Maas evolua em sua elaboração de casais e desenvolvimento amorosos dos mesmos. Ela é uma ótima autora para juntar personagens impensáveis e fazer os leitores embarcarem rapidamente nos barcos inaufragáveis dos ships, porém a concretização de todos os seus relacionamentos é no minimo, decepcionante.
 Agora, de volta aos personagens, reaparece aqui Lysandra - diva, metamorfa - e surge Elide, a qual não sei até agora o que ela agregou nesse livro (nem vou mencionar Nesryn e Aedion, porque nem vale a pena gastar vocabulário). Apesar de já conhecida por aqueles que leram "A Lâmina Da Assassina", Lysandra foi uma personagem que evoluiu e cativou o leitor (pelo menos eu adorava ler seus capítulos) e fiquei surpresa em descobrir que ela mudava de forma e aprender que sua eterna aparência era "roubada" de outra pessoa.
 Diferente da moça metamorfa, Elide fez parte do enredo envolvendo o coven das bruxas e por algum motivo esse pedaço da narrativa me deixava irritada. Manon e suas garotas malvadas e desumanas apresentam todas as características que adoro em personagens sobrenaturais, mas desde o terceiro livro, venho lutando - sem sucesso - para simpatizar com elas. Espero que minha indiferença seja vencida ao vê-la relacionar-se com Dorian nas próximas obras.
 Por último, mas não menos importante, temos Chaol. E não é que eu gostei dele nesse livro - pois é, estou rindo de mim mesma por ter falado tão mal do rapaz nas resenha anteriores. Achei que de todas as mudanças de personalidade, Sarah J. Maas finalmente acertou o tom com Chaol. 
 Uma das coisas que mais me incomodava em seu personagem era a ligação romântica dele com Celaena, sendo que era óbvio a aversão que o rapaz sentia por suas ações. Em "Rainha Das Sombras" a autora resolveu deixar claro e explícito esse sentimento, o qual havia sido camuflado nos romances anteriores, fazendo com que Chaol fosse capaz de construir todo um arco de redenção pelos seus erros do passado. Me deixando, pela primeira vez, ansiosa para ler "Tower Of Dawn" e explorar os caminhos seguidos pelo rapaz.
 Com relação ao enredo, fica aqui estabelecido que nada significativo aconteceu nas 400 páginas, todavia, quando Arobynn coloca aquele anel controlador em Aelin e a autora desenvolve um pequeno "plot twist" é que as coisas começaram a fluírem melhor. Sendo o ponto alto da narrativa, a morte de Arobynn por Lysandra (essa linda).
 Como uma malha de retalhos, o final realmente compensa o cansativo inicio da leitura e todas as tramas e personagens interagem pela primeira vez. Talvez por questões de costume ou até uma leve alteração na escrita, Sarah J. Maas parece encontrar novamente a voz de seus personagens e é possível descobrir um lado mais humano e profundo em cada um deles.
 Mesmo assim, ao chegar em meados da página 550 eu estava literalmente cansada de permanecer dentro da leitura dessa obra por quase um mês e isso tirou meu entusiasmo com o livro de maneira definitiva.
 Sem sombra de dúvidas, a autora evoluiu em sua escrita e em seu próprio universo. "Trono de Vidro" tinha uma ideia e uma ambientação, as quais independente de seus problemas de escrita e execução, funcionavam para mim como leitora.
 Todavia, a cada nova obra a autora resolveu acrescentar mais problemas, personagens e densidades a todos os plots criados e isso transformou "Rainha Das Sombras" em uma leitura simplesmente cansativa e por vezes tediosa. Nem mesmo um bom romance a autora foi capaz de criar para prender a atenção do leitor enquanto Aelin era enaltecida a cada cinco parágrafos.
 Após ler "Herdeira do Fogo", pensei inocentemente que não haveria como o resto dessa série ser ruim, mas infelizmente a própria evolução da escrita de Sarah J. Maas foi sua maior inimiga.
 Continuarei com a leitura dos outros volumes dessa saga - afinal, já cheguei até aqui - mas, agora lerei todos com a expectativa em seu devido lugar. Lição aprendida.


Classificação: 3.5 de 5 estrelas.

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Edição Nacional: Rainha das Sombras - Volume 4
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