Resenha: The Language Of Thorns (Midnight Tales And Dangerous Magic) - Leigh Bardugo.

13.1.18


 "The Language Of Thorns" de Leigh Bardugo é uma coletânea de seis contos míticos envolvendo todo seu universo Grisha - o famoso grishaverse - agradando assim, leitores de sua trilogia original; "Sombra e Ossos", como aqueles que leram apenas sua nova duologia composta pelas obras de "Six Of Crows" e "Crooked Kingdom".
 Como fã da autora, "The Language Of Thorns" era um livro cujas expectativas estavam levemente elevadas, todavia a narrativa de Leigh Bardugo não surpreendeu muito durante essa leitura. Inclusive, alguns fãs perceberão rapidamente que a obra é composta por três contos já publicados online há alguns anos atrás. Portanto, apenas metade do livro apresenta conteúdo inédito.
 Com uma temática sombria e contos obscuros, Bardugo desenvolve perfeitamente as características específicas das fábulas. Temos personagens animais que apresentam traços humanos; protagonistas típicos e planos; uma prosa ritmítica e uma moral ao final de cada narrativa. 
 Os leitores já familiarizados com as versões sombrias dos originais contos de fada da Disney, pouco se surpreenderão com o estilo adotado pela autora, visto que cada uma de suas fábulas apresenta algum tipo de referência à esses antigos e consagrados enredos.
 Ainda que, não sendo fã de contos, as três narrativas iniciais da obra, conseguiram cativar minha atenção. Todavia, as obras finais foram decaindo em suas estórias. O que alongou desnecessariamente o tempo de leitura dessas páginas.
 O ponto alto desse livro, foram as ilustrações. Em cada folha um novo desenho aparecia, progredindo junto com a narrativa e finalizando com uma imagem completa, a qual representava o desfecho de cada personagem. Portanto, a arte da obra é o que basicamente a torna mais deslumbrante do que ela realmente é.
 Quanto aos contos, a  primeira fábula, intitulada: "Ayama And The Thorn" (3.5/5) foi uma introdução agradável ao livro. Seu grande diferencial foi apresentar vários contos dentro de sua narrativa. Não era muito assustador e a moral, de que não devemos julgar pela aparência, ficou levemente infantil.
 Já o segundo: "The Too Clever Fox" (4/5), foi um dos melhores contos. Apesar do protagonista ser o famoso animal personificado, a autora conseguiu trazer toda uma questão da figura feminina e como as mesmas são menosprezadas por suas aparências frágeis. A atmosfera era definitivamente mais sombria e eu acabei gostando de Sofiya,  ainda que ela fosse caracterizada como um "anti-herói".
 "The Witch Of Duva" (4.5/5), leva o prêmio de melhor fábula. Com uma ambientação, típica de "Branca de Neve" encontra "João e Maria", foi uma das narrativas mais surpreendentes do livro. Uma estória cujos personagens eram todos humanos e a protagonista foi bem explorada. Nadya tinha seus sentimentos e motivações explícitas e o leitor consegue identificar-se com a pobre garota. Sombrio e com bruxas não convencionais, esse foi o melhor trabalho de Leigh Bardugo.
 Terminando esses três contos iniciais, começa a derrocada da obra. Em "Little Knife" (2.5/5), nenhum personagem foi cativante o suficiente e todo o desenrolar da narrativa era previsível, todavia a moral da fábula compensou sutilmente esses problemas.
 Entretanto, o mesmo não aconteceu em "The Soldier Prince" (2.5/5), cuja narrativa era uma cópia obscura do desenho "Toy Story" e nem mesmo a autora entendeu qual ideia principal ela quis desenvolver.  
 E consequentemente, finalizando e levando problemas semelhantes em "When The Water Sang Fire" (2/5), surge uma das narrativas mais longas da obra. A fábula tinha todos os elementos para ser uma das estórias favoritas, porém Leigh Bardugo alongou-se demais em suas descrições e sua protagonista não foi capaz de conquistar minha empatia ou sentimento. No final, foi mais um conto à la "Pequena Sereia" que não deu muito certo.
 Sendo assim, a classificação final dessa obra será de 3 estrelas. Acredito que os fãs da autora e seu universo aproveitarão mais esse livro. No meu caso, acabei por considerá-lo apenas agradável. Infelizmente não me lembrarei de nenhuma dessas narrativas em um futuro próximo, e ainda que bem escritas, acredito que chegou a hora de Leigh Bardugo usar todo seu potencial e investir em novos caminhos.


Classificação: 3 de 5 estrelas.

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