Resenha: Mulher-Maravilha | Sementes Da Guerra (Lendas Da DC #1) - Leigh Bardugo

19.10.17


 Então, Leigh Bardugo escreveu um livro sobre a adolescência de Diana Prince, a.k.a Mulher-Maravilha. Se surtei quando descobri essa notícia? A resposta adequada seria dizer que sim, eu tive um ataque de fangirl com a novidade. Se me desapontei quando comecei a ler o livro? Novamente, a resposta adequada seria dizer que sim, a frustração foi grande.
 Mas, antes de entrarmos na questão da minha opinião, vamos ao breve resumo da obra. Em "Mulher-Maravilha - Sementes Da Guerra", somos apresentados a uma versão jovem de Diana. Aos 17 anos, nossa futura heroína encontrava-se em fase de treinamento na reclusa ilha das Amazonas. Por ter sido feita, literalmente, da lama e do sangue de Hipólita (sua mãe e Rainha), Diana sofria uma certo preconceito das outras garotas (porque, nem a Mulher-Maravilha está imune ao bullying #gentecomoagente).
 Eis que logo no início da narrativa, Diana e todas as outras Amazonas estavam participando de um torneio e ganhar seria muito importante para nossa heroína conquistar uma certa moral entre as outras mulheres. No entanto, no meio do caminho rumo à vitória, Diana depara-se com um acidente de barco e resolve abandonar a corrida para resgatar os sobreviventes dessa tragédia.
 Lá chegando, ela descobre que somente uma garota ainda estava com vida e resolve então trazê-la para a ilha das Amazonas. Acontece que, nenhum mortal é permitido dentro do universo dessas guerreiras. A punição para quem quebrasse essa regra era o exílio imediato. 
 Diana então, tenta solucionar o problema - conhecido também como Alia - o mais rápido possível. Principalmente ao descobrir que a presença da garota está envenenando a ilha, assim como o ambiente também está matando a moça. Com toda sua glória de heroína destemida, Diana enfrenta o Oráculo e descobre que é possível salvar tanto Alia, como a ilha das Amazonas, mas ela deve agir rápido se quiser conceber esse ato de grandeza.
 Juntas então, as meninas fogem da ilha e iniciam uma épica jornada juntas. Repleto de cenas de ação, aventura e muito girl power, Leigh Bardugo entrega basicamente tudo aquilo que foi prometido em sua sinopse. Então o que não funcionou para mim nessa obra?
 Em primeiro lugar, tive um sério problema com a questão da expectativa. Desde o ano passado ao finalizar a duologia de "Six Of Crows", Leigh Bardugo tem sido uma autora que está no pedestal imaginário do meu universo literário. Ou seja, parte de mim esperava que "Mulher-Maravilha - Sementes Da Guerra" tivesse o mesmo impacto que suas obras anteriores, o que infelizmente não aconteceu.
 O problema desse livro, é a previsibilidade da estória em geral, porque até mesmo quem não é fã da Mulher-Maravilha, tem uma visão/conhecimento prévio sobre seu personagem. Então, no meu caso que ainda estou com a adaptação cinematográfica fresca em minha memória, ler sobre Diana em sua fase adolescente não acrescentou nada significante em meu entendimento sobre a personagem. 
 Aqui, ao invés do romance entre Diana e o soldado Steve, temos apenas um foco na amizade entre as garotas- o que também é um tema importante de se abordar - no entanto, sua exploração foi feita de maneira arrastada demais. Aumentando, novamente a questão da obviedade que acaba gerando o iminente tédio durante a leitura.
 Fatores esses que ficam evidenciados quando você descobre que a obra também é narrada sobre o ponto de vista de Alia, a humana que Diana resgatou. Alia, era uma descendente de Helena de Tróia e na linguagem original ela era considerada uma warbringer ou seja, uma semente da guerra. Destruição e catástrofe seguiriam a garota para qualquer lugar que ela fosse (olá Jinx, da Meg Cabot).
 Portanto, o leitor é agraciado com ambas as narrativas. E me desculpe sociedade, mas eu não consegui me importar com Alia (afinal, já estava difícil simpatizar com Diana). Quando as duas garotas começam a interagir o livro deixa de encaixar-se no gênero "jovem adulto" para migrar ao "infanto juvenil".
 O que deveria ser uma releitura sobre Diana Prince, transformou-se numa adaptação de "Percy Jackson e os Olimpianos". Desde a cena do Oráculo até os diálogos, senti estar lendo algum livro perdido de Rick Riordan. E caso você seja novo aqui, eu estou passando longe dos livros desse autor no momento.
 O que me leva a conclusão de que talvez essa obra funcione e atinja melhor um público mais jovem, afinal, veja quantos leitores amam as aventuras de Percy Jackson? No meu caso, de pessoa idosa, não consegui me apegar nos personagens ou aprender com suas lições, porque já li sobre isso em trocentos outros livros do gênero.
 Abro aqui um gigantesco parênteses para dizer que apesar de pessoalmente não ter aproveitado a obra, a mesma apresenta tópicos de extrema importância para os jovens de atualmente, ao abordar toda a questão da diversidade cultural e do empoderamento feminino que cresce a cada minuto - fecho aqui esse adendo.
 Portanto, - de volta a minha opinião pessoal - ainda que a obra seja bem escrita e consiga entregar tudo o que prometeu, ela não deixa de ser inferior aos outros livros dessa autora. Deixando-o perdido no vasto mar do seu próprio gênero literário.
 Deixo aqui então, a recomendação desse livro àqueles que gostam das obras de Rick Riordan e talvez ainda estejam na adolescência. Acredito que ao ser lido por esse público, "Mulher-Maravilha - Sementes Da Guerra", definitivamente conseguirá atingir seu alvo e cumprir seu objetivo.


Classificação: 3 de 5 estrelas.

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