Resenha: Simplesmente o Paraíso (Quarteto Smythe-Smith #1) - Julia Quinn

19.9.17


 "Simplesmente o Paraíso" é o primeiro de uma série de quatro livros, intitulados "Quarteto Smythe-Smith". Como o próprio nome indica, essa é uma saga focada em um grupo de garotas solteiras, que juntas formam uma desafinada e terrível banda musical dos anos 1800.
 E nessa obra inicial, iremos acompanhar a estória de Honoria, que após ver ser irmão ser praticamente expulso do país por ter cometido uma bobagem na mesa de jogos, ganha secretamente um novo protetor: o melhor amigo de infância da família, Marcus Holroyd.
 Marcus e Daniel (irmão de Honoria) se conhecem desde pequenos, e a presença do rapaz na casa dos Smythe-Smith era basicamente obrigatória. Fato que acabou transformando o moço em praticamente um membro da família.
 Portanto, quando o mocinho é acometido por uma grave doença, Honoria e sua mãe partem desesperadamente em seu encontro. E na angústia de curar o rapaz de sua terrível febre alta, sentimentos adormecidos acabam aflorando tanto em Honoria quanto em Marcus, já que é durante esse sombrio período,  que eles acabam descobrindo a verdadeira natureza de suas afeições.
 Encerra-se assim a breve sinopse da obra e inicia-se agora o momento opinião. Verdade seja dita, "Simplesmente o Paraíso" não foi a melhor obra de Julia Quinn.
 Se analisarmos criticamente o enredo criado pela autora, é possível perceber que até mesmo em uma música da Taylor Swift acontece mais coisa do que nesse livro (veja por exemplo a canção "Mine" da moça: em menos de 3 minutos ela já visualizou o primeiro encontro; beijo; namoro; casamento; briga; dificuldades financeiras; superação e ainda por cima, ela consegue finalizar tudo com um final feliz).
 Já Julia Quinn, apesar de criar um romance digno de músicas melosas, peca bastante em desenvolver uma estória interessante. Basicamente, uns 40% do livro, o leitor acompanha Honoria cuidando de Marcus e foi impossível não associar todos esses capítulos com o livro "Sedução ao Amanhecer" de Lisa Kleypas (onde Kev fica cuidando de Win por um longo período de tempo). 
 Porém no livro de Kleypas, essa avalanche de cenas hospitalares faziam mais sentido e tinham mais impacto para o leitor (afinal, Win estava gravemente doente desde o início da série). Já na obra de Julia Quinn, elas me entediaram um pouquinho, assim como os capítulos que envolviam as outras garotas do quarteto.
 Porque, infelizmente, tirando a enfermidade de Marcus, nada remotamente interessante ocorreu nessa narrativa. Não tínhamos vilões, nem empecilhos para o amor dos protagonistas ou qualquer personagem secundário que despertasse o interesse do leitor em dar continuidade nos outros livros da série. As meninas do grupo musical eram tão parecidas, que tive até dificuldade em diferenciá-las. E nem mesmo o leve crossover com um certo menino Bridgerton conseguiu me animar (sad but true).
 Talvez o único diferencial desse livro, e fato que pode conquistar alguns leitores, é a personalidade de Marcus, o qual é descrito como sendo um mocinho extremamente tímido e acanhando. Então o romance entre ele e Honoria, segue o típico desenvolver daqueles amores de infância e beira quase o juvenil (aliás, existe livro jovem adulto muito mais picante e com mais cenas de sexo do que nessa obra, veja por exemplo "Princesa de Papel" de Erin Watt).
 Diferente dos protagonistas masculinos libertinos, os quais estão sempre buscando agarrar as mocinhas e aproveitar-se desses encontros furtivos, Marcus e Honoria quase não tiveram contato físico. E o romance limitou-se a conversas meigas e momentos bem romantizados, como uma valsa digna do filme "Cinderela", no desfecho da obra.
 Ainda que bem escrito e com protagonistas bonitinhos e afetuosos, infelizmente esse livro não funcionou para mim. Sempre tenho um problema com esses romances onde os protagonistas se conhecem na infância, pois o enrendo frequentemente torna-se idealizado e açucarado demais para o meu próprio gosto.
 Sem mencionar, que além da semelhança dessa obra com outras do gênero, Julia Quinn acabou repetindo o mesmo plot de seu próprio livro "A História De Um Grande Amor", o que deixou tudo mais previsível do que o necessário.
 De todos os clichês pertinentes aos romances de época, eu ainda continuo fiel aqueles onde temos libertinos rústicos que faltam fazer malabarismos de circos com as mocinhas. Homens, que se pendurar uma corda em algum lugar no teto, eles fazem até umas piruetas no ar com a garota só para poder se aproveitar do momento (*insira aqui o emoji do bracinho forte de musculação*). Afinal, esses rapazes conseguem até mesmo salvar um enredo mais pobrezinho, só dando o ar de sua graça.
 Em conclusão, se você está com vontade de ler um romance bem fofinho, leve e com poucas cenas de paixão tórrida; agarre com as duas mãos "Simplesmente o Paraíso" de Julia Quinn. É diversão garantida.


Classificação: 2.5 de 5 estrelas.

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Edição Nacional - Simplesmente o Paraíso. Quarteto Smythe-Smith 1

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