Resenha: Volúpia de Veludo (As Modistas #3) - Loretta Chase

14.7.17


 Antes de você prosseguir na leitura dessa resenha, já fica aqui o aviso de que essa será uma resenha negativa. Portanto, se você gostou desse livro poupe-se da negatividade e procure o texto positivo mais próximo de você.
 "Volúpia de Veludo" é o terceiro livro da série "As Modistas" de Loretta Chase. E não; eu não li os livros antecessores dessa saga, porém em nenhum momento isso afetou meu entendimento da obra (fica aqui a dica, caso você também queira seguir meu mau exemplo).
 Eis que esse livro irá abordar a estória de Leonie Noirot, a última irmã do trio que ainda permanecia solteira. Basicamente comandando sua loja de corte e costura sozinha (já que suas irmãs estavam curtindo a vida matrimonial), Leonie não tinha tempo para romance no seu dia-a-dia.
 Todavia, isso estava prestes a mudar quando Simon Fairfax (também conhecido como o marquês de Lisburne) aparece em uma exposição de arte e acaba salvando Leonie de tropeçar e estabacar-se toda no chão.
 Primo do que parecia ser metade da população londrina (todo mundo tinha um vínculo familiar com esse mocinho), Simon apresenta Leonie à lady Gladys, sua prima cujo senso de moda e personalidade não eram exatamente agradáveis.
 Então, Leonie decide transformar a pobre moça na beldade da temporada e para deixar tudo ainda mais interessante, Leonie e Simon decidem fazer uma aposta sobre esse fato. Se a Srta. Noirot não conseguir fazer Gladys arrumar inúmeros pretendentes até o final da temporada ela deve passar duas semanas de ~pura sedução~ com Lisburne. Agora, caso ela alcance seu sucesso, Simon deverá entregar à moça um quadro de Botticelli que ela viu na exposição em que eles se conheceram.
 E assim basicamente resume-se esse tedioso e arrastado livro. Nos parágrafos abaixo, realizarei algumas críticas e comentarei alguns problemas que tive com essa leitura. Portanto, revelações sobre o enredo ocorrerão a partir de agora (ainda que nada dito aqui irá estragar sua leitura, afinal todos nós sabemos qual é desfecho das obras desse gênero).
 Não é de hoje que eu e Loretta Chase temos problemas, desde a tradução de suas obras aqui no Brasil eu não consegui ler nenhum livro dessa autora que me agradasse. Dito isso, fica então estabelecido que "Volúpia de Veludo" foi sua pior obra desde então, porque diferente de seus outros livros, esse daqui eu nem consegui finalizar.
 Nunca na história desse país um livro foi tão lento como esse. A autora simplesmente não tinha enredo o suficiente para preencher as 300 páginas da obra e obrigou o leitor a ler inúmeras vezes cenas que basicamente eram uma reprise de algo que já havia ocorrido nos capítulos anteriores.
 Swanton, um outro primo do mocinho, passou o livo inteiro criando incontáveis eventos para proclamar poesia enquanto Leonie comparecia a todas as festividades para buscar clientes. Repetidamente era só isso que acontecia durante mais da metade do livro, nem eu estava mais aguentando essa overdose de cenas de sarau (sério, nada mais acontecia aqui).
 Ignorada a falta de criatividade da autora, eis que surgem Leonie e Simon os protagonistas mais sem personalidade e característica que o universo já conheceu. Loretta Chase até tentou fazer a Srta. Noirot apresentar algum traço de individualidade ao fazer ela ter uma mente prática e voltada para os negócios, porém como basicamente 90% das heroínas de romance, seu cérebro transformava-se em mingau toda vez que Simon encostava nela.
 Sem falar que a autora teve a capacidade de fazer a moça apaixonar-se pelo marquês, literalmente num piscar de olhos. Leia o trecho abaixo:

"E de repente ele atravessou a porta trazendo sanduíches que preparou para ela com as próprias mãos aristocráticas. 
Naquele momento, ela desistiu de lutar e se apaixonou por ele"

 Padarias e mercados, fechem as portas, porque se algum funcionário oferecer um sanduba ou um dogão para Leonie Noirot, a moça irá agarrá-lo com as duas pernas e braços. Sinceramente, pior cena de realização de amor já criada. E a bizarrice não termina aí. 
 Após Simon e Leonie finalmente terem relações íntimas, a moça insiste que o rapaz continue chamando-a pelo seu nome formal, pois ela não está preparada para chamar ele pelo seu nome de batismo (WHAT? É ISSO MESMO BRASIL?). Leia, novamente, o trecho abaixo:

" - Simon - disse ele. - Acho que quando duas pessoas estão nuas, compartilhando um móvel tão estreito, algum grau de intimidade deve ser admitido. 
Ela balançou a cabeça.
- Ainda não estou pronta para informalidades. Não tenho certeza de que algum dia estarei. Acho melhor o senhor me chamar de Srta. Noirot quando estivermos nus. Principalmente quando estivermos nus."

 Sinceramente, deveríamos ganhar um Oscar só por aguentar essa protagonista. Sobre o marquês, sua participação foi tão interessante quanto a de uma porta. Novamente, Loretta Chase conseguiu escrever um romance de época, sem realmente criar um relacionamento romântico envolvente entre os protagonistas. Simplesmente, não havia química ou qualquer coisa emocionante de ler sobre esse casal e quando eu finalmente cheguei a essa conclusão o livro acabou para mim.
 Pois, nem os problemas secundários, que era descobrir quem estava difamando o pobre poeta chato, foi suficiente para prender minha atenção. Visto que seu desfecho, assim como o final do enredo envolvendo Gladys eram extremamente previsíveis.
 Li regularmente até a página 200 e depois apenas folheei o livro para comprovar minhas teorias sobre a finalização de todos os personagens (spoiler alert: elas estavam todas corretas).
 Diferente de seus outros livros, os quais foram possíveis finalizar propriamente a leitura, "Volúpia de Veludo" perdeu até mesmo aquele tom sarcástico e humorístico que a autora tinha como característica marcante em suas obras antecessoras.
  E fica então evidente que o grande problema de Loretta Chase é sua constante mesmice e repetidão. Todas as suas obras seguem a mesma linha de produção, o que faz com o que o leitor deixe de ter interesse em suas narrativas, pois é possível prever exatamente toda a sequência de seu enredo. Fato que transforma suas obras em algo entediante ao extremo de ler.
 Portanto, devido a todos esses problemas, acabei por classificar o livro com 1 de 5 estrelas. E continuo até agora, tentando entender como essa autora conseguiu ganhar renomados prêmios de literatura. Alguém precisa urgentemente jogar um livro da Julia Quinn ou da Lisa Kleypas na cara dos críticos, certeza que eles reiterariam na hora essas premiações.


Classificação: 1 de 5 estrelas. 

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