Resenha: Onze Leis A Cumprir Na Hora De Seduzir (Os Números do Amor #3) - Sarah MacLean

12.6.17


 "Onze Leis A Cumprir Na Hora de Seduzir" é o terceiro e último volume da trilogia "Os Números do Amor" de Sarah MacLean. E finalmente, após lermos (e nos apaixonarmos) sobre os gêmeos Gabriel e Nick, chegou a vez da nossa querida Juliana protagonizar a sua própria estória de amor. 
 Conhecida por sua ousadia e nacionalidade italiana, Juliana Fiori é basicamente um escândalo ambulante. Seu espirito livre e sua falta de familiaridade com as rigorosas regras da aristocracia britânica, fazem com que a garota cometa gafes em quase todos os eventos sociais aos quais comparecia.
 Desde atrair pretendentes abusados à derrubar arranjos de frutas em cima de sua própria cabeça (acidentes obviamente não intencionais), Juliana ainda tentava comportar-se da melhor maneira possível para agradar a sociedade, assim como sua nova família, uma vez que o abandono de sua mãe levou a garota a viver com seus desconhecidos irmãos (pelo menos a negligência da mãe trouxe um ponto positivo na vida da moça, visto que Gabriel e Nick realmente criaram um laço especial com a irmã caçula).
 Porém, todo seu autocontrole desaparece quando Simon Pearson, o famoso "Duque do Desdém" aparece na vida da Srta. Fiori. O magnifico duque de Leighton, com seus cachos dourados e grande porte físico, era a personificação do decoro e da impecável reputação inglesa. 
 O maior pesadelo desse mocinho era envolver-se em algum tipo de escândalo que pudesse manchar o nome de sua família. Portanto, ao ver-se envolvido em um desafio indecoroso com Juliana, nosso duque deve fazer o inimaginável para defender sua imagem e manter seu prestígio intacto.

"- Você acha que está acima da paixão? Acha que seu mundo perfeito não precisa de nada além de regras rígidas e experiência sem emoção?
Ele deu um passo para trás diante do desafio nas palavras suaves dela.
- Eu não acho. Eu sei.
Ela assentiu uma vez.
- Prove - desafiou. As sobrancelhas dele se juntaram, mas ele não disse nada. Juliana continuou: - Deixe que eu lhe mostre que nem mesmo um duque frio pode viver sem emoção.
Ele não se moveu.
- Não.
- Está com medo?
- Desinteressado.
- Duvido.
- Você realmente não pensa em reputação, não é?
- Se está preocupado com a sua reputação, Vossa Graça, por favor traga um acompanhante."

 Verdade seja dita, se tem uma coisa melhor do que ler sobre libertinos sedutores é acompanhar a queda desses rapazes para mocinhas inexperientes. Juliana literalmente enlouqueceu o pobre duque de Leighton com seus inúmeros truques de sedução e convites inapropriados. Em vários momentos da narrativa, o rapaz ficou tão desesperado para escapar das garras da moça, que eu fiquei até mesmo com dó dele.
 Fato que só tornou a obra mais leve e engraçada. Sarah MacLean fez um verdadeira inversão de papéis durante esse romance, já que Juliana assume o típico comportamento do herói devasso que faz de tudo para desencaminhar seu interesse romântico, enquanto Simon corria de seus avanços como uma típica donzela em apuros.
 E mesmo a narrativa tendo essa alteração, em nenhum momento Juliana torna-se uma protagonista agressiva ou apresenta aqueles típicos problemas de autoestima pertinentes a quase 90% das mocinhas de romance de época. A Srta. Fiori não quer ficar com Simon porque sua vida acabou e ela precisa de uma lembrança inesquecível para aquecer seu coração em sua suposta velhice solitária. A única razão por trás de sua insistência é que ela realmente gostou do rapaz e queria dar uns beijinhos nele (quem nunca?).
 E eu fiquei extremamente agradecida que a autora fugiu desse clichê da mocinha surtada que só porque passou dos vinte anos quer sair fazendo a louca no meio do baile e pegar o primeiro rapaz que aparece na frente dela, para "criar memórias", como se sua vida fosse acabar no próximo segundo. 
 Juliana chega para comprovar que mesmo tendo uma personalidade distinta das protagonistas habituais, ainda é possível para o leitor identificar-se com seus sentimentos e até mesmo dilemas. Afinal, a vida da Srta. Fiori não se resume simplesmente a encontrar o amor, visto que a mocinha é obrigada a lidar e questionar fatos importantes de seu passado para poder finalmente encontrar-se no decorrer da narrativa.
 Então Juliana foi uma ótima protagonista e Simon, a meu ver, também foi um bom mocinho. Ainda que ele ligeiramente sofresse da síndrome do Kiko do seriado Chaves, já que ele saia gritando "Gentalha, Gentalha" para qualquer plebeu que estivesse usando uma musselina mais barata do que a sua (nobody's perfect ¯\_(ツ)_/¯ ).
 No entanto, todos os atos de desdém do rapaz, bem como sua personalidade rígida, tinham fundamento e explicação. Então foi possível compreender a razão por trás de suas escolhas e entender perfeitamente seu carácter, fato que facilitou a empatia do leitor pelo protagonista. 
 Assim como todo mocinho legal, Simon também teve sua chance de se redimir pelos seus erros e no final da narrativa ele já tinha conquistado tanto o meu coração, como o de Juliana.
 Portanto, o romance entre o casal principal foi bem dosado e a autora não extrapolou na quantidade de cenas picantes, deixando a obra mais sutil e romântica. Além disso, Sarah MacLean também envolveu os casais dos livros antecessores nessa obra, fazendo com que o leitor pudesse descobrir como ficou a vida de Gabriel e Nick após seus respectivos casamentos com Callie e Isabel (spoiler alert: continua tudo maravilhoso na vida desses lindos).
 Em suma, uma leitura rápida; com diálogos sarcásticos; situações engraçadas e dois protagonistas tão opostos que é impossível não se envolver e torcer constantemente para a ruína de Simon. Com uma proposta diferente dos demais romances de época, "Onze Leis A Cumprir Na Hora de Seduzir" chega para quebrar a mesmice e conquistar ainda mais os leitores desse gênero.


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