Resenha: Eliza And Her Monsters - Francesca Zappia

1.7.17


 "Eliza and Her Monsters" é o segundo livro da aclamada escritora Francesca Zappia e conta a estória de Eliza Mirk, uma adolescente extremamente introvertida na vida real. Porém, no universo online a garota é conhecida como a famosa LadyConstellation, autora de Monstrous Sea, uma das maiores webcomics já produzidas. 
 Com milhares de fãs no mundo online, Eliza só conseguiu levar a criação de Monstrous Sea adiante devido a sua anonimidade. Ninguém, exceto sua família e seus dois melhores amigos online, sabia que LadyConstellation era apenas uma jovem de 18 anos com inúmeros problemas sociais (sem falar na extrema ansiedade que dominava a vida da garota).
 Vivendo dentro de seu próprio universo, Eliza conseguiu transformar até mesmo seu hobbie em uma fonte de trabalho, já que seus ávidos fãs compravam todo tipo de material relacionado a sua HQ. Então, até dinheiro para a faculdade a garota possuía, restava agora sobreviver aos últimos meses do colegial (uma tarefa basicamente impossível para todos).
 Eis que o plano de Eliza de permanecer invisível e misturar-se com a paisagem do colégio desaparece vagarosamente com a chegada de Wallace em sua escola. Fã número um do quadrinho Monstrous Sea, Wallace e Eliza iniciam uma tímida amizade que logo evoluí para um romance (extremamente fofinho).
 Lentamente, Eliza começa a aproveitar mais a vida offline, porém seu grande avanço é rapidamente destruído quando a identidade de LadyConstellation é relevada para todo mundo e a garota vê sua sanidade e toda sua vida ir literalmente por água abaixo. 
 Francesca Zappia é uma escritora bastante conhecida no universo literário. Suas obras, sempre causam um rebuliço entre os leitores, que na sua maioria tecem inúmeros elogios à escrita de Zappia. Eu, particularmente, nunca fiquei muito curiosa em ler "Made You Up" (em português, "Inventei Você"). No entanto a sinopse de "Eliza and Her Monsters" chamou-me a atenção e decidi descobrir o motivo pelo qual todos amam essa autora.
 E ao finalizar a leitura de sua obra, fica explícito a razão pelo sucesso de Zappia. A escritora consegue descrever como ninguém os dramas e dificuldades de ser uma adolescente introvertida em um mundo onde todos querem se sobressair.
 Eliza é uma personagem na qual o leitor identifica-se desde o início. Mesmo com um enredo banal, a autora consegue criar uma protagonista extremamente verídica. Foi impossível não simpatizar com sua personalidade e medos, a garota era tão semelhante a mim quando eu também tinha 18 anos que durante o livro inteiro eu só queria poder confortá-la.

"I don't want to be the girl who freezes when confronted with new friends, or the ouside world, or the smallest shred of intimacy. I don't want to be alone in a room all the time. I don't want to feel alone in a room all the time, even when there are other people around"

 Desde seus questionamentos sobre o colégio e como todos os outros alunos conseguiam arrumar-se e ficar feliz as 6:00 horas da manhã (fato até hoje desconhecido por mim também), até pequenas coisas como, conversar com pessoas novas ou sair de casa por algumas horas, são descritos com exímia perfeição pela autora que exemplifica ao leitor como esses acontecimentos cotidianos são episódios gigantescos e cansativos na vida de quem sofre de ansiedade.
 A autora acerta diretamente no alvo ao criar essa protagonista que não consegue encaixar-se nos moldes que a sociedade exige, simplesmente porque ela prefere ficar no conforto do seu lar assistindo séries e desenhando a passar suas noites festejando. E Eliza sofre ao não conseguir fazer seus pais entenderem a importância de sua webcomic, assim como ela também chateia-se por não fazer nenhuma atividade que os outros consideram "significativa".
 E é esse processo de aceitação de Eliza, que faz o leitor torcer pela protagonista e querer ler avidamente a obra. Dentre todos os livros voltados para o público jovem, esse com certeza é um dos melhores, pois Francesca Zappia mostra aos adolescentes que às vezes o que parece estranho para os outros pode ser completamente normal para você. Na realidade, o importante é aceitar-se do jeito que você é.

"I learned years ago that it's okay to do this. To seek out small spaces for myself, to stop and image myself alone. People are too much sometimes. Friends, acquaintances, enemies, strangers. It doesn't' matter; they all crowd. Even if they're all the way across the room. I take a moment of silence and think: I am here. I am okay."

 Então, o livro que já tinha conquistado meu coração, só melhora quando Eliza encontra Wallace. O também introvertido rapaz é um enorme fã de Monstrous Sea e Eliza fica maravilhada por aproximar-se de alguém que finalmente a entende. Wallace foi o melhor mocinho que a autora poderia ter criado, pois diferente das outras obras onde as autoras criam protagonistas masculinos extrovertidos, Zappia optou por criar um rapaz talvez até mais tímido do que Eliza.
 Portanto, o romance entre ambos não caiu naquele típico clichê: "menina envergonhada encontra menino socialmente perfeito e cura-se de todos os seus problemas". O relacionamento de Eliza e Wallace foi muito bonitinho (sério, nível máximo de fofura) e ambos ajudaram um ao outro, ninguém aqui fez o papel de "salvador da pátria" o que aumentou ainda mais o realismo da obra.
 No entanto, mesmo eu sendo basicamente uma Eliza Mirk na época do colégio (e permanecendo assim até hoje também), fiquei levemente desapontada com o desfecho da obra. Quando a revelação sobre a identidade de Eliza ocorre, a autora finalmente faz a menina conversar com os pais, interagir com seus irmãos, fazer terapia e até mesmo passar mais tempo no mundo offline.
 Porém, eu achei que o final do livro foi apressado, gostaria de ter explorado melhor esse processo de cura de Eliza, ter lido mais páginas detalhando como ficou a vida da garota após o término do colégio e quais seriam seus planos depois de ter basicamente finalizado todo esse ciclo traumatizante em sua vida.
 E verdade seja dita, por melhor e mais verossímil que seja a protagonista criada por Zappia, sua obra ainda é excessivamente semelhante a "Fangirl" de Rainbow Rowell. A única diferença entre ambas as obras é o tom escolhido pelas autoras. Enquanto Rainbow Rowell escreve de maneira mais leve, Francesca Zappia tem uma narrativa mais obscura. De resto, era tudo bem parecido, até mesmo as páginas da webcomic de Eliza foram inseridas na narrativa (e assim como no livro de Rowell eu não li nenhum desses capítulos #shameonme).
 Portanto, foi impossível surpreender-se com alguma coisa no decorrer da leitura, visto que inúmeros livros sobre o mesmo tema já foram escritos. Além da semelhança com "Fangirl", obras como: "À Procura de Audrey" (Sophie Kinsella); "Eu Estive Aqui" (Gayle Forman) e até mesmo "A Culpa é Das Estrelas" (John Green) ficaram em minha mente durante todo o período de leitura.
 Assim sendo, "Eliza and Her Monsters" ganha 4 de 5 estrelas. Definitivamente um livro que se eu tivesse lido 10 anos atrás, colocaria em um pedestal tamanha identificação que tive com a protagonista. Porém, atualmente, por não estar mais inserida dentro do universo escolar e já ter lido trocentas obras sobre esse mesmo tópico, a narrativa de Francesca Zappia acabou perdendo um pouco de seu encantamento (desvantagens de ficar velha).
 Àqueles que nunca leram nada da autora, fica aqui a recomendação desse livro. Além da estória ser bacana ele também é visualmente bem bonito e contém várias ilustrações da própria escritora. Porém, tenham em mente que essa obra apresenta um enredo bem jovem e até mesmo corriqueiro, centrando-se basicamente nos problemas de ansiedade sofridos por Eliza.
 Esse é o típico livro regido pela protagonista, portanto se você não se identifica com nenhuma característica de Eliza, recomendo nem iniciar a leitura, caso contrário você poderá até mesmo entediar-se com a obra.
 "Eliza and Her Monsters" é a indicação perfeita para todos nós que ainda estamos aprendendo a lidar diariamente com os paralisantes monstros de nossa própria imaginação. Uma obra que definitivamente fará você sentir-se acolhido e compreendido por pelo menos algumas horas.

"There is a small monster in my brain that controls my doubt.
The doubt itself is a stupid thing, without sense or feeling, blind and straining at the end of a long chain. The monster, though, is smart. It’s always watching, and when I am completely sure of myself, it unchains the doubt and lets it run wild. Even when I know it’s coming, I can’t stop it."


Classificação: 4 de 5 estrelas.

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