Resenha: Flame In The Mist (Flame In The Mist #1) - Renée Ahdieh

5.5.17


 Ultimamente venho tentando ler livros de uma maneira quase materna; tratando todas as obras com muito carinho, compreensão e sempre que possível procurando encontrar um lado positivo em cada nova leitura. Porém, "Flame in The Mist" chegou para desestruturar todo esse meu momento "paz e amor".
 O novo livro de Renée Ahdieh conta a estória de Mariko. Filha de um poderoso Samurai e irmã mais nova de Kenshin, um destemido guerreiro conhecido por suas inúmeras habilidades. Como mulher, Mariko sabe que sua única função na vida é fortalecer o império de seu pai por meio do casamento com outras potências. Portanto, ao descobrir que seu pai prometeu sua mão à Raiden (filho de outro temido Imperador), Mariko parte imediatamente ao encontro de seu noivo.
 Entretanto, no meio de sua tranquila viagem, a carruagem de Mariko é atacada por um grupo de rebeldes, intitulados "The Black Clan". Toda a comitiva de nossa heroína é morta, com exceção de Mariko que milagrosamente escapa ilesa.
 Lutando para sobreviver, nossa protagonista resolve cortar as madeixas e vestir-se como homem, na intenção de infiltrar-se dentro do próprio clã que saqueou e assassinou todos de sua escolta. Só estando dentro desse grupo, Mariko poderia resolver o mistério sobre a identidade da pessoa que mandou matá-la.
 Eis que, contra todas as chances, os rapazes do clã ao descobrirem que Mariko estava espionando eles, resolvem poupar sua vida e transformá-la em um novo recruta. Ranmaru, líder do grupo, incube a Okami a tarefa de treinar e observar o comportamento de Mariko durante toda sua estadia.
 O que deveria ser apenas uma missão de vingança contra aqueles que lhe atacaram, acaba se transformando em algo muito mais perigoso, quando Mariko começa a desvendar os segredos sombrios que rodeiam esses garotos e todos que lhes cercam.
 A sinopse do livro, deixou-me a primeira vista, encantada. Pois, essa era uma obra que prometia ação, emoção e mistérios sem fim. No entanto, surpreendi-me ao descobrir que após os acontecimentos já citados na sinopse, nada de novo acontece nesse livro.
 Antes de começar com minha enorme lista sobre os pontos negativos, vale ressaltar algumas coisas que foram razoáveis nessa obra. A primeira delas foi o tom sombrio que permeou uns 80% da narrativa. A autora usou e abusou de sua habilidade em criar florestas obscuras e assombradas, cheias de seres e espíritos que ficavam a espreita de todos que lá adentravam. A floresta era tão importante para o enredo, que ela na realidade transformou-se em um personagem principal.
 E em segundo lugar, foi bem interessante observar o conceito feminista por trás da criação da personagem de Mariko. Ao produzir sua estória em um Japão feudal, a autora teve todos os elementos necessários para exemplificar o papel da mulher na sociedade da época e também criar uma protagonista a frente de seu tempo. 
 Em alguns momentos, no início do livro, é até possível identificar-se brevemente com Mariko e a maneira como ela encara seus medos. Porém, após ler 20% do livro, todos os pontos positivos são facilmente esquecidos.
 O que aconteceu nessa obra é que ela foi vendida para o leitor como um livro de fantasia/suspense/ação. E infelizmente, a meu ver (vamos deixar isso claro), a autora falhou em apresentar todos esse elementos.
 Primeiramente, fica explícito a falta de ambientação e construção do universo no qual os personagens estão inseridos. O leitor é obrigado a deduzir que o livro se passa no Japão feudal e ir criando mentalmente esse mundo fictício. Todos os momentos descritivos da obra, eram gastos descrevendo casas de chá ou palácios de Imperadores, ou seja: nada de importante.
 Em nenhum momento a autora resolveu explicar como funcionava o sistema de magia ou até mesmo qual forma de governo regia esses personagens. É tudo muito vago, inclusive as características e personalidades dos personagens. Tirando o relacionamento entre Mariko e Kenshin, parecia que mais ninguém tinha um passado ou uma estória de vida. E essa falta de informação fez com que eu ficasse desinteressada no livro, porque não consegui conectar-me com nenhum personagem.
  Mariko, tinha inicialmente traços interessantes, porém ao nos aprofundarmos na leitura, a garota ficou inconsistente e incoerente demais. O mesmo aconteceu com os meninos que faziam parte do clã.
 "The Black Clan" era tido como um grupo de guerreiros que matavam e assassinavam qualquer ser que respirasse mais forte porém, para minha surpresa, esses temidos garotos passavam dias e dias discutindo questões filosóficas sobre o significado do amor ou tomando chá com as maikos (mulheres que se assemelham fisicamente as gueixas).
 O que deveria ser o mistério, que era descobrir quem mandou matar Mariko, ficou completamente esquecido, visto que a moça ao entrar para esse clã simplesmente ignorou sua missão e também resolveu curtir a vida na floresta: eram incontáveis cenas dela construindo cabana; filosofando com os meninos; dando ideias mirabolantes para ajudar os garotos e assim sucessivamente.
 Senti que estava vivenciando alguma chamada do programa "Globo Repórter", sabe quando na propaganda o apresentador faz aquelas perguntas subjetivas para atrair o público, como por exemplo:"Quem somos? Para onde vamos? O que fazemos?" "Do que vivem essas criaturas?". Porque, infelizmente isso era tudo o que eu me perguntava enquanto lia essa obra.
 Faltando 10% para o desfecho eu simplesmente desisti, principalmente porque a autora criou um romance bem clichê entre Mariko e um outro rapazinho desse tal ~clã sombrio~. Resolvi ler só o que me interessava e finalizar de uma vez por todas esse tedioso livro.
 Inclusive, a autora tentou enfiar um monte de revelação bombástica no desfecho da obra (para justificar tudo o que aconteceu antes), só que a essa altura eu já estava tão cansada desse livro que nem se ela viesse pessoalmente aqui em casa me contar a conclusão da obra eu a ouviria.
 O grande pecado de Renée Ahdieh, foi que ao invés dela criar um mistério que deixasse o leitor interessado, a autora resolveu deixar o leitor literalmente no escuro durante a obra inteira, para só nos capítulos finais revelar toda a verdade por trás da trama. E eu sinto muito, mas esse recurso não funciona comigo (isso sem falar nas trocentas frases de biscoito da sorte que a autora joga na sua cara durante a leitura, sinceramente prefiro assistir "Kung Fu Panda").
 Antes de finalizar de vez essa resenha, fica aqui algumas informações adicionais: Esse livro faz parte de uma duologia e é uma releitura da animação Mulan. Como eu não tenho intenção de dar continuidade nessa série e também nunca assisti esse desenho da Disney, acabei esquecendo de adicionar esses fatos no decorrer do texto, antes tarde do que nunca.


Classificação: 2 de 5 estrelas.

*cópia digital do livro cedida pelo NetGalley em troca de uma resenha honesta.

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