Resenha: Herdeira do Fogo (Throne Of Glass #3) - Sarah J. Maas

13.4.17

*recado não pertinente a resenha: meu antigo instagram literário sofreu alguns problemas, portanto sigam o novo ig @beahreads para acompanhar as postagens do blog*

 Foi impossível ficar inume as diversas resenhas negativas que "Herdeira do Fogo" recebeu desde seu lançamento. Tanto no Goodreads, quanto no Skoob eram inúmeros os leitores insatisfeitos com o novo rumo que a estória seguiu nesse terceiro volume da série.
 E essa foi a principal razão pela qual demorei tanto tempo para ler esse livro (sim, sou facilmente influenciável). Já com as expectativas baixas, resolvi encarar "Herdeira do Fogo" e ao finalizar a leitura conclui que realmente eu e a internet temos opiniões extremamente distintas com relação aos livros da Sarah J. Maas (spoiler alert: eu amei esse livro).
 É desnecessário dizer que essa resenha terá spoilers, pois é difícil comentar sobre a continuação de uma saga sem se aprofundar em alguns tópicos. Porém, ao final desse texto, deixarei todos os links dos livros resenhados dessa série, para vocês conferirem meus textos e opiniões.
 Em "Herdeira de Fogo" o leitor encontra Celaena já em Wendlyn, toda desgostosa da vida após as inúmeras mortes que ocorreram em "Coroa da Meia-Noite" (lembrando sempre que essa viagem fazia parte do plano de Chaol, na intenção de ajudar a moça e afastá-la do Rei de Adarlan).
 Após ser enviada à esse novo reino com a missão de matar a família real, Celaena encontra-se sem rumo na vida até que um dia, aparece um guerreiro forte e musculoso com a tarefa de levar a garota para encontrar-se com Maeve, também conhecida como "Rainha das Fadas" e tia de Celaena (momento revelação).
 Lá chegando, nossa protagonista descobre que para obter as respostas às suas perguntas, ela terá que passar por um treinamento intensivo com Rowan (o fortão que a levou até Maeve). Então, só após ganhar a aprovação do rapaz, ela poderá encontrar-se novamente com Maeve (como diz Coldplay: nobody said it was easy).
 E assim resume-se a estória de Celaena nesse livro. Paralelamente ao seu enredo, é inserido na narrativa capítulos a respeito de todos os personagens que permaneceram no Castelo de Vidro. Portanto, o leitor também explora outros acontecimentos, como Dorian tentando controlar sua magia; Chaol fazendo o que ele faz de melhor: bagunça e confusão e assim sucessivamente.
 Não bastasse termos essas três perspectivas distintas, a autora também inseriu novos personagens, com estórias separadas do trio original. Logo temos: Aedion que é outro parente perdido de Celaena; Sorscha que é a curandeira que namorou Dorian e por último Manon que é a bruxa do mal.
 Basicamente nenhum acontecimento grandioso aconteceu nessa obra e fica bem claro que a intenção da autora era introduzir esses novos personagens na trama, além de trabalhar o crescimento pessoal de cada protagonista.
 Talvez essa seja a razão pela qual todos os leitores dizem que esse livro é entediante e arrastado. Agora, podem me chamar de a ~diferentona~ porque, em nenhum momento o ritmo da narrativa me incomodou. Inclusive, adorei o fato da Sarah J. Maas dedicar um tempo para explorar pela primeira vez o passado de Celaena (finalmente \o/).
 Desde o primeiro livro essa falta de caracterização da personagem era o que mais me incomodava, pois parecia que a protagonista havia se materializado como que em um passe de mágica no Castelo de Vidro e só a partir desse momento ela passou a existir como pessoa. Essa inexistência de detalhamento foi a causa da minha maior frustração ao ler "A Lâmina da Assassina", pois nem lá a autora explicou a trágica infância da garota.
 Então em "Herdeira de Fogo" senti que todas as peças desse enorme quebra-cabeça finalmente se encaixaram e até mesmo o livro de contos (o qual havia achado bem inútil) provou-se agregador para a série.
 Portanto, a transformação de Celaena em Aelin (a rainha destemida que irá mudar o mundo) ficou bem crível para o leitor. Sendo que o mesmo ocorreu com Dorian, já que pela primeira vez o rapaz mostrou sinais do poderoso rei que existe dentro dele (Dorian = meu queridinho).
 Outro elemento que me fez favoritar esse livro foi o tom obscuro e sombrio da narrativa, principalmente nos capítulos de Celaena e Rowan. O ambiente da floresta, junto com os seres espectrais que eles encontravam, fizeram meu coração bater mais forte. As cenas nas quais os príncipes Valgs apareciam e traziam com eles a escuridão, foram extremamente interessantes (ainda que essas criaturas tenham me lembrando os famosos dementadores de Harry Potter).
 Tirando os elementos constituintes da narrativa, é hora de discutir o que realmente importa nessa resenha: os personagens novos (já que em menos de 50 páginas a Sarah J. Maas já tinha apresentado ao leitor umas 10 pessoas novas).
 Estava bem ansiosa para conhecer o famoso Rowan, já que ele parecia ser um personagem bem controverso no universo literário. Não vou negar, nunca gostei do Chaol e da Celaena juntos pois, nosso guarda real parecia ter mais medo do que amor pela protagonista. Assim sendo, estava esperançosa com Rowan e logo na primeira aparição do rapaz eu o amei (rolou logo um instalove entre nós e eu já fui no Pinterest procurar fanart do rapaz).
 Depois de ter lido todos os livro da Sarah J. Maas, Rowan foi o primeiro mocinho dela que representa tudo aquilo que eu gosto em um protagonista masculino: ele é forte; bruto; guerreiro milenar; tem aquele cabelo platinado e o mais legal de tudo é que ele não pertence a classe dos mocinhos "politicamente corretos", o que significa que o rapaz apresenta defeitos e comete erros como qualquer ser humano normal (basicamente ele representa tudo o que eu esperava do Rhys em "ACOMAF").
 Senti que o relacionamento entre ele e Celaena era real e baseado na igualdade, ambos não se subestimavam e o fato da autora ter criado uma amizade entre eles tornou tudo mais verídico. A melhor cena entre eles foi quando Celaena quase pegou fogo internamente e Rowan descobriu que ela havia sido escrava; fiquei realmente emocionada nesse capítulo. Desde então eu passei a querer ler desesperadamente cada interação desse casal.
 Conclui-se então que Rowan foi o melhor personagem novo desse livro, pois Manon "a bruxa malvada do oeste" foi uma decepção. Nesse livro, Sarah J. Maas resolveu introduzir os três clãs de feiticeiras do reino, sendo Manon a principal entre elas.
 O capítulo de introdução à essa bruxa estava bem interessante, logo de início ela estava toda malvada cortando as gargantas de uma rapaziada e agindo com um pessoa sem alma. Depois a autora trabalhou na caracterização de todas as garotas praticantes de bruxaria, de modo a inteirar o leitor sobre esse novo grupo e seus costumes.
 Então, após alguns capítulo descritivos, elas são convocadas pelo rei de Adarlan para treinarem umas serpentes/dragões voadores e participarem de um torneio entre elas, e é basicamente isso o que as bruxas ficam fazendo o livro inteiro (sério).
 Chegou um momento que eu me senti lendo a versão adulta do livro "Como Treinar o Seu Dragão" de Cressida Cowell, porque a vida delas girava só em torno disso. O pior de tudo foi que no final do livro, toda essa competição não serviu para absolutamente nada (é o famoso: não ia ser trouxa, fui trouxa). Manon pode até ser legalzinha, porém nesse livro eu quis morrer de tédio toda vez que ela aparecia (que em "Rainha das Sombras" ela faça outra coisa além de enfeitar aquele dragão).
 Aedion foi outro que até agora não mostrou à que veio. Durante todo o livro ele só serviu pra descobrir que Celaena ainda estava viva e se sacrificar no final (o que foi em vão) para salvar Sorscha/Chaol/Dorian. Espero mais dele nos próximos volumes, já que não foi dessa vez.
 Sorscha tinha tudo para ser minha queridinha, estava adorando aquele romance de época entre ela e o Dorian, porém a moça logo perdeu a cabeça (literalmente, já que ela foi decapitada) e minha alegria foi por água abaixo.
 Então os pontos baixos desse livro foram: Manon, Aedion e o próprio rei de Adarlan, cujo nome foi utilizado em todas as guerras, porém ele mesmo só fez uma participação especial nas 30 páginas finais.
 E essa foi a maior falha do livro, pois se o rei é o grande vilão que precisa ser combatido e todos os personagens do livro estão lutando guerras com o propósito de destruí-lo, creio que é necessário pelo menos mostrar o temido homem fazendo alguma maldade ou elaborando um plano maligno de destruição no decorrer da narrativa. Não adianta inserir trocentos personagens e esquecer da existência do vilão, isso tira a coerência da obra.
 Sendo assim classifiquei o livro com 4 de 5 estrelas e como meu lado sentimental falou mais alto, o livro entrou para a lista de favoritos. Definitivamente um dos melhores da série em termos de evolução dos personagens principais e ambientação, não tivesse falhado um pouco no próprio desenvolvimento da narrativa ele teria recebido todas as estrelas do mundo. E que venha agora o temido "Rainha das Sombras".


Classificação: 4 de 5 estrelas + <3

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1 comentários

  1. Olá! Assim como voce, sou fã de Trono de Vidro (só falta o Empire pra eu fechar a saga).
    Gostei muito da sua resenha e só não me importei com os spoilers porque foram como um "remember" pra mim.
    Eu gostei bastante do Heir, mas o Crown ainda é meu preferido. Tinha certeza que você (assim como 99% das fãgirls) ia amar o Rowan. Eu particularmente não gosto dele, acho que ele chato. Sei que ele foi super importante pra transformação Celaena -> Aelin, mas acho que se não tivesse rolado um romance entre eles, teria ficado melhor.
    A cena que me tocou (ate escorreu uma lagrima) foi quando os principes Valg trouxeram a tona os medos da Aelin...
    Bem, te digo que, no Queen aparece mais personagens, esses que foram introduzidos no Heir vão melhorar mas as cenas que dariam uma "emoção" maior lá não foram tão boas assim...
    Parabens pela resenha <3

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