Resenha: Estamos Bem (We Are Okay) - Nina LaCour

1.4.17


"When I think of all of us then, I see how we were in danger. Not because of the drinking or the sex or the hour of the night. But because we were so innocent and we didn't even know it. There's no way of getting it back. The confidence. The easy laughter. The sensation of having left home only for a little while. Of having a home to return to. We were innocent enough to think that our lives were what we thought they were (...)"

 Então, deixei-me levar pelo hype envolvendo a obra de Nina LaCour e me dei mal (quem nunca?). Como sempre, antes das críticas, vamos ao pequenino resumo do livro.
 Em "We Are Okay" temos a estória de Marin, uma jovem de aproximadamente dezoito anos que após a morte de seu avô some de sua cidade natal sem deixar rastros. Agora, após uns quatro meses de seu repentino desaparecimento, a garota deve enfrentar a realidade de sua antiga vida, ao receber a inesperada visita de sua amiga Mabel.
 Morando basicamente em um prédio dentro do campus de sua faculdade em Nova York, Marin encontra-se em uma situação delicada ao ver todos os alunos abandonarem seus dormitórios para passarem as festas de fim de ano com seus familiares. Não bastasse o constante medo de enfrentar Mabel, a moça também começa a questionar todos os acontecimentos de sua vida ao encontrar-se completamente sozinha em plena véspera de natal.
 Com uma sinopse extremamente simples, a obra de Nina LaCour tem como objetivo levar o leitor em uma verdadeira viagem psicológica dentro da mente de Marin, porém é justamente nesse quesito que o livro falha em sua execução.
 Não vou negar que desde o primeiro momento que visualizei esse livro no Goodreads eu fiquei encantada com sua capa e sinopse, pois de tempos em tempos tenho vontade de ler essas obras onde vários nadas acontecem e os autores focam apenas nas questões de superações psicológicas dos personagens.
 Assim sendo, já sabia que o enredo seria pouco desenvolvido e sem grandes acontecimentos, porém a lentidão desse livro foi extremamente cansativa, a ponto de fazer a leitura de 200 páginas durarem semanas. Cronologicamente, o enredo é desenvolvido em um período de três dias uteis, nos quais Marin e Mabel se encontram e conversam. Já mentalmente, a autora faz alguns flashbacks nos quais a protagonista lembra tudo o que aconteceu naquele fatídico verão no qual seu avô faleceu.
 Então, temos uma narrativa intercalada entre o presente versus o passado, para que o leitor entenda todas as reflexões de Marin e seu relacionamento com todos aqueles que lhe cercavam. Porém, mesmo com esse recuro, senti que os personagens secundários ficaram avulsos e mal caracterizados no livro, principalmente Mabel.
 A amiga da protagonista, representava também o interesse amoroso dessa obra, porém o romance entre as garotas ficou seriamente mal desenvolvido. Senti que a autora não quis enfatizar a questão da sexualidade das meninas, de modo a deixar o romance fluir naturalmente sem problematizar a questão. Entretanto, a abordagem sutil teria funcionado perfeitamente se Nina LaCour não tivesse confundido as definições entre criar algo natural versus elaborar realmente o relacionamento. 
 Em nenhum momento consegui sentir alguma coisa por Mabel ou até mesmo diferenciar a moça de Marin, era como se ela fosse uma extensão da protagonista e não tivesse personalidade própria, o que me fez até mesmo confundir as duas no decorrer da leitura. Sendo algo realmente frustante.
 O único personagem que a autora teve o trabalho de desenvolver foi o avô de Marin, pois através das memórias da garota era possível realmente criar a imagem do senhor que ele era e sua personalidade, além de observar toda a rotina e relação que ele e Marin apresentavam.
 O que nos leva a questão psicológica do livro, já que todos os fatos aqui apresentados ao leitor, são expostos pelo pensamento de Marin. Não vou negar que a escrita da autora apesar de simples é extremamente tocante. Ela não faz uso de muitas metáforas ou figuras de linguagem para descrever os sentimentos da protagonista, o que faz o leitor ter um contato imediato com os pensamentos da garota.
 Todavia, o excesso de parágrafos sobre a perda, a dor e o luto complementados com a falta de um enredo mais desenvolvido, transformaram essa obra em um verdadeiro livro de quotes ao invés de emocionar o leitor. E o sentimento de que você abriu uma página do Tumblr sobre frases de solidão, só intensifica quando no desfecho da narrativa quase nenhum conflito de Marin é resolvido, já que a autora finaliza a obra no exato momento que a protagonista começa a aceitar tudo aquilo que lhe aconteceu. 
 Faltou páginas para me convencer de que tudo ficaria realmente bem na vida de Marin, então a melhor parte dos livros psicológicos que é ler e testemunhar o processo de cura da protagonista, foi perdido aqui, arruinando assim a essência da obra para mim.
 O livro só fez sentido, quando no final da leitura deparei-me com uma carta da autora dizendo que ela recentemente perdeu seu avó. Foi nesse momento então que todo o enredo encaixou-se, pois o leitor finalmente consegue ver e interpretar o livro pelo que ele realmente é: um desabafo da autora.
 Como não sou uma pessoa insensível, após ler os agradecimentos de Nina LaCour, acabei classificando essa obra com 3 de 5 estrelas (visto que ela teve uma grande importância para a própria autora e eu também achei uns quotes legais). 
 Porém, "We Are Okay" não é um livro que indico para você que está procurando obras que abordem tópicos relacionados a perda; depressão; solidão ou até mesmo luto. Apesar de serem clichês, as obras de Gayle Forman, sempre me confortam nos momentos difíceis da vida, sendo seu livro mais recente "I Was Here" um dos meu favoritos. Até mesmo "Once And For All" da Sarah Dessen, entregou tudo aquilo que espero de livros desse gênero. 
 Então, fica aqui registrada minha opinião e sugestões. E lembrem-se sempre: na dúvida baixem a amostra do ebook na Amazon antes de comprarem o livro físico e depois se arrependerem, como foi o meu caso (porque eu nunca aprendo a minha própria lição).


Classificação: 3 de 5 estrelas.  

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