Resenha: Codinome Lady V (Os Sedutores de Havisham #1) - Lorraine Heath

1.3.17


 O universo inteiro tem aquele autor favorito que te traz boas recordações de tempos que não voltam mais e no meu caso, Lorraine Heath é essa pessoa (virtualmente abraçando por uns cinco minutos essa mulher maravilhosa).
 Perdi a conta de quantos romances de época li dessa autora na minha fase de adolescente (when I was young and beautiful, como dizia Lana Del Rey). Então quando a Editora Gutenberg resolveu lançar a série "Os Sedutores de Havisham" eu primeiro infartei e depois fui igual louca comprar o livro na pré-venda. E após finalizar a leitura é com orgulho que digo que essa obra valeu cada centavo.
 "Codinome Lady V" conta a estória de Minerva. Outra garota solteirona que por conta de seu dote milionário não conseguia arrumar um pretendente interessado em casar-se com ela por amor, já que todos os homens que aproximavam-se da moça estavam de olho em sua fortuna.
 Mas, eis que um dia (depois de passar seis temporadas nos salões londrinos, sem conseguir arrumar um marido) a garota resolve ter uma aventura sexual com um rapaz desconhecido em um clube devasso que permite as mulheres deitarem-se com seus amantes sem serem descobertas (olha só essa evolução #partiuparty)
 Chegando ao Clube Nightingale (onde todas as moças eram obrigadas a usarem máscaras para manterem o anonimato), Minerva logo se depara com o Duque de Ashebury, também conhecido como o maior libertino; devasso; libidinoso e depravado homem da aristocracia (além de ser moreno alto, bonito e sensual).
 E na primeira troca de olhares, a atração é inevitável. Ashebury e Minerva rapidamente providenciam um quarto para terem sua primeira noite de amor e paixão, só que a expectativa acabou falando mais alto do que a realidade e no momento crucial do encontro, as coisas não saíram como esperado.
 Porém, os problemas de Minerva estavam apenas começando, uma vez que Ashe (sintam minha intimidade) começou a se aproximar da garota fora do clube Nightingale. Acontece que nosso esperto mocinho, logo desconfiou que Lady V (codinome que a moça utilizou no clube quando o encontrou) e a Srta. Minerva Dodger (verdadeiro nome da garota) eram a mesma pessoa (momento revelação bombástica). 
 Apesar do tom brincalhão dessa resenha, eu confesso que adorei esse livro com todo meu coração.  E fica aqui registrado que essa obra sintetiza tudo aquilo que eu espero de um romance de época. Mesmo com um enredo limitado na questão da sedução de Minerva (porque o livro só gira em torno desse problema) a autora consegue fazer personagens tão envolventes que o leitor embarca no livro naturalmente.
 Ashe é tudo aquilo que eu pedi à Deus (sério, cadê esse ser humano na vida real?). Ele é o libertino que realmente faz coisas indecentes com outras mulheres (para ter experiência no currículo), porém isso não diminui seu carácter de homem que sofreu e tem traumas do passando assombrando seus sonhos. E devido a esses momentos difíceis que ocorreram em sua infância, o rapaz desenvolveu o hobby de tirar fotografias (não bastasse ser lindo, ele também tem alma de artista! Quero amá-lo eternamente).
 Minerva é a típica protagonista com problemas de autoestima, porém não senti que isso afetou o julgamento dela com relação as coisas ou pessoas. O fato dela querer ter sua experiência e estar desiludida com os homens, não transformou a moça em uma completa desmiolada (como ocorre com algumas protagonistas por aí). A garota era determinada, sabia o que queria e no final da obra fez o experiente Ashebury ficar igual louco querendo sua atenção (uma salva de palmas à moça).
 Sem falar que a heroína também foi responsável pelas partes mais cômicas da obra, ao escrever um livro/guia instrutivo paras as moças debutantes reconhecerem os caçadores de fortuna (até Ashe acabou lendo a obra para pegar algumas dicas). Os diálogos de Minerva com os pretendentes que queriam apenas seu dinheiro, eram engraçados e serviam para mostrar toda a inteligência da protagonista.

"- Você vai me dar amor?
Ele rangeu os dentes antes de responder.
- É possível que, com o tempo, meu afeto pela senhorita cresça.
Ela lhe deu um sorriso tolerante.
- Eu creio que o senhor vai achar muito difícil conviver comigo.
- Eu tenho duas propriedades - Ele redarguiu. - Depois que eu tiver meu herdeiro, não vejo motivo que nos obrigue a morar na mesma residência (...)
- Pode me visitar, meu lorde, mas saiba que de modo algum vou me casar com o senhor.
- Não vai receber uma proposta melhor.
- Isso pode mesmo ser verdade, mas duvido muito que eu receba uma proposta pior."

 Na minha opinião o grande diferencial dessa obra é a peculiaridade de escrever romances que só a Lorraine Heath tem. A autora transforma um livro, cuja sinopse promete apenas cenas de sexo sem sentido, em uma estória extremamente romântica de ler (aliás, não sejam induzidos pelo resumo da contracapa, metade do que lá está escrito não acontece).
 Durante a narrativa é possível observar todo o desenvolvimento do amor entre Minerva e Ashe; o leitor sente-se seduzido e envolvido pela estória do casal, querendo ler incessantemente a obra para descobrir o que eles iriam fazer ou como resolveriam seus problemas. 
 Sem falar que no final dessa leitura eu não sabia quem estava mais apaixonada por Ashebury: eu ou Minerva. As cenas nas quais ele queria fotografar a moça, me deram o maior déjà vu de Titanic, onde Rose fica deitada no sofá para Jack pintá-la (Leonardo DiCaprio jovem = perfeição).
 Em suma, o livro apresenta um enredo simples e conhecido por todas nós leitoras de romances de época, porém Lorraine Heath consegue transformar com maestria uma estória totalmente clichê em algo inesquecível. Fica até difícil voltar para a realidade após finalizar a leitura de seus livros.
 Agora é controlar a ansiedade e aguardar o lançamento do restante da série, pois a estória de Edward e sua mocinha peculiar promete superar todas as expectativas.


Classificação: 5 de 5 estrelas.

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