Resenha: Corte de Névoa e Fúria (A Court Of Thorns and Roses #2) - Sarah J. Maas

19.1.17


 Sabe quando você gosta muito de um livro, porém lê ele na hora errada e estraga toda essa maravilhosa experiência de entregar-se à leitura de corpo e alma? Pois é, essa fatalidade aconteceu comigo e meu querido "ACOMAF" (ACOMAF = abreviação: "A Court Of Mist and Fury").
 Há meses, estava antecipando a leitura do segundo volume dessa série. E após ouvir inúmeros comentários e elogios à obra, minhas expectativas alcançaram níveis estratosféricos de tão altas (não teve um ser humano que não favoritou esse livro em 2016). Sendo "Corte de Espinhos e Rosas" uma das minhas leituras favoritas, acreditei piamente que não iria me decepcionar com absolutamente nada no decorrer desse livro. Só que infelizmente, desencantei-me com algumas coisas.
 Então (momento avisos), minha intenção nessa resenha não é ferir os sentimentos dos milhares de fãs que apaixonaram-se pela obra e sim expor minha opinião sobre o livro. Caso você não queira ler alguém criticando essa estória ou acha que essa obra é perfeita e sem defeitos, recomendo não seguir em frente com a leitura da  resenha (poupe-se da minha negatividade e críticas de revoltada). Esse texto também terá spoilers. Se você não leu "Corte de Espinhos e Rosas" e "Corte de  Névoa e Fúria" saia imediatamente dessa página e vá ler o primeiro livro dessa série (porque, apesar das minhas ressalvas eles são ótimos). E por último, como li o livro em inglês, farei certas traduções livres no decorrer do texto, pois não sei como ficou a tradução nacional de algumas palavras (ufa, agora acabou os recados).
 "Corte de Névoa e Fúria", começa exatamente com Feyre na "Corte da Primavera" tentando adaptar-se a sua nova condição (ela era humana; Amarantha a matou; depois a ressuscitaram e ela foi transformada em fada, tudo isso em um dia bastante agitado). Após esse ocorrido, Tamlin (o mocinho insosso), tornou-se superprotetor e não deixava a coitada da moça colocar nem o nariz para fora de casa (literalmente).
 Depois de ter sacrificado seu corpo e alma para libertar Tamlin e todos os seres que viviam sob o domínio de Amarantha, Feyre torna-se a nova salvadora da pátria para os moradores de Prythian, além de marcar casamento com Tamlin.
 Porém, nossa noiva, ficou descontente com a situação que estava vivendo (leia-se: presa dentro da mansão, sem poder fazer porcaria nenhuma) e o negócio só piorou quando Ianthe (uma sacerdotisa intrometida) apareceu para ajudá-la nos preparativos de seu matrimônio. Eis que finalmente na noite de seu casamento, a moça surta e Rhys (o moreno misterioso, que fez um acordo com Feyre lá no primeiro livro), aparece para cobrar o preço de sua barganha com a heroína da narrativa.
 Então, fica claro para o leitor quem realmente seria o mocinho de Feyre em "ACOMAF". Uma vez que Tamlin (após uma discussão) tranca a moça dentro da sua casa e Rhys decide intervir e levar a garota de uma vez por todas à "Corte da Noite", na intenção de livrá-la de seu sofrimento.
 Chegando a essa nova Corte, Feyre descobre que há um poderoso Rei querendo destruir o reino dos humanos (e das fadas também) para dominar e reinar sob todo o território de Prythian. Sendo Feyre, um dos seres mais poderosos criados nesse universo, a moça também descobre que só ela tem o necessário para impedir essa guerra (porque ela é: "the chosen one").
 Além disso, nossa heroína, passa a conhecer vários novos personagens, como Mor; Amren, Azriel e Cassian (que fazem parte do círculo de soldados/amigos de Rhys). E também visita/explora várias outras Cortes, proporcionando ao leitor um vislumbre da vastidão desse universo criado por Sarah. J Maas.
 Então, pela breve sinopse desse livro nota-se que emoção é o que não falta no decorrer dessa narrativa: o leitor conhece novos lugares; personagens; vilões; romances e aprende bastante sobre a cultura das fadas e como cada coisa funciona.
 E esses foram os grandes pontos positivos sobre esse livro. Sarah J. Maas ampliou loucamente o universo fantástico desses personagens e evoluiu daquela simples releitura de "A Bela e a Fera" na qual o primeiro livro era baseado.
 Além disso tivemos todo o amadurecimento e evolução de Feyre como personagem/pessoa. Nossa protagonista literalmente cresceu no decorrer da narrativa e perdeu aquela imagem de "donzela a espera do príncipe encantado" que ela tinha no início desses livros. A autora apresenta todo aquele ideal feminista por trás do discurso de Feyre e ainda dá ao leitor uma verdadeira lição sobre esse assunto ao exemplifica-lo nas ações e falas da protagonista (uma salva da palmas à SJM).
 Como o segundo livro de uma trilogia (porque, aparentemente os outros livros dessa série não serão sobre a Feyre *sad face*), Maas conseguiu "amarrar" certinho os acontecimentos e escrever um preparatório para a guerra épica que ocorrerá no último volume dessa saga, deixando os leitores curiosos para descobrirem o que acontecerá com esses personagens que após o encontro com o Rei Hybern terminaram "ACOMAF" basicamente estropiados.
 Portanto, "Corte de Névoa e Fúria" tem todos os elementos essenciais de um bom livro de fantasia. No entanto algumas coisas me incomodaram, como por exemplo o tamanho desse livro e a falta de um conflito maior no desfecho da narrativa.
 Durante toda a narrativa, o leitor deparava-se com situações complicadas de serem resolvidas: como por exemplo: encontrar o livro na Corte do Verão; conversar com as Rainhas Mortais; Rhys e Feyre sendo caçados por todos; o renascimento de Jurian; a busca pelo anel perdido da mãe do Rhys; o ataque no reino onde viviam e várias outras coisas.
 Porém, no final quando eles finalmente encontram Hybern e descobrem que Tamlin aliou-se ao rei para conseguir Feyre de volta e todos ficam presos nessa emboscada, eu  não consegui sentir que esse acontecimento foi maior ou mais importante do que os inúmeros outros que ocorreram durante a narrativa. Não fiquei boquiaberta com o desfecho, pois para mim isso foi só mais um pequeno contratempo ocorrido antes da guerra final. Nada do que ocorreu ali, chocou-me ou me surpreendeu, pois estava esperando algo de proporções gigantescas e talvez isso só irá ocorrer no desfecho da trilogia.
 Também não consegui ver um lado negativo no fato do rei ter transformado as irmãs de Feyre em seres imortais, pois nada mais lógico elas agora lutarem ao lado da irmã e ficarem com seus homens, já que Elain é a "alma gêmea" de Lucien e Nessa, com certeza, será a mulher de Cassian (aliás, no final do livro parecia que os personagens tinham entrado no  aplicativo Tinder, porque todo mundo começou a achar seu match perfeito né?)
 Esse negócio da "ligação" entre machos e fêmeas, foi algo que também não me chocou muito, pois J.R. Ward já fazia isso na série "A Irmandade da Adaga Negra" há vários anos antes. Inclusive, a cena toda onde Feyre oferece comida à Rhys na intenção de aceitar o laço que os unia, foi idêntica a do livro "Amante Eterno" da J.R Ward (super recomendo essa série à você que é maior de idade e gosta de romance sobrenatural).
  E já no tópico do romance, vamos falar da falta de contato físico entre Rhys e Feyre durante mais de 400 páginas de leitura. De novo, todas as resenhas falavam que esse livro era erótico, tinha conteúdo sexual explícito e o relacionamento amoroso era super, hiper, mega quente. 
 Porém, a minha visão sobre essa questão foi a seguinte: 80% da leitura nada acontece, nas 200 páginas finais a autora enfia 3 cenas de sexo (propriamente descritas e explícitas) e morre aí a questão do erótico.
 Não estou aqui reclamando da falta de conteúdo sexual e sim alertando que o romance nesse livro é bem pequeno e na minha opinião, não convence muito o leitor, pois há sempre a presença de Tamlin na narrativa e por mais que Feyre seja a "High Lady" da Corte da Noite, não consegui sentir firmeza de que nada irá acontecer entre ela e Tamlin no 3º livro dessa série.
 Quando iniciei a leitura, estava esperando que o relacionamento entre Feyre e Rhys fosse algo tirado de um livro de romance de época. Quando o mocinho vai lá e rouba um beijo da mocinha; depois eles se beijam de novo; flertam/beijam mais um pouco e finalmente chegam a consumar seu amor.
 Não teve nenhum beijo entre Rhys e Feyre antes deles terem relações físicas; o máximo que eles faziam eram flertar através de seus recados mágicos e eu questionei seriamente a dificuldade da Sarah J. Maas em adequar o público alvo dessa trilogia. Porque, não dá para você ter um livro, completamente sem contato físico por mais de 400 páginas e no final a autora colocar cenas de sexo retiradas de romance adulto. Ou ela escreve algo voltado para o público jovem ou para o público adulto (SJM, tá precisando rever alguns conceitos aí).
 Sem falar a manipulação nítida da autora em fazer o leitor gostar de Rhys ao excluir Tamlin completamente da narrativa e pintar o rapaz como o monstro que assusta criancinhas enquanto o outro era o verdadeiro príncipe sofredor que nunca quis matar nem um mosquito da dengue, para  não fazer mal a humanidade.
 Gosto do Rhys (porque, também nunca gostei do Tamlin) e fiquei até com dó do rapaz, pois achei que ele amava a Feyre mais do que ela amava ele. No entanto, acho sem graça ler sobre um personagem extremamente perfeito que não erra e leva o mundo em suas costas (cadê Rhys, bad boy do primeiro livro? #saudades) Feyre também me irritou em alguns momentos da narrativa, porque esse negócio de "ser a escolhida" não é mais nenhuma inovação.
 Apesar de tudo isso, o livro merece 4 estrelas, pois é bem escrito, cumpre seu papel de sequência da trilogia e ainda conseguiu expandir esse universo fantástico criado pela SJM. Algumas coisas no romance me irritaram, porém isso é uma visão bem pessoal e acredito que poucas pessoas se identificarão com meus problemas.
 Estou curiosa para ler a sequência e o desfecho dessa trilogia, porém espero do fundo do meu coração que a autora realmente não enfie um triângulo amoroso bem no último livro dessa saga. Pois se a Feyre tiver algum tipo de romance com Tamlin em "A Court of Wings and Ruin", nem o Rei Hybern será pário para minha fúria.


Classificação: 4 de 5 estrelas.

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1 comentários

  1. Adorei sua resenha, apesar den concondar totalmente com seus pontos de vista kkkkk.
    Mas vc tem razão na questao das cenas de sexo, nada acontece entre Rhys e Feyre nas 400 pg e depois tres cenas de sexo explicito seguidas, achei meio exagerado mas gosei muito do livro, to muito anciosa para ler a continuação

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