quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Resenha: Coroa da Meia-Noite (Throne Of Glass #2) - Sarah J. Mass

*Resenha contém spoilers de "Trono de Vidro"*

 Já é possível afirmar com total certeza e convicção que eu estou obcecada com os livros da Sarah J. Maas (pois é, não dá mais para negar as aparências ou disfarçar as evidências). Então depois de ter lido "Trono de Vidro", resolvi agarrar "Coroa da Meia-Noite" com as duas mãos no exato momento que ele chegou em casa.
 No segundo volume dessa série, acompanhamos a vida de Celaena após a garota ter se tornado a Campeã do Rei. O leitor finalmente consegue ver o lado guerreira assassina da moça ao mesmo tempo que outras características vão surgindo, como por exemplo sua personalidade sedutora com Chaol e seu caráter amigável com Nehemia.
 Porém como a vida não se resume a matar alguns traidores e namorar guardinhas bonitinhos do castelo no tempo livre; Celaena vê-se envolvida em uma complicada trama de conspiração contra o Rei de Adarlan, além de descobrir forças sobrenaturais que ultrapassam seus poderes de compreensão.
 Divida entre sua obrigação como assassina do Rei e o seu senso de justiça e bondade, nossa mocinha irá passar por diversas situações inevitáveis até conseguir encontrar uma solução para seus problemas.
 Extremamente melhor que seu antecessor, "Coroa da Meia-Noite" é um livro fantástico. Sarah J. Maas conseguiu amadurecer e evoluir na criação desse universo, além de produzir uma mitologia e trama política impecáveis. O enredo cheio de emoção e reviravolta, faz o leitor ficar fixado do início ao fim em sua leitura, transformando esse livro em um verdadeiro exemplo de como uma boa obra de fantasia deveria ser.
 Infelizmente todas as informações que eu quero comentar nessa resenha contém spoilers, portanto se você não leu esse livro, saia imediatamente desse texto (e por favor vá ler essa série) para nós podermos surtar juntos.
 Palavras não podem descrever o quanto eu gostei desse livro, nem a dificuldade que estou tendo em escrever essa resenha de maneira coesa e coerente, porém prometo tentar colocar meus sentimentos da forma mais organizada possível (o que significa que vez ou outra eu vou endoidar em algum parágrafo, então relevem a empolgação).
 Logo no primeiro capítulo do livro, era óbvio que a autora iria evoluir demasiadamente nessa obra. A cena inicial de Celaena atacando um dos supostos traidores da coroa foi a introdução perfeita para marcar o ritmo do livro e finalmente fazer o leitor ver o lado assassino da protagonista (visto que em "Trono de Vidro" ela não fez jus a fama).
 Apesar de descobrirmos que Celaena não está realmente matando os alvos que o Rei lhe ordena, a autora usa e abusa das cenas em que a moça entra carregando cabeças decepadas para mostrar ao Rei a morte de seus supostos inimigos e julguem-me o quanto vocês quiserem, mas eu adorei essas entradas triunfais da garota, mesmo elas sendo clichês.
 No começo do livro nenhum acontecimento marcante havia ocorrido, portanto é nesse período que Celaena e Chaol aproveitam a inatividade das coisas para desenvolverem todo o seu relacionamento amoroso. E em um momento de opinião impopular, quero dizer que eu realmente não simpatizo com nosso guardinha real.
 Achei o romance entre eles fraco e a meu ver, Celaena só ficou com o rapaz porque precisava se apegar em alguém na tentativa de achar um sentido para ficar dentro daquele castelo cumprindo ordens de um Rei que ela odiava. Não senti amor ou paixão da parte de nenhum dos dois, mesmo a autora tendo descrito ardentemente o relacionamento  entre ambos. E também achei que Chaol era mais leal ao Rei e o reino de Adarlan do que ele deveria ter sido com Celaena.
 Portanto, Chaol não conseguiu me conquistar como personagem, já que nunca fui capaz de confiar nele. E minha intuição estava certa desde o começo, pois quando o Rei diz ao garoto que havia uma ameaça contra a vida de Nehemia e ele decide não contar nada para Celaena eu fiquei muito irritada já prevendo a confusão que isso resultaria.
 Talvez eu esteja acostumada demais com livros onde todos os protagonistas se ajudam e compartilham segredos (como em "Vampire Academy" ou "The Mortal Instruments"), porque  eu simplesmente não consegui aceitar essa ocultação de informação da parte do Chaol. Nehemia era a melhor amiga da namorada dele e mesmo assim o rapaz não teve a decência de dar um "fica a dica" para as garotas se protegerem e nada de ruim acontecer à elas (Adrian Ivashkov precisava entrar nesse livro para ensinar esse moço como se comportar adequadamente).
 Quando Nehemia infelizmente morre e Celaena começa espancar Chaol na intenção de matar o garoto, confesso que parte de mim estava torcendo um pouquinho para que ela conseguisse realizar tal proeza. No momento em que a garota iria realmente enfiar a faca no peito de Chaol para assassina-lo e Dorian usa seus poderes para impedi-la, não pude evitar ficar um pouco decepcionada (*risada maligna de fundo*).
 O que nos leva a parte boa desse livro, que é: Dorian Havilliard. Esse príncipe que não fez nada de útil no primeiro livro, ganhou todo meu amor e empatia no segundo. O rapaz foi extremamente bonzinho com Celaena e estava sempre de prontidão para ajudá-la. Além de ter desenvolvido essa personalidade maravilhosa ele também descobriu que tem poderes mágicos (\o/).
 Dorian, seu lindo, não fique triste com a rejeição de Celaena. Eu estou pronta para te dar todo o amor do mundo e casar com você. Vamos passar esses poderes mágicos para nossos filhos e sermos felizes pela eternidade (inevitável momento fangirl).
 Tirando os rapazes e os romances, vários outros personagens novos apareceram nesse livro, como Archer. O rapaz recém-chegado era um famoso cortesão entre a nobreza do reino e também um possível conspirador contra a coroa. Celaena deveria matá-lo, porém a moça resolveu trabalhar com ele para descobrir quem realmente era o líder dessa rebelião contra o Rei.
 Nesse momento foi possível perceber o quanto Celaena era ingênua, dado que ela contou vários segredos para a Nehemia; Chaol; Dorian e até mesmo Archer. Nota-se o quanto ela simplesmente acreditava na bondade e inocência de todo mundo, bastava alguém utilizar um tom de voz mais imperativo com a garota, para ela abrir todo o jogo com a pessoa (típica assassina de coração mole).
 Porém a interação com Archer confirmou a informação de que existiam pessoas fazendo um levante no nome da princesa herdeira Aelin Ashryver Galathynius e foi nesse momento que o desfecho final da obra perdeu um pouco o impacto comigo, visto que eu já sabia que Celaena era a princesa perdida, pois havia lido a sinopse dos outros livros da série (#fail).
 Então quando Chaol descobre esse fato no último capítulo, não fiquei tão boquiaberta como deveria. Até o fato dela ser fada não foi uma grande descoberta, pois em todo desenho de fan art a moça tem características feéricas, então pode-se dizer que as melhores partes do livro foram tiradas de mim graças a internet e a minha curiosidade.
 Mesmo assim o livro foi bom; adorei toda a questão mitológica envolvendo as chaves e portões Wyrd, assim como gostei da aparição das bruxas e dos monstros de outros reinos que surgiram no decorrer da narrativa. A autora também se superou na criação do enredo político, pois foi possível ver todo o esquema por trás dos nobres e suas constantes buscas por poder e dinheiro.
 Ainda é possível notar inúmeras influências na obra de Sarah J. Maas, mas também pode-se perceber o quanto a autora conseguiu evoluir e criar seu próprio universo. Definitivamente apeguei-me mais com os personagens e não queria terminar nunca esse livro (mesmo tendo outros volumes da série para ler).
 Após finalizar "Coroa da Meia-Noite", meu único pensamento constante era tentar descobrir o motivo pelo qual demorei tanto tempo para ler um livro da Sarah J. Maas, essa mulher praticamente virou minha diva pop da literatura.
 Mal posso esperar para ler "Herdeira do Fogo" e descobrir o que Celaena irá aprontar agora em um reino distante (sem o Chaol para pentelhar ela). Se o 3º livro tiver pelo menos metade dos elementos que aqui foram apresentados, tenho certeza absoluta de que irei amá-lo também.


Classificação: 5 de 5 estrelas.

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