terça-feira, 25 de outubro de 2016

Resenha: A Torch Against The Night (An Ember In The Ashes #2) - Sabaa Tahir


 Antes de fazer propriamente a resenha, quero deixar registrado que a leitura desse livro teria sido bem mais fácil se a editora tivesse colocado um resumo de "An Ember In The Ashes" como prefácio nessa edição. Porque só eu sei quantas resenhas tive que reler para relembrar alguns personagens e acontecimentos que ocorreram no primeiro livro da série. Então fica registrada aqui minha indignação e ideia mirabolante para inovar o mercado editorial.
 Dito isso vamos ao pequeno resumo da obra. Em "A Torch Against The Night" o leitor acompanha Laia e Elias como os fugitivos mais procurados do Império. O casal protagonista, encontra-se em uma difícil jornada rumo à Kaulf para libertar Darin, o irmão de Laia. Porém no decorrer de sua interminável viagem (sério, foram 3 meses de caminhada), nossos heróis deparam-se com novas pessoas e seres sobrenaturais que irão complicar ainda mais sua missão (sem falar que eles tinham que ficar fugindo dos soldados de 5 em 5 minutos).
 Paralelamente a dupla, é possível ler tudo o que está acontecendo com Helene, porque a autora adicionou o ponto de vista da garota nesse livro *happy dance*. Vemos então as consequências que nossa guerreira está sofrendo por ter ajudado Elias escapar da execução, além de presenciar os desafios que a moça deverá enfrentar agora que tornou-se Blood Shrike de Marcus.
 De uma maneira resumida, pode-se dizer que mesmo o livro sendo bem escrito, fiquei desapontada com a continuação dessa série. "An Ember in The Ashes" foi um dos melhores livros de fantasia que li esse ano, porém senti que a autora não conseguiu manter (ou reacender) minha empolgação durante a leitura dessa sequência. 
 Portando, como quero expressar minha opinião, os parágrafos a seguir terão spoilers. Quero frisar que a minha opinião é impopular, pois no universo literário é possível notar que a maioria dos leitores não teve nenhum problema com esse livro, então não se deixem levar pelo meu negativismo usual e deem uma chance a essa série.
 Ninguém está mais desapontada do que eu mesma, por ter não ter gostado dessa obra. São tantos pontos negativos que resolvi fazer um listinha enumerada, de modo a organizar melhor o texto.
 Segue aqui, em ordem importante e crucial, o que eu não gostei em "A Torch Against The Night": Laia e Elias; O triângulo amoroso; 3º Desenvolvimento do enredo e dos personagens;  Narrativa e os diferentes pontos de vista; 5º Cook.
 Em caso de dúvida a única coisa que eu gostei nesse livro chama-se HELENE AQUILLA, porque desde o começo ela é a verdadeira protagonista dessa série.
 Voltando aos aspectos negativos, vamos discutir os tópicos da lista e começar falando mal da Laia e do Elias (eba). Se em "An Ember In The Ashes" eu tive problemas com o casal protagonista, nesse livro eu queria arrancar meus olhos do rosto toda vez que tinha que ler os capítulos desses dois. 
 Laia, simplesmente veio ao mundo fictício com a função de ser bonita. A inutilidade da garota nesse livro era tamanha que a autora resolveu dar um poder sobrenatural para que ela pudesse fazer alguma coisa digna de ser narrada, porque caso isso não acontecesse nós ficaríamos lendo seu eterno dilema entre gostar do Keenan ou do Elias. Vejam abaixo passagens desse dilema:

"Though I don't want to think that what happened earlier between Keenan and me is on of those mistakes. It was heady. Intoxicating. And filled with a depth of emotion that I did not expect. Love. I love him. Don't I?"

-

"Perhaps because more than reminding me of him, it reminded me of who I was around him. Braver. Stronger. Flawed, certainly, but unafraid. I miss that girl. That Laia. That version of myself that burned brightest when Elias Veturius was near."

 Laia, querida, o Império está caindo na sua cabeça, a Comandante está matando todo tipo de Scholar que ela encontra e 80% do tempo, você está pensando com qual garoto você vai ficar? Sério mesmo Laia? Nem fiquei surpresa quando descobri que ela tinha poderes ou quando o Keenan revelou que era o chefão dos gênios, porque honestamente não ligava para nenhum deles.
 E por falar em não sem importar com as pessoas, vamos falar sobre o Elias. Nosso soldadinho estava sendo um personagem extreamente avulso na primeira parte do livro, ele tinha sido envenenado pela Comandante e estava destinado a morrer por causa disso (coisa que eu estava torcendo para que acontecesse), até que seu status de moribundo resultou na aparição da Soul Catcher (que foi a única coisa interessante de ler nos capítulos do rapaz).
 Elias só ficou menos chato (relembrem que eu nunca gostei muito dele) a partir da segunda parte do livro, pois ele finalmente se separa de Laia, chegando logo à prisão e ainda lidando com os espíritos dos amigos que morreram no primeiro livro. Confesso que meu ódio por Elias diminuiu um pouco nesse livro, mas como no final da narrativa ele e a Laia ficaram in love lá na cabana perto da floresta, meu desgosto permaneceu firme e forte (porque eu detesto esses dois juntos).
 Então a explicação pela qual eu detestei o triângulo amoroso já ficou mais do que explícita nesses parágrafos. Porém, acho válido acrescentar que, além de detestar esses dilemas românticos eu não consigo sentir uma conexão forte e válida entre Laia e Elias. Mesmo não torcendo para que Helene e Elias sejam um casal, acredito muito mais no relacionamento e ligação entre esses dois personagens, fato que talvez desfavoreça (ainda mais) minha simpatia pelo casal oficial dessa série.
 Indo para o 3º item da lista, é hora de discutir os problema de "desenvolvimento do enredo e dos personagens". Qual foi minha maior dificuldade durante a leitura? Ter que ler 450 páginas de resgate do irmão da Laia, sendo que em "An Ember In The Ashes" a autora utilizou essa mesma premissa para prender a atenção do leitor.
 Mesmo acontecendo mil e uma atrocidades durante a viagem dos protagonistas, não consegui sentir que a narrativa evoluía, porque a autora fez Darin ser resgatado praticamente no penúltimo capítulo do livro. Me desculpem a sinceridade, mas senti que essa continuação foi uma verdadeira enrolação para os próximos livros da série, pois tirando a evolução e o enredo de Helene, os acontecimentos na vida da Laia e do Elias só foram ocorrer nas 100 páginas finais. 
 O leitor fica umas 250 páginas lendo eles vagarem no deserto e nunca chegarem a lugar nenhum. Tinha a expectativa de que esse livro seria mais ágil e o resgate de Darin ocorreria logo no início e juntos eles iriam persuadir a Helene a unir-se a rebelião e várias outras teorias, porém infelizmente não foi isso que acontece e eu fiquei frustada com a realidade da obra (sem mencionar que depois de ler vários livros de fantasia, pode-se dizer que "A Torch Agains The Night" perdeu um pouco sua originalidade).
 O que nos leva ao 4º problema que foi a narrativa. Desde que fiquei sabendo que Sabaa Tahir iria colocar o POV da Helene nesse livro, fiquei extremamente animada. E realmente os capítulos da nossa guerreira são ótimos, porém intercalados com o de Laia e Elias, perdem o seu impacto.
 Não tenho o menor problema com múltiplos pontos de vista, mas como cada personagem praticamente tem seu próprio enredo ficava chato você se envolver nos problema de Helene e logo em seguida ser obrigada a ler o capítulo da Laia que estava envolvida em outra situação completamente diferente (e entediante). Essa quebra na narrativa e esses "pulos" de um ponto de vista para o outro me desanimaram mais ainda com o livro, pois sentia que o enredo demorava muito para evoluir.
 Comigo, a questão de vários narradores, só funciona quando todos eles estão juntos (lado a lado, vivenciando a mesma coisa) e a autora alterna a visão para você conhecer melhor cada um deles. Como nesse livro cada personagem tinha sua própria estória, esse efeito prejudicou a leitura, teria sido melhor ler um livro narrado apenas pela Helene (que era a única que realmente importava aqui).
 Meu último problema foi Cook, porque quem aqui não teve um problema com essa personagem? Minha única dúvida é que até agora eu não consegui descobrir em qual escola Jackie Chan ela foi treinar escondida para virar a ninja do século!? Não percam a próxima edição de "American Ninja Warrior", porque com certeza iremos encontra-la nesse reality.
 Então o que salvou esse livro foi a Helene mesmo (aliás ela vem fazendo isso desde o 1º livro). A moça conseguiu evoluir na narrativa e realmente virar Blood Shrike, ainda que eu fique receosa do que ela se tornou no final da narrativa.
 Me empolguei lendo seus capítulos, me emocionei com sua estória e confesso que já estou torcendo para que ela e o Harper tenham algum romance (quem nunca?). Ela foi a verdadeira protagonista dessa obra e ainda acredito que Sabaa Tahir deveria ter explorado mais a narrativa dela, pois caso leia o próximo livro dessa saga será apenas para descobrir se meu ship irá tornar-se realidade.
 Como disse no inicio dessa resenha, "A Torch Against The Night" é bem escrito, tem os principais elementos de um bom livro de fantasia, porém talvez minha antipatia pelo casal protagonista me privaram de aproveitar melhor a obra. Termino essa resenha ainda em dúvida sobre se continuarei ou não com essa série, pois sinceramente a vida anda muito curta para perder tempo lendo sobre a indecisão da Laia.


Classificação: 3.0 de 5 estrelas. 

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