Resenha: Nove regras a ignorar antes de se apaixonar (Os Números do Amor #1) - Sarah Maclean

15.9.16


 Após meses brigando com os romances de época do período regencial, admito que estava perdendo a fé nesse gênero literário, pois nenhuma autora parecia fazer ideia de como escrever um livro pertinente à essa categoria. 
 Eis então que no meio dos inúmeros lançamentos de romances aqui no Brasil, descubro esse diamante escrito por Sarah Maclean. E até agora estou tentando entender como essa autora pode ser a mesma pessoa que escreveu a mediana série "Os Clubes dos Canalhas". A única explicação plausível que minha mente encontrou foi que a escritora sofreu alguma abdução alienígena e alguém escreveu esse livro utilizando seu nome enquanto ela passava um tempo com os extraterrestres (longe de mim insinuar que este livro foi escrito por um ghost writer).
 Devido ao meu passado de decepções com a escrita de Maclean, estava esperando ler outro livro ruim (ou regular, na melhor das hipóteses), mas como disse anteriormente, "Nove regras a ignorar antes de se apaixonar" veio resgatar a essência dos romances de época e salvar o gênero.
 O primeiro volume da série "Os Números do Amor" conta a história de Calpúrnia, uma solteirona de 28 anos que após passar anos "tomando chá de cadeira" nos bailes, resolveu aproveitar seu status de invisível para a sociedade e aventurar-se pelo mundo.
 A moça então cria uma lista com 9 coisas que gostaria de fazer e o primeiro item que ela decide riscar de sua lista é "beijar alguém apaixonadamente" e ninguém melhor do que o devasso libertino, Ralston para ajudar a garota realizar essa tarefa.
 Contudo o destino dos protagonistas não irá limitar-se à esse simples encontro, Calpúrnia logo encontra-se dominada pela presença do notório Marquês e o que deveria ser apenas uma aventura, transforma-se em uma jornada de amadurecimento (e sedução, porque afinal de contas Ralston era um devasso irremediável) para ambos.
 Um livro de enredo tão simples e usual, não deveria ter destruído meu coração em pedaços, porém foi exatamente isso que ele fez. E eu quero deixar registrado para futuras referências que é exatamente isso que espero de um romance de época.
 A essa altura da vida, se você já leu mais de um romance histórico, percebeu que esse gênero segue quase uma receita de bolo, onde temos: 1 mocinha inocente; 1 mocinho emocionalmente indisponível; 3 a 4 bailes; 3 a 4 encontros furtivos entre os protagonistas; 1 a 2 cenas emocionais onde os protagonistas confessam seu amor e 1 casamento para marcar o garantido final feliz.
 Simples assim, porém parecia que ninguém conseguia seguir a receita corretamente, até que Sarah Maclean chegou para mostrar como é que se faz um romance digno.
 Calpúrnia é a típica mocinha que tem problemas de autoestima, porém é compreensível ela ser assim, visto que a garota vivência todos os dias aquele eterno almoço de domingo onde seus parentes ficam fazendo aquelas infelizes perguntas: "E a faculdade? E o trabalho? E os namorados? Você viu que fulana comprou casa e vai morar sozinha? Sabe que a outra fulana vai casar com aquele individuo maravilhoso? Ficou sabendo que um outro ser humano já está indo para o segundo filho?".
 Ou seja, diferente de todas as outras mocinhas que estão desgostosas com a vida, a desilusão de Callie é tão identificável que eu queria entrar no livro e abraçar a garota, para poder consolá-la. Em nenhum momento a lista de aventuras dela, ficou boba ou sem sentido, pois nota-se o quanto ela estava crescendo e amadurecendo ao sair de sua zona de conforto para finalmente encontrar-se como mulher em uma sociedade extremamente preconceituosa que rotulava as pessoas por elas não se encaixarem em seus padrões (conseguem sentir a semelhança com os dias atuais?).
 Ainda que romantizada, a temática e a abordagem da autora nessas questões femininas foram o ponto chave para fazer qualquer leitora amar esse livro, pois qualquer mulher (independente da época ou do local) já vivenciou os mesmo problemas que Callie.
 Tirando o foco da protagonista, vamos falar de Gabriel (nosso marquês de Ralston). Em 1º lugar quero falar que amei ele desde o início e em 2º lugar quero dizer à todos vocês que é exatamente assim que um libertino deve ser.
 Ralston é apresentado para o leitor como um devasso que teve relações físicas com metade das mulheres de Londres e diferente dos outros mocinhos com a mesma fama, o rapaz aparece com mais de uma amante antes de encontrar Callie. E eu adorei esse simples fato, pois já estava farta de ler as autoras colocarem reputação de mulherengo nesses homens e eles nunca aparecerem com outras mulheres (libertino que é libertino tem quem mostrar e honrar seu vasto currículo!).
 O fato concreto de ele ter tido outros casos, deu um toque especial ao vermos Callie tentar restaurar esse lado libidinoso do rapaz. Sim, eu adoro ver essa transformação irreal dos mocinhos em perfeitos cavalheiros monogâmicos e fazia anos que não encontrava um libertino digno para honrar as calças que usava (esqueci de falar que apesar de mulherengo ele também tinha um lado bastante honrado e sensível para completar o pacote <3).
 Óbvio que homens assim não existem, porém eles são tudo aquilo que eu espero ao ler um romance de época, justamente porque é para isso que estou lendo uma obra de ficção.
 A autora fez um perfeito relacionamento amoroso entre os protagonistas e durante a leitura; eles tiveram inúmeros encontros furtivos; beijos roubados; cenas de ciúmes bobos; bailes e danças intermináveis  e aquele dramalhão todo antes do mocinho finalmente perceber que amava a garota.
 Meu único problema (porque eu sempre encontro algum defeito) foi a quantidade excessiva de cenas de sexo que a autora criou, achei que o livro poderia ter abusado menos desse recurso, principalmente na descrição dos encontros físicos. Algumas cenas ficaram extremamente alongadas e cansativas.
 No geral, o livro foi extremamente simplório e não teve nenhum acontecimento bombástico que o destacasse, porém a escrita da autora e os temas abordados no decorrer da narrativa  fizeram-me relembram porque esse gênero sempre foi um dos meus favoritos. Além de deixar-me nostálgica por semanas ao recordar algumas obras que li em 2007, com escrita  e problematização semelhantes (saudade dos dias de glória em que minha única preocupação era ir para a escola e ler romances históricos publicados na banca de jornal). 
 Se você não gosta de romance de época ou ainda tem preconceito com o gênero, leia "Nove regras a ignorar antes de se apaixonar", certeza que esse livro mudará sua opinião (p.s: relevem a pobreza dessa resenha, fui tomada por um sentimentalismo desconhecido ao finalizar a leitura do livro e ele me impediu de fazer uma crítica mais elaborada sobre a obra, prometo trabalhar meu incurável lado romântico no futuro).


 Classificação 4.5 de 5 estrelas.

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1 comentários

  1. MEU PAI ETERNO.Há virei sua fan muie.Adoro suas criticas sempre bem humoradas , bem construídas e francas.Ma identifiquei muito com seus comentarios e a luta entre a lógica e o envolvimento com a historia na hora da leitura.E esse livro ai?reli mttt, lindo lindo.Apaixonei pela callie.Essa autora tem uns altos e baixos bem doidos.Ahh esse livro me lembra aql outro da pipa...entre alguma coisa e outra coisa
    bjaoo nao te largo mais

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