Resenha: The Forbidden Wish - Jessica Khoury

10.8.16


 Repitam comigo: "Não comprarei livro novo, sem antes ler amostra do primeiro capítulo online" Amém.
 "The Forbidden Wish" foi um livro que eu estava juntando as economias para comprar, tamanha certeza eu tinha de que amaria com todo o meu coração essa obra, porém ao iniciar sua leitura aconteceu o oposto (ou seja o ódio tomou conta da minha pessoa).
 Antes de fazer as críticas e lamentações, deixe-me contar à vocês o enredo da obra, que por sinal eu abandonei a leitura na página 270. O livro de Jessica Khoury, conta a história de Zahra uma gênia que está presa em sua lâmpada há quase 500 anos, até ser libertada por Aladdin.
 Aladdin era o típico ladrão do reino e justamente por ter roubado um anel mágico que pertencia a princesa do castelo, ele consegue localizar e libertar Zahra de sua lâmpada. Após ver-se livre de sua prisão, nossa heroína depara-se com um mundo onde os gênios são caçados e o seu nome aterroriza milhares de humanos.
 Acontece que Zahra tornou-se um mito e ficou conhecida como a gênia que matou e traiu a antiga rainha Roshana, além de causar uma enorme guerra entre os humanos e os gênios, por isso o Rei dos Gênios puniu a moça aprisionando-a por quase meio milênio.
 Então quando o "poderoso chefão" dos gênios descobre que a menina foi libertada, ele logo envia um recado à garota propondo um acordo que caso ela consiga cumprir, irá garantir sua liberdade eterna. Caso contrário ela seria morta, sem dó nem piedade.
 E assim resume-se o enredo dessa obra que é uma releitura da história de "Aladdin". Aparentemente o livro teria os elementos necessários para ser uma ótima leitura, mas no meu caso ele poderia ter sido utilizado como instrumento de tortura.
 Quais foram meus problemas com a obra? Em primeiro lugar, o que me incomodou foi a previsibilidade do enredo. A autora apresenta toda a trama central nas páginas iniciais e depois disso nada novo é apresentado ao leitor, vemos os personagens tentando apenas conseguir seus objetivos centrais sem nenhum outro tipo de problema paralelo para dar uma animada nas coisas. 
 Confesso que lá pela página 200 acontecem algumas coisas novas para criar umas dificuldades, mas nesse ponto da leitura o leitor já consegue identificar todos os caminhos que a autora irá "percorrer" até o desfecho e isso deixa a obra tediosa, pois fica claro a conclusão de "final feliz" que a obra irá apresentar.
 O livro não é mal escrito e nem apresenta um enredo ruim, tendo em vista que ele é uma releitura, a autora conseguiu até inovar em alguns quesitos, mas essa inovação não é suficiente para surpreender o leitor.
 Além disso outra coisa que me impediu de gostar da obra foi a falta de empatia e conexão com a personagem principal que é a Zahra e também com os personagens secundários. Como já dizia Antônio Candido, as personagens desse livro são planas do início ao fim ou seja "São construídas em torno de uma única ideia ou qualidade, podendo ser expressa numa frase." (já que é para criticar, vamos fazer isso com teoria e fundamento literário).
 Portanto, Zahra era a gênia com fama de má que na realidade era fiel e amava Roshana; Aladdin era o ladrão que buscava vingança; a princesa Caspida era a monarca/justiceira e assim sucessivamente. Ou seja, os personagens não apresentavam nuances, eles eram extremamente estereotipados e contribuíam ainda mais para a questão da previsibilidade já citada anteriormente.
 Além disso, tive um sério problema com a questão romântica desse livro, por culpa da Zahra não ser humana, e sim uma fumaça que pode transformar-se em qualquer coisa ou pessoa. As cenas do casal protagonista são até bonitinhas e leves, porém para mim essa falta de humanidade da nossa heroína tirou toda a credibilidade do relacionamento deles. Esse conceito de gênio criado pela autora foi a gota d´água na narrativa.
 Para piorar ainda mais as coisas, a cada página eu ficava pensando: "Eu gastei dinheiro nesse livro. Agora o que eu irei fazer com esse "elefante branco" no meio da minha estante?". Então o resultado da soma: livro fraco + ódio de myself  por ter feito essa burrada foi = desgosto eterno que provavelmente perdurará durante 500 anos.
 Apesar de toda a negatividade, acho que se você gosta desse ambiente "Mil e Uma Noites" que invadiu completamente o mundo YA e quer ler alguma coisa descompromissada, esse livro é o ideal (tem até um pouco de feminismo no meio do enredo para tentar alegrar as coisas).
 No meu caso a obra não funcionou, pois eu criei uma expectativa enorme em cima desse livro e fiz uma ideia totalmente errada do enredo, pensava que Zhara seria uma gênia engraçadinha como a Jeannie do seriado "Jeannie é um Gênio" e ela não é nem um pouco parecida com essa personagem.
 Pelo menos "The Forbidden Wish" serviu para mostrar-me que eu realmente não gosto desse ambiente de gênios e sultões, portanto agora posso riscar da minha lista de leitura metade dos lançamentos desse ano.


Classificação: 2 de 5 estrelas.

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