Resenha: My American Duchess - Eloisa James

23.8.16


 Após finalizar a leitura de "My American Duchess" de Eloisa James cheguei a seguinte conclusão: Autoras que escrevem romances de época, cujos personagens masculinos beiram a ignorância de um animal, fazem um desfavor ao gênero e deveriam ser banidas desse tipo de literatura. 
 É com essa indignada constatação que inicio essa resenha. "My American Duchess" irá contar a história de Merry, uma garota americana de vinte e poucos anos que após romper seu segundo noivado resolve ir à Londres para fugir dos crescentes boatos sobre sua reputação; além de tentar caçar um nobre do alto escalão para ficar noiva (de novo).
 Com sua beleza estonteante e espirito livre, a moça logo depara-se com os charmoso Cedric, um rapaz bem apessoado e bacana o suficiente para Merry tornar-se sua noiva. Porém, como nem tudo são flores, nossa mocinha encontra um homem misterioso na sacada de um baile e a atração entre ambos é imediata, deixando Merry com o coração balançado.
 Mal sabia a garota que o estranho rapaz com quem conversara era nada mais nada menos que o irmão gêmeo de seu futuro noivo (pois é, a garota disse que estava escuro demais na varanda para ela notar a semelhança entre ambos. Quem sou eu para julgar a miopia da moça?).
 Eis então que Trent (o gêmeo de Cedric e mocinho desse livro) fica louco de ódio pelo irmão e desejo por sua noiva. O Duque de Trent praticamente surtou quando conheceu Merry, querendo pedir a mocinha em casamento naquele mesmo instante, acreditando que ela era a mulher de sua vida e eles estavam destinados a ficar juntos (se fosse nos dias atuais, ele já estaria stalkeando até os ancestrais da moça nas redes sociais, mas naquele tempo o máximo que ele fez foi correr igual um biruta atrás dela no baile).
 E assim termina o grandioso enredo da obra de Eloisa James. Passamos metade do livro observando os dois irmãos disputarem a mocinha, no maior estilo de "The Vampire Diaries" e a outra metade lendo sobre a idiotice e infantilidade de Trent.
 Agora se você não quer ler spoilers e/ou sentir minha fúria de Hulk sobre o comportamento e personalidade do mocinho é hora de dizermos adeus.
  Para ser bem honesta até os 40% da leitura, o livro estava bem tedioso e recheado de clichês, porém eu não estava odiando a obra. No entanto era claro que a autora não tinha uma narrativa para desenvolver, já que literalmente nada acontecia.
 Fui forte, não abandonei o livro e quis dar uma chance à essa aclamada autora, mesmo não entendendo o motivo das resenhas positivas que essa obra possuí. Pensei que talvez o enredo melhoraria; algum conflito surgiria; porém realmente não ocorreu coisa alguma que pudesse salvar essa narrativa do seu iminente naufrágio.
 Quando o leitor finalmente consegue chegar a metade do livro (depois de ter lido 200 páginas que poderiam ter sido retiradas do roteiro de algum seriado adolescente), a autora decide casar os protagonistas na tentativa de animar as coisas, porém é nesse exato momento que ela afunda de vez o barco.
 Merry era a típica herdeira liberalista americana que não dava a mínima para questões de títulos da nobreza ou posses de terras, seus modos eram visto como puro selvagerismo e todas as pessoas comentavam suas gafes durantes os eventos sociais.
 Em várias cenas a moça era massacrada pelas outras garotas por cometer erros bobos e o livro, que já tinha uma certa semelhança com "The Vampire Diaries" fez um crossover com "Gossip Girls". Teve um capítulo extremamente longo e irritante no qual a garota pediu um abacaxi de sobremesa e toda a nobreza teve um síncope com tamanha deselegância, fato que resultou em uma briga desnecessária entre Merry e as outras meninas (leia-se pura enrolação da autora para aumentar páginas).
 Voltando a questão do casamento; Merry e Trent casam-se no meio do livro e pasme você ao saírem do altar e irem em direção a carruagem, uma horda de jornalistas veio cobrir o matrimônio do século, fazendo até a criadagem criar cordão de isolamento para os noivos chegarem ao seu destino.
 Em um momento Kate Middleton, nossa mocinha (já dentro da carruagem) começou a acenar para os plebeus como se fosse a verdadeira Rainha da Inglaterra saudando os súditos reais. Até agora não consegui entender da onde essa autora teve a infeliz ideia de colocar a impressa para cobrir o casamento de um Duque qualquer, foi a coisa mais sem sentido que já li em um romance de época.
 Aliás, todo o romance apresenta uma narrativa inconstante e com ritmo indefinido. Tinha a sensação de que duas pessoas completamente distintas escreveram esse livro, pois o resultado final ficou pior do que trabalho em grupo feito na faculdade, quando cada um faz sua parte e depois juntam os textos independentes e desconexos só para ganhar nota (nesse caso só para vender livro).
 Ainda sem entender qual direção a autora queria tomar, o leitor dá continuidade na obra e inicia sua jornada junto ao casal recém casado. Vale destacar que o irmão que era o grande vilão do livro simplesmente sumiu após o casamento, sem maiores explicações, então não faça como eu e fique esperando seu retorno, já que isso não acontece.
 Continuando a linha de raciocínio, os protagonistas casam, porém Trent diz que não há espaço para o amor ali e o relacionamento deles será baseado apenas na amizade (what?). Eles então consumam o casamento inúmeras vezes até que Merry começa a desenvolver sentimentos por Trent (o que seria óbvio).
 Então a ingênua garota conta à esse energúmeno que o ama. E adivinhem o que esse cavalo faz? Ele simplesmente esculhamba com a moça, tacando na cara da coitada que ela é volúvel e já amou três homens antes dele. O nosso animal de duas patas diz ainda que não a ama e que espera que esse escândalo e drama infantil dela não comprometam seus deveres de esposa (leia-se dormir com ele, em todos os lugares e posições possíveis).
 Nosso protagonista ainda afirma que nunca irá nutrir tal sentimento inútil, mas isso não faz com ela não seja sua propriedade. Sabe aquelas crianças que não gostam mais do brinquedo, mas mesmo assim recusam-se a dar o carrinho para o amiguinho? Trent conseguia ser mais infantil que essas crianças.
 Lá estava eu super apoiando a moça, torcendo para ela comprar uma passagem de navio e ir embora do país, quando a menina cria o maravilhoso plano de aperfeiçoar suas habilidades na cama de modo a fazer seu marido ama-lá. Pois é, porque é assim mesmo que você vai chegar em algum lugar na vida.
 Depois disso perdi todo o respeito pelos dois protagonistas e só li até o final, porque faltavam poucas páginas para terminar essa atrocidade. Simplesmente um dos piores romances de época que já li. Estou farta desse esteriótipo de mocinhas com problema de autoestima e homens ignorantes que se acham no direito de julgar o passado da mulher como se eles não tivessem feito coisa pior quando eram jovens.
 Adoro romances de época, mas acredito que esteja na hora das autoras reverem conceitos e criarem verdadeiros romances em suas obras. Porque eu não tenho mais paciência para ler homens deseducados e mocinhas dóceis que se dobram as suas vontades. Livros deveriam ser uma obra de ficção e não um retrato da realidade.


Classificação: 1 de 5 estrelas.

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