Resenha: Corte de Espinhos e Rosas (A Court Of Thorns and Roses #1) - Sarah J. Maas

1.8.16


 Totalmente ingênua e inexperiente no universo de Sarah J. Maas, acabei ignorando todos os comentários positivos que essa série vem recebendo desde seu lançamento, por puro medo de decepcionar-me com a escrita da autora e ser o único ser humano no planeta que não morre de amores pela série "Corte de Espinhos e Rosas" ou carinhosamente apelidada de "ACOTAR" em inglês.
 Portanto, agradeci aos céus, a dádiva de ter me apaixonado por esse livro (já que ultimamente nada parece agradar meu elevado senso crítico, leia-se chatice mesmo). Minha paixão foi tamanha e tão desenfreada que eu já saí juntando meus centavos pela casa, na intenção de comprar o segundo volume dessa série (preciso de "A Court of Mist and Fury", para ontem).
 Antes de discorrer elogios à obra, deixe-me primeiramente contar o enredo desse livro. "Corte de Espinhos e Rosas" irá contar sobre a vida de Feyre, uma menina de 19 anos que após a morte de sua mãe e falência financeira de seu pai, transformou-se em uma exímia caçadora para garantir a sobrevivência de sua família.
 Em uma de suas caçadas, a moça acidentalmente mata uma fada que naquele momento estava na forma de um lobo, pois que ele tinha o poder de mudar de forma (calma que eu já melhoro a explicação). 
Acontece que no mundo de Feyre, as fadas são reais e por séculos escravizaram os humanos. Após uma sangrenta batalha entre as duas raças, um tratado de "convivência amigável" foi criado e nele a principal regra proíbe humanos de matar qualquer tipo de fada (em defesa da moça, ela não tinha certeza que o lobo era uma criatura imortal).
 Como punição por romper o acordo, um lobo grande e malvado, aparece na humilde moradia de Feyra para matá-la ou levá-la ao reino das fadas, visto que uma grande muralha separava o mundo dessas duas espécies. Escolhendo sua sobrevivência, nossa mocinha arruma suas malas, dá adeus a seus familiares e parte para o mundo mágico das fadas.
 Porém, ao chegar no universo feérico, a moça começa a descobrir que nem todos os mitos sobre essas criaturas sobrenaturais são verdadeiros e surpreende-se ao desvendar que o feroz lobo que a sequestrou é na verdade um homem forte e atraente, chamado Tamlin.
 Não bastasse ter seu mundo virado de cabeça para baixo, Feyre também descobre que o universo das fadas está passando por gravíssimos problemas que aparentemente podem afetar até mesmo o mundo dos humanos, dado que todos aqueles serem sobrenaturais estão sofrendo as consequências de uma terrível maldição.
 Lutando contra seus crescentes sentimentos por Tamlin; seu senso de lealdade e sua sobrevivência; Feyre será testada de todas as maneiras possíveis para conseguir conquistar aquilo que tanto almeja (ufa! vamos fazer uma pausa para respirar antes dos comentários). 
 "Corte de Espinhos e Rosas" é um verdadeiro colírio para nossos olhos cansados. Com um público alvo maduro, Sarah J. Maas uniu todos os elementos necessários para criar uma verdadeira obra de arte.
 O livro, que é uma releitura do conto de fada "A Bela e a Fera", ultrapassa as barreiras do gênero literário infantil e amadurece a narrativa com uma personagem feminina forte e verdadeira, além das cenas de ação e romance entre os protagonistas.
 Confesso que no começo da narrativa, achei a leitura do livro lenta demais, porém isso acontece devido ao fato da autora explicar todo o universo que aqui foi criado. Havia todo um contexto histórico para embasar o aprisionamento de Feyre e por mais cansativo que era ler sobre a complexa hierarquia no mundo das fadas ou o passado da protagonista, o livro perderia toda sua credibilidade caso isso não tivesse sido realizado.
 Superado esse problema, fiquei realmente surpresa com a maestria de Sarah J. Maas em criar cenários; personagens; ações; romances e sentimentos. A cena, na qual Feyre participa da festa de Solstício de Verão, foi possível sentir todas as sensações vivenciadas pela garota, tamanha veracidade da autora em descrever esses sentimentos efêmeros que as vezes consome todo ser humano e quase nenhum autor consegue captar (sério mesmo, parecia que estávamos junto de Feyre dançando na grama ao som dos tambores).
 Talvez seja isso que me ajudou a estabelecer uma identificação tremenda com a protagonista, pois praticamente seguíamos a mesma lógica de pensamento durante toda a narrativa e foi maravilhoso poder identificar-me com ela, a leitura ficou ainda melhor.
 Tirando todo o miticismo e as referências a série "Brumas de Avalon" de  Marion Zimmer Bradley, Sarah J. Maas foi ainda mais ousada na criação de seu romance. Diferente do desenho da Disney, onde a Bela e a Fera dão apenas um beijo no final do enredo, Feyre e Tamlin chegam a consumar seu relacionamento.
 Prestem bastante atenção nesse parágrafo, pois fica aqui meu aviso à vocês. Tanto no Goodreads, quanto no Skoob é possível encontrar resenhas de pessoas que falam que esse livro é erótico. PELO AMOR DE DEUS, ESSE LIVRO NÃO É ERÓTICO! Não se iludam achando que ele será igual aos romances de época onde cenas de sexo são constantes e bem detalhadas. Feyre e Tamlin realmente chegam a consumar o relacionamento, porém o foco do livro não é esse e as cenas de amor físico entre os dois são breves e com poucos detalhes. 
  O livro já tinha ganhado meu coração, porém o desfecho da obra só confirmou que "ACOTAR" era realmente tudo aquilo que eu estava esperando de uma obra literária. A autora caprichou nas cenas de ação e até mesmo violência, inserindo nesse período uma terceira pessoa no relacionamento de Feyre e Tamlin.
 Em um momento de honestidade, quero dizer que todo o meu amor pertence á essa terceira pessoa (que eu estou me controlando para não dar mais informações e soltar spoiler). Nada contra Tamlin, mas se eu estivesse no lugar da protagonista já tinha largado tudo para viver com esse outro rapaz, porque eu tenho uma inevitável queda por garotos malvados com passados obscuros (I will go down with that ship).
 Como eu já disse em algum parágrafo anterior, toda essa referência à "Bela e a Fera"; "Brumas de Avalon" e até mesmo a série "Os Selvagens de Londres", Sarah J. Maas conquistou um posto fixo em meu coração e eu definitivamente irei ler qualquer coisa que essa mulher publicar, pois "Corte de Espinhos e Rosas" conseguiu a proeza de  entrar para a minha lista de melhores livros da década (estão sentindo o amor?).
 E agora se vocês me dão licença eu vou colocar todas aquelas músicas medievais/espirituais da "Florence + The Machine" e sair dançando pela casa, na esperança de uma fada aparecer e me levar para fazer um tour em sua propriedade no mundo feérico.


Classificação: 5 de 5 estrelas + <3

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2 comentários

  1. Também acabei de ler este livro à pouco tempo e como tu, torço muito por essa terceira pessoa hehe nada contra o Tamlin mas parece-me que a Feyre precisa de alguém com a mesma fibra dela e o Tamlin é assim...vá, molengão :)
    Juntando também os trocos para arranjar o segundo livrinho! *.*

    Cat @ Amarelo Pastilha-Elástica

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    Respostas
    1. hahaha tbm achei o Tamlin bem paradão sabe? Ele não conseguiu me convencer como mocinho da narrativa, já o Rhys é tudo de bom.
      Ansiosa para ACOMAF, pois dizem que o Rhys aparece bastante nesse segundo livro.

      Obg pela visita e pelo comentário .D

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