Resenha: Cidade das Cinzas (Os Instrumentos Mortais #2) - Cassandra Clare

25.7.16

*contém spoilers de "Cidade dos Ossos"*

 O que dizer desse livro que provavelmente metade do mundo já leu (comentou, surtou, amou ou odiou) e eu sou a única que chegou atrasada para a festa?
 "Cidade das Cinzas" é o segundo volume da série "Os Instrumentos Mortais" de Cassandra Clare e como uma boa leitora, após ter lido "Cidade dos Ossos" em 2010, resolvi que já estava na hora de dar continuidade nessa saga (porque eu também quero muito saber o que irá acontecer na outra temporada de "Shadowhunter", me julguem).
 Depois de já ter sido bombardeada com adaptações cinematográficas, fiquei surpresa em descobrir o quanto a escrita da autora, seu universo e personagens são bem diferentes de tudo aquilo que eu já havia visto no cinema/televisão. Portanto gostei e desgostei de várias coisas durante a leitura, mas antes de começar com as críticas vamos ao pequeno resumo da obra.
 No segundo livro da série, Cassandra Clare explora as estranhas mortes de várias criaturas do Submundo que possivelmente estavam sendo assassinadas por Valentim, já que o vilão-mor dessa série conseguiu roubar o segundo Instrumento Mortal para ficar ainda mais poderoso e imbatível em seus planos de dominar o mundo (mentira, ele só planejava destruir os seres do Submundo, mas o cara se acha tanto que deve até ter pensado em dominação global).
 Além do enredo principal, o leitor também tem que lidar com todo o dramalhão mexicano de hermano perdido entre Clary e Jace, e alguns outros romances e dilemas dos personagens secundários. 
 Agora, se você gosta muito de Clary e Jace, saia imediatamente dessa resenha porque eu irei falar mal deles (fazer fofoca, dar palpite e ainda tirar sarro de seus comportamentos). Se você também não leu "Cidade das Cinzas" é hora de dizermos adeus, pois daqui para baixo essa resenha terá spoilers (pronto, agora tá todo mundo avisado).
 Como eu preciso muito desabafar, primeiro vamos falar o quanto eu fiquei irritada com a personalidade da Clary e do Jace, pois passei 70% da leitura revirando os olhos, encarando o teto e pensando: "Eu realmente estou lendo isso? Ele realmente está agindo assim? A Clary realmente falou essa bobagem?"
 Foi quase um choque cultural, descobrir que a imagem que eu tinha dos dois protagonista da série (por causa dos filmes e seriados) não era nem um pouco próxima do que eles realmente são na escrita da Cassandra Clare.
 Não sei o que aconteceu com o Jace, mas o garoto estava insuportável. Queria pegar ele e dar um tapa de mão cheia em sua cara, para ver se assim era possível colocar algum tipo de sentido dentro do cérebro desse menino. Tive a sensação que durante todo o livro, Jace só sabia andar por ai com a cabeça empinada; o peito estufado e os braços em posição de luta; como se fosse um daqueles bonequinhos de soldado mal-encarado.
 Eu entendi que o rapaz estava sofrendo, pois a menina que ele se apaixonou é sua irmã; seu pai pertence ao lado negro da força; os Lightwoods praticamente jogaram ele na sarjeta e etc. Mesmo assim, acredito que seu comportamento será irremediável e ele ficará desse jeito em todos os outros livros (espero estar errada sobre isso).
 Os encontros entre Jace e Valentim foram as piores parte do enredo na minha opinião, porque se você pensar de modo objetivo, caso o moço tivesse se unido aos coleguinhas para capturar seu pai, o desfecho da obra teria sido bem mais rápido e menos doloroso (todo mundo sairia feliz e o livro poderia perder suas 100 páginas finais).
 Não bastasse eu estar bem desapontada com esse integrante perdido da novela Rebelde, aparece a Clary com todo seu egocentrismo para complicar ainda mais as coisas.
 Confesso que consegui suportar mais a personalidade da moça nesse livro (leia-se, ninguém supera a chatice do Jace), porém fiquei extremamente irritada com aquele romance fadado ao fracasso entre ela e Simon nessa obra. Eles não tinham nenhuma química amorosa e foi difícil ler as cenas de beijo entre ambos. Ainda bem que o rapaz enxergou a luz da razão e decidiu romper esse relacionamento no final da narrativa.
 Simon, foi a surpresa positiva desse livro (junto com Magnus, Alec e Izzy), todavia eu morri de rir na cena que ele renasceu como vampiro. Eu sei que esse capítulo deveria ser dramático, já que ele tinha falecido e todos estavam chorando ao enterrar seu corpo e vários outros dramas mexicanos.
 Porém, foi impossível manter uma expressão séria com toda a cena de filme de terror B dos anos 40, quando o rapaz fica com a mãozinha para fora do túmulo e depois toma um banho de sangue com seus saquinhos esterilizados de sangue animal (desculpa Cassandra Clare, mas essa parte ficou tosca). 
 Tirando isso, realmente achei que os personagens secundários salvaram o livro. Estava torcendo para ler mais sobre o romance entre Magnus e Alec, assim como ver Izzy jogando sua arma chicote em vários demônios.
 Diferente da série "As Peças Infernais", achei que o enredo dessa saga é bem mais rápido e fluído (principalmente porque ela não se passa em 1800). A autora fez uma ótima continuação; a narrativa conseguiu avançar; novos elementos e acontecimentos foram introduzidos; alguns personagens também conseguiram evoluir e esse livrinho  ainda conseguiu curar minha ressaca literária (amém).
 Definitivamente lerei os outros livros da série para descobrir como eles irão acordar a mãe da Clary; como o Valentim será detido, quais serão os desfechos para os romances entre os personagens e descobrir em quais confusões a Cassandra Clare irá colocar esses personagens.
 Confesso que também lerei para voltar aqui e criticar mais ainda o Jace e a Clary, porque a vida é feita de pequenas alegrias, não é mesmo?


Classificação: 3,5 de 5 estrelas.

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