Resenha: A Coroa (A Seleção #5) - Kiera Cass

27.6.16


 Sabe quando você se engaja em uma série e praticamente vira uma questão de honra ler o último livro dessa saga? Afinal você gastou seu tempo; sua energia e seu dinheiro nas obras anteriores, portanto torna-se impossível desistir e abandonar todo seu esforço aos 45 minutos do 2º tempo (gostaram da minha analogia com futebol? estou assistindo aos jogos da Eurocopa, porque é um europeu mais bonito que o outro #ficaadica)
 "A Coroa" de Kiera Cass foi um desses livros que li na obrigação, pois a minha neura ficava repetindo no meu cérebro que eu deveria terminar essa série, então o resultado negativo dessa leitura forçada não foi nenhuma surpresa.
 Desde que "A Herdeira" foi lançada, eu ficava questionando o motivo pelo qual a autora resolveu alongar uma trilogia que já estava finalizada . Os três primeiros livros de "A Seleção" não podem ser considerados as "8ª Maravilhas do Mundo", mas eles foram legais e serviram de entretenimento para minhas férias há alguns anos atrás, então relevava todos os problemas da série e encarava essa trilogia como uma leitura despretensiosa.
 Então Kiera Cass quis mexer com quem estava quieto e inventou esse enredo repetitivo, envolvendo a filha da America com o Maxon e simplesmente a coisa toda não deu certo, pois a autora limitou-se a escrever mais do mesmo e ainda (creio eu visando o lucro das vendas) alongou um enredo vazio por dois desnecessários livros.
 Não queria soltar spoilers, porém eles serão necessários. Só continue nessa resenha se você já leu "A Coroa", caso contrário você descobrirá coisas que estragarão sua leitura, já que comentarei sobre o desfecho da obra.
  Em "A Herdeira" a autora apresentou aos leitores a premissa que embasaria essas duas novas obras. Eadlyn, a filha do nosso querido casal, deveria protagonizar sua própria "Seleção" com o intuito de distrair as massas ainda rebeldes e quem sabe conseguir um companheiro que a ajudaria na tarefa de reinar o país.
 Então, seguindo a mesma história da trilogia principal, novos rapazes são trazidos para o castelo e nossa mocinha (mimada e egocêntrica) deveria escolher entre eles. Porém, o livro "A Herdeira" começou e terminou sem um protagonista masculino para arrancar suspiros de Eadlyn ou dos leitores,
 Esperava-se que em "A Coroa" um personagem principal masculino ganhasse destaque, mas infelizmente isso também não aconteceu. O leitor foi obrigado a ler 200 páginas, para Eadlyn finalmente criar um instalove com Erik, que era o garoto intérprete de Henri.
 Em um momento de honestidade, confesso que nem lembrava mais da existência de Erik quando comecei a ler esse livro, pois minha mente tinha 100% de certeza que Eadlyn se casaria com Kile, o filho de Marlee. 
 Kile foi o único rapaz cuja a aparição eu lembrava, pois a autora deu uma ênfase maior em seu personagem o que me levou a acreditar que ele seria nosso protagonista. Portanto, achei bem sem graça quando nossa moça escolheu Erik, que era um personagem secundário praticamente nulo.
 Só após sua escolha estar definida, eu finalmente consegui entender o motivo pelo qual Erik foi "o escolhido": ele era o único rapaz cuja união com Eadlyn seria, tecnicamente, proibida. Portanto, como a falta de assunto para preencher o enredo era enorme, a autora usou e abusou desse amor impossível para preencher as 100 páginas restantes do livro (igual aluno que aumenta a letra para preencher o número de linhas estipulado em um redação escolar, sem importar-se com o conteúdo da mesma).
 O romance foi fraco e insuficiente; o enredo da obra era mais do mesmo; logo restava apenas trabalhar e melhorar a personalidade de princesa mimada de Eadlyn (já que isso era o único diferencial do livro). Para melhorar sua característica irritante, Kiera Cass joga outro clichê na cara do leitor ao mostrar o quanto as responsabilidades do dia-a-dia fizeram nossa protagonista ser uma pessoa melhor.
 Por mais que isso seja verdade, essa mudança de Eadlyn foi forçada demais (tipo, corre que o livro está acabando e é preciso mostrar a evolução da personagem) e ainda senti-me incomodada com as inúmeras "morais" e "frases de efeito" que a autora inseriu na narrativa (o que confirma o fato de eu não ser o público alvo dessa obra).
 Toda essa evolução de caráter, fez Maxon renunciar ao trono e Eadlyn ser a nova regente, o que foi uma péssima ideia, porque no final do livro deu a louca na garota e ela resolveu acabar com a monarquia sem consultar ninguém antes (mas tudo bem, pois ela fez isso visando beneficiar toda a nação já que agora ela não era mais uma pessoa egocêntrica e blá blá blá). 
 Ainda tentando inovar alguma coisa, Kiera Cass resolveu colocar um pseudo vilão no meio da narrativa. Marid entrou com a promessa de agitar as coisas e no final foi mais insignificante do que uma formiga (nota-se outra tentativa fracassada de alongar a narrativa para preencher espaço).
 Antes de concluir esse texto, quero reclamar de uma coisa boba, mas que sempre me irritou nos livros de "A Seleção": os nomes dos personagens. Sério, o apresentador do Jornal chama-se Gavril, o que sempre me fazia lembrar de nome de remédio estomacal; Marid não passava de um anagrama de Madri e até agora eu associo esse personagem com a capital da Espanha; Eadlyn ou Eady fazia-me recordar as matérias onlines da faculdade cuja sigla era sempre "Ead - Educação a Distância" e por assim vai. A cada nome novo, uma decepção.
 Não iria fazer resenha desse livro, pois escrever sobre ele é a mesma coisa que tentar tirar leite de pedra, mas como ele marca o desfecho da série resolvi deixar registrado a minha indignação com essa obra tão fraca e desnecessária (peço desculpas pela pobreza desse texto, mas redigir sobre essa obra é  realmente um verdadeiro desafio). 
 Acredito seriamente que se alguém tivesse dado o "fica a dica" para Kiera Cass de que não se faz sucesso escrevendo a mesma coisa duas vezes, todo esse sofrimento teria sido evitado e eu com certeza teria passado o domingo fazendo alguma coisa mais produtiva com o meu tempo livre.


Classificação: 1 de 5 estrelas.

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4 comentários

  1. Caramba, você não gostou mesmo! Eu nunca fui fã da Kiera e muito menos de distopias, eu não curti muito a Seleção mas comprei A Herdeira para ver o que dava. O último livro foi o que eu mais gostei da série toda, apesar de ser bem pacato e meio chato, gostei só pela evolução dos personagens e como sou uma romântica incurável, gostei do romance. Confesso também que detestei quando ela não ficou com Kile, afinal, eu tinha certeza que ele seria o tal abençoado, apesar deles se odiarem (iria virar mais um clichê, mas quem liga?), aí a autora me vem com um personagem que só ganha destaque no final da obra... sério! Foi meio banal e achei o envolvimento deles superficial e rápido demais. No entanto, terminei feliz a série.
    Abraços!
    Leitora Encantada

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    1. Oi Miriã, fico feliz que você conseguiu aproveitar a obra melhor do que eu. Pra dizer a verdade, gostei bastante da trilogia original dessa série e os livros que menos gostei foram "A Herdeira" e "A Coroa" rs Acho que nunca simpatizei muito com a Eadlyn e quando descobri que a moça não iria escolher o Kile, a decepção com essa obra aumentou ainda mais. Queria que a Kiera Cass trouxesse novos problemas e conflitos para essa obra, mas no final achei que ficou tudo muito repetitivo .\ Talvez o problema seja que eu já estou velha demais para as obras dessa autora ahaha
      Obg pela visita e pelo comentário .)

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  2. Eu ainda não li o livro, mas não me preocupo com spoilers, por isso li o post. Mas eu sinceramente, quando li A Herdeira, cogitei a possibilidade de um romance com o Erik, sério, várias cenas mostraram que isso seria uma coisa possível, mas eu tbm jurava q ela ia escolher o Kile. E esses nomes são péssimos mesmo. O que faltou de criatividade na história, sobrou nos nomes. Eu ainda vou ler o livro, mas vai ser que nem você, só pra acabar a série. Pelo menos os livros são curtos!
    :P

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    1. Oi Ana, então eu também senti durante a leitura de "A Herdeira" que a Eadlyn poderia ficar com o Erik e até mesmo o Henri, mas como meu favorito sempre foi o Kile eu meio que esqueci os outros rapazes (porque também acreditava q eles seriam apenas personagens secundários na narrativa). O único ponto positivo desse livro foi seu tamanho mesmo rs Li "A Coroa" em um final de semana e finalmente livrei-me da sensação de culpa que rondava minha consciência .D
      Obg pela visita e comentário ,)

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