Resenha: The Glittering Court | A Corte de Luz- Richelle Mead (The Glittering Court #1)

16.4.16


 Após meses de espera, finalmente "The Glittering Court" foi publicado (todos comemoram) e eu como fã declarada de Richelle Mead sai correndo (de uma maneira bem enlouquecida em direção ao computador) para ler esse livro o mais rápido possível.
 Caros leitores dessa resenha, antes de começar a escrever o texto quero deixar bem claro os seguintes fatos: 1º - essa resenha não terá spoilers (eba!); 2º - irei comparar em vários momentos essa obra com as séries "Vampire Academy" e "Bloodlines", pois eu adoro esses livros e  notei algumas semelhanças entre eles durante a leitura; e em 3º e último lugar sinto-me na obrigação de dizer que essa resenha será positiva (eba! duplo). Então vamos ser felizes e ir direto ao que nos interessa.
 "The Glittering Court" irá contar a história de Adelaide, a Condessa de Osfridian, que apesar do importante título de nobreza está falida. Após o recente falecimento de seus pais, a garota passou a viver com sua avó que está desesperada para arranjar um casamento entre a moça e algum nobre rico para que ambas possam sair do iminente estado de pobreza.
 Nem é preciso dizer que Adelaide não queria unir-se em sagrado matrimônio com nenhum aristocrata arrogante ou velho, apenas para manter sua riqueza. A moça tinha opiniões fortes e desejava mais do que tudo nessa vida poder ser livre das convenções impostas pela sociedade (sai cantando "I Want To Break Free" pelo vilarejo).
 Porém, como nem tudo é perfeito, a avó arruma um nobre bem tedioso para ser marido da pobre mocinha e quando tudo parecia sem solução eis que Cedric Thorn aparece na vida de nossa Condessa. Eu quero um minuto de silêncio pela perfeição moral e física que é Cedric, leiam a descrição do rapaz:

"The man also straightened, turning to look at me. As he did, the images I'd been building of some old, twisted scoundrel vanished. Well, maybe he was a scoundrel, but who was I to say? And the rest of him... my eyes burned at the sight of him. Deep auburn hair swept back in short, fashionable tail revealed a face with clean lines and high cheekbones. His eyes were an intense blue-gray, contrasting with skin tanned from being outdoor. That wasn't fashionable among nobles, but I could've deduced he wasn't one of us from a mile away"

 De volta a realidade, Cedric era morador de Adoria, local que fazia parte do "Novo Mundo". Nessa outra parte da cidade, a nobreza consistia de homens que obtinham riqueza por meio do próprio trabalho pesado e não de títulos passados através de uma linhagem sanguínea. Ou seja quem ganhava mais dinheiro por meio de seu emprego, era considerado um nobre em Adoria (Bom dia, Capitalismo).
 Porém esses aristocratas do "Novo Mundo" enfrentavam um problema gravíssimo que era a falta de esposas qualificadas para poderem se casar e expandir a população de sua região. Por ser uma terra recém colonizada, não havia moças cultas o suficiente para serem esposas desses importantes homens (muitos "selvagens" ainda habitavam por lá e poucas mulheres possuíam educação). 
 Em uma maneira de solucionar esse problema, Jasper Thorn (pai de Cedric) criou "The Glittering Court" que consistia em: levar moças que trabalhavam para a nobreza em Osfridian para uma escola em outro local da cidade e educá-las por 1 ano (educação digna de Rainha). Após esse período as garotas poderiam escolher se queriam casar-se com algum nobre ou ser independente e trabalhar em algum emprego que lhes foi selecionado.
  Caso a garota escolhesse a opção de se casar ela teria 3 meses para eleger um marido, ou seja tudo seria lindo e maravilhoso nesse "Novo Mundo". Agora de volta à Cedrid, o rapaz foi até a casa de Adelaide, na intenção de levar a criada Ada para fazer parte dessa "seleção" (sentiram o trocadilho?).
 Porém a pobre moça nunca chegou a fazer parte desse processo seletivo, uma fez que Adelaide assumiu a identidade da garota e partiu de cabeça erguida, rumo à "The Glittering Court" e sua liberdade (vamos ressaltar que Adelaide não deixou Ada desamparada e verdade seja dita a garota não estava nem um pouco animada com a ideia de ir para Adoria, então foi fácil fazer essa troca de identidades).
 E assim termina o resumo do livro, que ficou bem gigantesco e eu peço desculpas pela minha incapacidade de ser breve (prometo melhorar nesse quesito). No entanto, só de ler a sinopse da obra fica impossível não lembrar da série "A Seleção" da Kiera Cass, do seriado "Reign" e até mesmo dos livros de Victoria Aveyard como a "Rainha Vermelha".
 Sendo bem honesta, existe realmente aspectos semelhantes a todos esses livros e séries de televisão que foram citados acima e talvez esse seja o motivo pelo qual vários leitores (talvez a maioria deles) não tenham gostado dessa obra, já que se você ler esse livro comparando-o com outros do gênero a leitura ficará bem cansativa e tediosa.
 No meu caso que tenho um carinho especial pela a autora, não vi problemas com o enredo ou a história desenvolvida por ela e na minha opinião esse livro foi superior as outras distopias/fantasias que já foram criadas (nada contra os livros da Kiera Cass, li e gostei bastante deles).
 Algo na escrita de Richelle Mead sempre cativa minha atenção e durante a leitura eu fiquei encantada com o romance entre Cedric e Adelaide, além de me apegar a Mira e Tamsin (as garotas que tornaram-se melhores amigas da mocinha).
 O relacionamento do casal principal foi extremamente fofo e meigo, durante várias cenas lembrei-me de Rose e Dimitri assim como Sydney e Adrian (#romitri #sydrian). Como sempre costumo me focar na questão amorosa da obra, fiquei mais do que feliz por esse livro não ter tido um triângulo amoroso (Mead, sua linda). Além de adorar o equilíbrio e igualdade entre ambos, Cedric nunca tentou dominar Adelaide ou vice e versa e fazia tempo que não lia um romance jovem adulto onde os protagonistas são maduros.
 Diferente dos outros casais já criados pela autora, Cedric e Adelaide não tiveram tantas cenas 'picantes' como os outros (lembram a cena entre Rose e Dimitri com aquele colar no 1º livro?) e isso acabou deixando o livro bem juvenil, mas como estava em uma fase bem alegrinha (toda hippie, paz e amor) acabei nem me importando com esse fato e fiquei encantada com os diálogos cômicos e beijos roubados dos dois. 

"I feared someone had come to check on me, but to my astonishment, it was Cedric who entered. Remembering I was in my chemise, I promptly exclaimed, "Get out!" 
Startle, he jumped back and nearly obeyed me. The, curiosity must have won him over."Wait. Adelaide? What are you doing? Are you... are you..."
"Half-naked? I draped the overdress over me. "Yes. Yes, I am."
He shut the door, looking more curious than scandalized. "Actually, I was going to ask... are you sewing? Like with a needle and everything?

 Além da questão amorosa, adorei a elaboração dos personagens secundários como Mira e Tamsin que prometem muitas confusões nos próximos livros, as três meninas tinham traços  de personalidade bem definidos e cada uma evoluiu a sua maneira no decorrer da narrativa.
 Diferente da "Seleção" de Kiera Cass, a autora não focou-se no drama entre garotas que quase saem no tapa por estarem disputando o mesmo homem e eu considerei isso uma evolução, a última coisa que precisamos nesse ambiente já machista é garotas más umas com as outras (vamos deixar claro que o livro não é imune a isso, porém o foco da autora não é esse).
 A exploração do "Novo Mundo" em Adoria também foi bem feita e várias vezes lembrei-me das aulas de história quando estudamos a colonização do Brasil. É uma nova civilização nascendo, com povos distintos se misturando e interagindo com outros costumes e religiões e foi interessante ver como a autora abordou de uma maneira fictícia problemas reais que ocorreram durante a colonização de vários países.
 Há os hereges que fazem seus rituais escondidos, há aqueles de religião predominante e como sempre pessoas morriam defendendo suas crenças em épocas tão difíceis e pouco diversificadas. Todo esse "pano de fundo" faz a narrativa evoluir, o leitor não fica parado eternamente na seleção de garotas e bailes, o enredo avança, os personagens amadurecem e temos ainda um vilão para dificultar mais ainda a vida dos protagonistas.
 Como gosto de ser imparcial, preciso dizer que o livro tem alguns pontos negativos. A leitura, para aqueles que já estão acostumados com a escrita de Mead e também já leram livros do gênero, torna-se bem previsível. Todo capítulo acontecia alguma revelação bombástica, porém eu consegui antecipar a maioria das reviravoltas da narrativa, o que diminuiu um pouco minha empolgação.
 Além disso, em alguns momentos tive dificuldade em avançar na leitura (sabe quando você quer ler, mas o livro parece que não te ajuda?) e isso deixou a leitura cansativa durante alguns períodos, já que demorei um tempo excessivamente longo para finalizar a obra (isso foi um problema pessoal mesmo, pois cada um tem um ritmo de leitura diferente).
 O último problema que encontrei, é algo que sempre me incomoda e isso é a temática machista dessas obras. Esse mundo em que criam-se garotas educadas e bonitas para casarem-se com homens nobres irá me incomodar permanentemente e nem Mead foi imune a esse fato. Durante um momento especifico da obra, lembrei-me do poema "Navio Negreiro" de Castro Alves e isso incomodou-me bastante.
 Porém irei classificar esse livro com 4 estrelas (viu só como eu adoro essa autora?), pois ela conseguiu cumprir o que prometeu na premissa da obra e sua narrativa seguiu toda uma estrutura linear no decorrer da obra. o enredo tem um começo. meio e fim. Em nenhum momento o livro ficou estagnado e a autora ainda me ganhou completamente com a questão do romance.
 Peço a todos vocês que ignorem as inúmeras resenhas negativas desse livro e deem uma chance a "The Gliterring Court", especialmente se você é fã do seriado Reign (todo meu amor pela história de Mary Queen of Scots). 
 Vá com a mente e o coração aberto, não esperem nada épico como foi "Vampire Academy" ou "Bloodlines", porém estejam preparados para uma graciosa narrativa sobre meninas e meninos tentando quebrar os padrões da sociedade e encontrarem seu lugar no mundo como todo jovem faz, independente da época ou lugar (óbvio que descobrir-se na idade média ou no período regencial era bem mais legal do que hoje em dia, mas fazer o que né? é a triste realidade)


Classificação: 4 de 5 estrelas.

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