Resenha: Entre a Ruína e a Paixão - Sarah Maclean (O Clube dos Canalhas #3)

2.4.16


 Antes de começar a escrever qualquer coisa relacionada a esse livro, sinto-me na obrigação de fazer o seguinte aviso: Essa resenha não será muito positiva e minhas opiniões e críticas podem ofender a legião de leitores que adoraram a história de amor entre Mara e Temple, portanto se você pertence ao grupo de pessoas que adorou esse livro, te aconselho a não ler esse texto (afinal minha intenção é apenas expor e não impôr minha opinião sobre o romance). Aviso feito, vamos a breve sinopse da obra. 
 Em "Entre a ruína e a paixão" temos a história de Temple, o lutador oficial do Anjo Caído. Diferente dos outros rapazes que lá trabalham, o herói da narrativa era conhecido antigamente como William e possuía um ducado que tornava-o em um dos membro mais importante da aristocracia. Porém, após acordar nu e coberto de sangue em uma cama desconhecida, o rapaz perdeu seu famoso status de "duque" para transformar-se em um assassino temido por toda a sociedade.
 Esse episódio aconteceu quando o garoto tinha 18 anos de idade e nenhuma lembrança do ocorrido, pois havia sido drogado por alguém que gostaria de incriminá-lo facilmente. Como os fatos não poderiam ser mudados, William virou Temple e ficou novamente famoso por suas habilidades como lutador, porém sem nunca perder o título de "Duque Assassino" imposto pela sociedade. 
 12 anos após o incidente, Temple recebe a inesperada visita de Mara Lowe, conhecida também como a garota que ele havia assassinado. Mara apresenta-se para o homem na intenção de comprovar sua inocência, porém a sua revelação à sociedade teria um preço alto, já que a Srta. Lowe fez um acordo financeiro bem generoso em troca de sua cooperação.
 E assim termina o enredo do livro e basicamente toda sua história, já que do início ao fim esse é o único problema existente nessa obra. A finalização da sinopse nos leva agora a melhor parte dessa resenha: a opinião pessoal e a justificativa do motivo pelo qual eu quis matar Mara estrangulada e quase abandonar esse livro inúmeras vezes.
  Mara é a perfeita mocinha arrogante e sem noção. No meu ponto de vista, dentro do meu mundo e das minhas experiências (vamos reforçar o fato de isso ser uma opinião pessoal), quando uma pessoa faz algo errado ela pede desculpas e tenta remediar a situação da melhor maneira possível (afinal ela é a errada da história).
 Pergunta: O que Mara, a pessoa que incriminou Temple injustamente, faz no reencontro de ambos? Resposta: Ela chantageia o rapaz, dizendo que vai fazer tudo o que ele quiser, apenas se ele concordar em pagar à ela por seus favores e ainda liquidar a dívida imensa que seu irmão possuía em seu cassino. 
 Bia diz à Mara (na maior tranquilidade, porque isso aconteceu no começo do livro): "Amiga, você sabe que está errada, certo? Você fez o cara perder toda sua fortuna e privilégio, fez ele transformar-se em outra pessoa para sobreviver e mesmo assim quer que ele te pague pelo simples prazer da sua companhia? Alguém já lhe disse que você está um pouco sem noção?"
 Meu diálogo mental não resolveu muita coisa (óbvio que eu não poderia mudar o que já estava impresso com o poder da mente) e Mara continuou com seus absurdos. Em uma forma de justificar os constantes pedidos de dinheiro que Mara fazia à Temple, a autora nos mostra o orfanato que a Srta. Lowe comanda e a infeliz situação dos garotos que lá residem, devido a falta de riqueza.
 Antes de ser chamada de bruxa sem coração, quero deixar claro que os meninos do orfanato e a porca Lavanda foram o ponto alto dessa narrativa. As crianças e a porca eram simplesmente adoráveis, me diverti em todas as vezes que eles apareceram e morri de dó deles por não terem um simples pedaço de carvão para se aquecerem no inverno. Se esse grupo tivesse uma maior aparição no decorrer da narrativa, com certeza eu ficaria bem menos irritada durante a leitura.
 Ao avançar na obra, nota-se que o desejo de vingança e destruição de Temple vai desaparecendo gradativamente ao apaixonar-se por Mara. Temple foi um mocinho difícil de amar (de novo, dificuldade pessoal), o rapaz tinha boas qualidades e como prova disso, vemos o rapaz aceitar e desistir de várias coisas quando começa a gostar de Mara.
 Em resumo, nosso lutador não tem defeito, porém eu achei ele um pouco passivo demais (ele não tem defeito, mas a Bia encontra um mesmo assim). Me incomodou a facilidade com a qual ele aceitou Mara em sua vida e todas as bobagens que ela fez. A moça usava e abusava da paciência de qualquer ser humano e eu senti dificuldade em aceitar o fato de Temple não ficar tão incomodado por ela ter transformado completamente sua vida. 
 No final da narrativa, quando tudo é festa e já estamos nos encaminhando para o final feliz, o casal protagonista perde um pouco a graça. A sensação que tive, durante todo o livro, foi de que estava assistido algum filme onde os atores principais não tinham a menor química ou entrosamento (culpo novamente a Mara por isso, ninguém conseguiria ter algum tipo de relacionamento empolgante com essa mulher).
 Ainda no quesito "química amorosa", vale destacar que a autora apimentou mais os encontros sexuais desse casal, o que diferenciou um pouco a obra dos livros anteriores da série. Talvez o maior detalhamento sexual seja uma intenção de ajudar a criar um relacionamento mais envolvente e sedutor entre os protagonistas (mesmo assim eu não consegui sentir o amor, desculpa sociedade).
 A leitura estava lenta, sem grandes acontecimento, porém quando eu cheguei nas páginas 160-170 eu demorei quase uma semana para conseguir avançar no livro, pois foi nesse momento do enredo que Mara vai bancar a gostosona e prejudica mais ainda o Temple, colocando-o em uma situação na qual ele não pode vencer, me deixando tão irritada que pensei até em abandonar o livro.
 A cena do ringue, foi a mais revoltante da história e eu torci igual louca para alguém (o Bourne ou o Cross) dar uma bela lição em Mara. Até os homens dos outros livros queriam matar a mocinha, o que me deixou super feliz de perceber que eu não estava sozinha nesse mundo.
 Quando finalmente ultrapassei essa cena o livro ficou empacado no único dilema de relembrar Temple sobre a noite do acidente. Mara jurava que tinha feito o que fez (sinta a redundância) por um bom motivo, mas só contaria isso com o preço certo. Então o mistério do livro seria descobrir qual era a razão pela qual ela incriminou alguém e sinceramente o motivo era tão óbvio que não entendi porque a autora ainda fez suspense em torno dele (ao ler o prólogo o leitor já descobre tudo).
 Então quando todos os mistérios são esclarecidos, o leitor percebe que passou 300 folhas lendo uma história que não foi pra lugar nenhum. Não teve conflito paralelo; não houve um vilão (porque sinceramente o irmão dela era tão bobão que eu não considerei ele como um antagonista);o único problema era revelar ou não Mara para a sociedade enquanto a garota extorquia todo o dinheiro de Temple por informação que ela era praticamente obrigada a oferecer.
 Bia diz (já sem paciência, no final da narrativa): "Mara, você poderia ter contado que precisava de dinheiro para o orfanato. Você poderia ter pedido um preço para se relevar e seguido em frente. Temple iria te ajudar".
 O problema foi que a autora teve uma boa ideia, porém falhou em executar. Vocês me desculpem, mas eu não tenho paciência para ler uma mulher de quase trinta anos fazendo chantagem e frescura para falar uma informação de pouca relevância para a narrativa. Afinal o motivo dela ter feito tudo aquilo há 12 anos atrás, não irá mudar o presente. 
 Bia pedindo mentalmente a autora: "Sarah Maclean, por favor, escreva livros cômicos como foi "Entre a Culpa e o Desejo". Não há nada melhor do que se divertir com moças inteligentes e puras de coração".
 Eu entendo o motivo de várias pessoas gostarem do livro, pois se você lê de uma maneira normal e descompromissada o livro serve como uma bela distração. No meu caso eu não consegui "desligar" a mente e focar-me na obra, fiquei tão entediada em alguns momentos durante a leitura que pegava-me pensando no valor do dólar; na crise do país ou o que iria acontecer com Castiel na 8º temporada de Supernatural (sem spoilers que ainda não cheguei na 11ª temporada da série).
 Talvez a culpa de não ter aproveitado melhor a leitura, seja única e exclusivamente minha, pois claramente não estava no melhor dos humores para ler um romance de época. No entanto, nem atingindo o nirvana eu teria tido paciência com Mara. Ou você ama ou odeia a Srta. Lowe e por fazer parte da última categoria, esse livro infelizmente ficará classificado com 2 de 5 estrelas.
 Em um último adendo, o que pode ter dificultado ainda mais a leitura, foi o fato de eu ter lido a sinopse do 4º livro da série "Nunca julgue uma dama pela aparência" e ter descoberto o segredo de Chase o que acabou me deixando mais contrariada ainda, pois até agora não aceitei muito bem esse fato. Veremos como será sua história no próximo livro e que fique a dica para ninguém cometer o mesmo erro que eu.


Classificação: 2 de 5 estrelas (1 estrela vai para Lavanda e 1 estrela vai para os garotos do orfanato)


Leia toda a positividade das resenhas do 1º e 2º livro dessa série clicando nos links abaixo:

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