Resenha: Um Perfeito Cavalheiro - Julia Quin (Os Bridgertons #3)

22.3.16


 Senhoras e Senhores, leitores dessa humilde resenha, que fique registrado para conhecimento universal as seguintes constatações: 1º É ASSIM QUE UM ROMANCE DE ÉPOCA DEVE SER ESCRITO e 2º JULIA QUINN É RAINHA UNIVERSAL DESSE GÊNERO.
 Se por algum motivo desconhecido, você ainda não leu "O Duque e Eu" ou "O Visconde que Me Amava", espero poder te convencer no decorrer desse texto a ler uma das melhores séries de romance que o universo já viu (nota-se que eu não irei me controlar durante essa resenha, porque tenho muito amor guardado no meu coração).
 Antes de todos os elogios e declarações românticas à autora, vamos ao resumo da obra. Em "Um Perfeito Cavalheiro" temos a história de Benedict Bridgerton, o famoso "filho número dois" da família Bridgerton. 
 Assim como todos os seus irmãos, nosso mocinho também enfrentava a pressão da mãe para casar-se rapidamente e estabelecer sua própria família, só que o bondoso rapaz não tinha interesse por nenhuma garota de seu ciclo social e limitava cada vez mais suas interações nos bailes e festas organizados pela matriarca.
 Porém em um baile de máscaras oferecido na Casa dos Bridgertons, Benedict finalmente encontra sua alma gêmea. Uma misteriosa dama trajando um vestido prateado roubou toda a capacidade de raciocínio lógico do rapaz, fazendo-o apaixonar-se imediatamente por sua personalidade vibrante e corpo curvilíneo.
 No entanto a alegria e esperança de nosso herói durou poucas horas, pois quando o relógio soou meia-noite, a dama mascarada fugiu de seus braços sem sequer dizer-lhe seu nome. Desesperado para encontrá-la novamente, Benedict lembra-se que a garota esqueceu um par de luvas com ele e utilizando essa única peça, o moço inicia sua interminável busca pela mulher que roubou seu coração.
 Mal sabia o mocinho que a dama do vestido prateado estava longe de ser a garota aristocrática perfeita. Sophie Beckett era simplesmente a filha bastarda de um conde, sendo conhecida atualmente como mais um membro da criadagem da Penwood Park.
 Após 20 anos sujeitando-se a todo tipo de trabalho escravo dentro da mansão mantida por sua madrasta Araminta, Sophie (com a ajuda das outras empregadas) teve a oportunidade de viver uma única noite mágica ao entrar indevidamente no baile da família Bridgerton para dançar e se apaixonar perdidamente por Benedict (seu verdadeiro príncipe encantado). 
 Porém viver de sonhos e ilusões mostrou ser mais fácil do que encarar a triste realidade, uma vez que Sophie reencontra Benedict, após três anos de sua fuga durante o baile, e o rapaz simplesmente não a reconhece. Para piorar ainda mais a situação, ambos se apaixonam novamente e nosso herói pede à garota que ela se torne sua amante, já que seria impossível eles se casarem sendo de classes diferentes.
 Em uma adaptação do clássico conto de fadas "Cinderela", Julia Quinn cria com maestria um dos melhores romances de época já escritos. Agora finalmente chegou a hora de você colocar Bibbidi-Bobbidi-Boo para tocar e ser feliz comigo nos parágrafos seguintes, pois não consigo mais controlar o entusiasmo.

 "Sophie não o vira quando entrara no salão, mas sentira que havia algo mágico no ar. E quando ele surgira diante dela, como um príncipe de conto de fadas, de algum modo ela soube que ele tinha sido o motivo pelo qual ela entrara no baile de forma furtiva.
Era alto, e o que podia ver de seu rosto era muito bonito, com lábios sorridentes que tinham uma sugestão de ironia e a barba começando a nascer. Os cabelos eram castanho-escuros e a luz bruxuleante das velas lhes conferiam um leve tom avermelhado (...) Era bonito e forte e, por aquela única noite, seria dela"

 Honestamente estava um pouco receosa com o fato desse livro ser uma adaptação de Cinderela, não que eu não goste dessa história, mas verdade seja dita: Deve ter mais de 10 filmes sobre esse conto e a cada nova adaptação cinematográfica a fábula piora (é Cinderela perdendo celular; ipod; iphone; mp3 player; sapato e etc. Como diz o dito popular "só não perde a cabeça porque está grudada no pescoço").
 Como confio cegamente em Julia Quinn, fui de coração aberto ler qual seria a sua versão da história e mais uma vez a autora conseguiu transformar algo que já foi extremamente explorado em uma narrativa encantadora.
 O livro foi dividido em partes, a 1ª conta basicamente sobre a infância de Sophie com sua madrasta e suas meias-irmãs malvadas Rosamund e Posy; sua adolescência sendo explorada dentro da mansão e finalmente a vida adulta na qual as empregadas a fantasiam para ir no baile de máscaras. Já a 2ª parte é limitada ao relacionamento de Sophie com Benedict e todos os outros membros da família Bridgerton.
 Por mais conhecido que a primeira parte do enredo seja, senti-me flutuando e rodopiando junto de Sophie e Benedict nas cenas das valsas e conversas durante o baile. O que mais chamou minha atenção foi o fato da autora ter conseguido criar uma história mágica sem ter utilizado nenhum elemento sobrenatural durante a narrativa, todo o ambiente de contos de fadas foi construído com base nos diálogos e interação entre os protagonistas.
 A química entre o casal foi tão perfeita que o leitor era atraído por esse ambiente como se também estivesse participando da ação, tamanho era o envolvimento proporcionado pela escrita de Julia Quinn que diferente de outras autoras não teve medo de explorar páginas e páginas de convívio e relacionamento entre os protagonistas.
 A autora acerta ao utilizar quase 150 páginas de puros diálogos entre Sophie e Benedict, pois é isso que constrói um romance: a intimidade do casal. Não tem nada mais prazeroso do que ler Sophie tentar resistir as provocações de Benedict e vice e versa; além de lermos as piadas internas que vão tomando conta do relacionamento e notar a progressão dos sentimentos dos protagonistas um pelo outro. 
 Diferente de vários outros romances de época, não há em "Um Perfeito Cavalheiro" aquele desespero desenfreado de Benedict para dormir com Sophie, óbvio que o rapaz tenta a todo momento seduzir a moça, porém ele não se transforma em um adolescente cujos desejos não podem ser controlados. Nota-se o interesse do mocinho em conhecer a garota; em falar com ela e vê-la como um ser humano (obrigada Benedict por salvar a pátria).
 Vou ser extremamente redundante, porém nada ganha mais meu coração do que romances que giram em torno do romance e não do sexo. Em um pequeno desabafo literário, confesso que estou cansada de ler livros onde as autoras inventam qualquer situação bobinha para fazer a moça entregar-se repetidamente ao rapaz, limitando o enredo do livro unicamente ao relacionamento físico.
 Ficou mais do que óbvio que Benedict (com seus pensamentos e ações) ganhou meu favoritismo, porém Sophie também me conquistou. A garota não tinha nada a perder: era pobre; não tinha família e sinceramente suas perspectivas de futuro eram aterrorizantes. E mesmo com o universo conspirando contra sua felicidade a moça não aceitou o pedido de ser amante de Benedict e só com esse simples fato ela foi parar no topo da lista de "melhor mocinha de romance de época".
 Nada estava me irritando mais nesse gênero do que mulheres de 22/23 anos de idade desesperadas para terem uma aventura sexual pois acreditavam que estavam velha demais e a vida tinha acabado. Sophie faz exatamente aquilo que eu sempre quis que uma mocinha fizesse: ela se valorizou. O mundo estava desabando, mas a garota estava sempre com um sorriso no rosto e seus princípios na ponta da língua (beijo de homem nenhum fez essa garota se transformar em boba - high five Sophie).
 Além dos perfeitos mocinhos, nesse livro temos também um maior aparecimento dos irmãos menores da família Bridgerton; além de Violet (mãe de todos esses seres humanos lindos) também dar um verdadeiro show sempre que falava alguma coisa (Bia diz: VIOLET ME ADOTE TAMBÉM. EU CASO COM QUALQUER BRIDGERTON DISPONÍVEL) 

"Quarenta e cinco minutos mais tarde. Benedict encontrava-se atirado na poltrona com os olhos vidrados. De vez em quando, precisava parar para se certificar de que não estava com a boca aberta.
Eis quão entediante estava a conversa com a mãe.
A jovem sobre quem ela queria lhe falar era, na verdade, sete jovens, cada uma das quais melhor do que a outra, segundo Violet.
Benedict achou que fosse enlouquecer. Bem ali, na sala de estar da mãe, ficaria louco de pedra. Saltaria da poltrona de repente e cairia no chão em meio a um ataque, sacudindo braços e pernas e espumando pela boca..."

 Com diálogos inteligentes e ao mesmo tempo cômicos; personagens perfeitos e um enredo e narrativa impecáveis; pode-se dizer que Julia Quinn criou uma obra magistral. "Um Perfeito Cavalheiro" entrou para a minha lista de favoritos (finalmente um livro conseguiu tornar-se meu favorito), ganhando 5 estrelas em sua classificação final.
 Estou morrendo de curiosidade para ler sobre Colin e Penelope em "Os Segredos de Colin Bridgerton", já que o terceiro filho sempre foi o meu favorito (e espero que ele não me desaponte).
 Como já devo ter dito um milhão de vezes nessa resenha, espero que todos vocês leiam essa série da Julia Quinn. Esses livros sempre cumpriram a missão de divertir-me e até mesmo restaurar um pouquinho minha fé em contos de fada e amores que ultrapassam quaisquer barreiras.


Classificação: 5 de 5 estrelas + <3 (favorito).

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4 comentários

  1. Estou amando essa série <3 Julia Quinn arrasa!
    Esse é uma das minhas próximas leituras, e pelo que li, não vou me decepcionar.
    Beijo! ^^
    - @quaseoutono

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    1. Oi Agatha, com certeza você não irá se decepcionar com Benedict <33 Esse livro é mais do que perfeito, assim como todos os outros da série. Obrigada pela visita e pelo comentário .) Beijos

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  2. Oi Beatriz,
    Adorei esse livro, foi um dos meus favoritos até agora.
    O do Colin também é maravilhoso ♥
    Esses Bridgertons são tão ♥
    Adorei o seu blog ♥
    Ganhou mais uma seguidora *-*
    Bjs
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    1. Oi Jessica, fico feliz que você gostou do livro do Colin (estou ansiosa por sua história <3). Obg pelo comentário e por seguir o blog .D
      Beijos

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