Resenha: Ligeiramente Maliciosos (Os Bedwyns #2) - Mary Balogh

1.2.16


 Dando continuidade à leitura da série "Os Bedwyns" de Mary Balogh, eis que finalmente resolvi ler "Ligeiramente Maliciosos" para aventurar-me outra vez com os romance dessa família e acompanhar nessa obra a história de amor entre Judith Law e Rannulf Bedwyn.
 O segundo livro da série, irá retratar de maneira pouco tradicional o encontro da Srta. Law com o jovem Rannulf. A moça estava viajando em uma diligência com destino a casa de sua tia Effingham, quando a carruagem praticamente despedaça em um acidente que deixa nossa pobre moça à beira da estrada com um bando de desconhecidos.
 Por sorte o rapaz Bedwyn também estava realizando à cavalo o mesmo trajeto que Judith, a única diferença era que o moço estava a caminho da residência de sua avó, porém sua cavalgada foi interrompida ao deparar-se com passageiros desesperados no meio da estrada pedindo ajuda.
 Sem saber o que fazer ou a quem socorrer primeiro, nosso esperto mocinho chega a brilhante decisão de convidar Judith à subir em seu cavalo e juntos irem à estadia mais próxima até alguém conseguir consertar a diligência e o tempo melhorar para prosseguir viagem, pois além do acidente as estradas estavam intransitáveis devido à chuva constante.
 A desiludida, porém sonhadora, mocinha de 22 anos resolve embarcar nessa que seria considerada sua primeira e última aventura antes de viver eternamente como uma parente pobre e explorada na casa de sua tia, pois sua família tinha uma dívida tão colossal que seu pai praticamente vendeu a garota como empregada à sua irmã rica em troca de ajuda financeira.
 Problemas à parte nosso casal tem uma atração instantânea, porém como ambos são espertos eles apresentam-se com nomes falsos de maneira a não se comprometerem nesse caso de uma só noite. Judith muda seu nome para Claire Campbell e assume a personalidade de uma atriz e possível cortesã, enquanto Rannulf diz ser Ralf Bedard e praticamente não revela quase nenhuma informação verídica sobre si.
 Juntos eles embarcam rapidamente em uma aventura sexual e quando Rannulf já estava meio apaixonado pela moça e propõe que eles viajem juntos mais alguns dias para aproveitar a companhia um do outro, Judith foge dos braços do homem para enfrentar sozinha seus sombrios dias como empregada da tia.
 O que ambos não contavam era que a casa da avó de Rannulf e a residência da Sra. Effingham fossem próximas e o pior de tudo era que Bedwyn, a pedido de sua avó, deveria cortejar a adorável prima de Judith.
 Os amantes que nunca mais deveriam se encontrar são obrigados a conviverem juntos novamente e todas as mentiras e segredos que foram ditos e escondidos irão ser relevados conforme Judith e Rannulf lutam contra o desejo que os uniu desde o começo.
 "Ligeiramente Maliciosos" foi um bom livro, porém a obra não me cativou tanto quanto o primeiro volume ("Ligeiramente Casados") e como sempre prometo justificar os pontos que me incomodaram um pouco na narrativa, assim como também prometo falar os elementos que gostei, já que essa não é uma resenha negativa.
 Essa obra de Mary Balogh foi difícil de analisar, pois ao mesmo tempo que o livro apresentava todos os elementos que adoro nos romances de época, senti que a autora errou na criação da personalidade de Judith e esse fato incomodou-me durante a leitura.
 Primeiramente focarei-me nos problemas negativos do livro, pois preciso urgentemente fazer esse desabafo literário, para depois citar os pontos positivos. Portanto vamos ao problema inicial da obra que foi o enredo: Judith era membro de uma família extremamente religiosa, cresceu oprimida por seus pais que sempre a julgavam impura devido a cor de seus cabelos ruivos e suas curvas que "tentavam" os homens.
 É compreensível que a garota após ter seu destino selado como uma empregada de luxo para sua tia rica, suba sem pestanejar no cavalo de Rannulf quando eles se encontram na estrada, porém eu tive dificuldades com esse momento e as justificativas utilizadas pela autora para fazer a mocinha entregar-se logo na página trinta do romance.
 Eu entendo que o futuro era um local obscuro; a família da moça era pobre; ela já havia passado da idade de debutar e as chances de casamento seriam inexistentes; contudo me doí no coração ler um livro que a garota tem quase minha idade e está desesperadamente se jogando nos braços do primeiro homem mais bonitinho que vê, pois precisa ter uma lembrança boa quando os dias de servente forem difíceis demais para aguentar.
 Isso é uma implicação pessoal minha, tenho certeza absoluta que à maioria dos leitores não focaram-se nesse fato, porém eu não acredito que ter uma experiência sexual com um estranho é uma lembrança tão memorável assim e a desesperança da moça combinada com sua baixa autoestima me fizeram desgostar um pouco dela.
 Relevei esse problema e prossegui na leitura, afinal a escrita da autora estava bem melhor que no primeiro livro da série. Ao chegar na página 94 e 95 descobri que Judith ainda tinha esperanças, a garota simplesmente protagonizou o melhor dialogo feminista dos romances de época, mostrando-se inteligente e esclarecida com relação ao que esperava da vida (leiam essas páginas e guardem esse diálogo, pois ele merece um prêmio de tão bem executado). 
 Eis quando já estava dando um voto de confiança à moça ela me surge novamente com um problema de autoestima que contradizia todas as sua falas sobre a posição da mulher na sociedade. Após defender que as mulheres também sentem desejos e que ela não quer ser esposa de ninguém para honrar as regras da sociedade, Judith só então resolve acreditar em sua beleza física quando Rannulf diz com todas as letras que ela era bonita.
 Tudo é compreensível, óbvio que a moça não acredita ser linda já que passou a vida toda sendo tratada como o "patinho feio" da família, mas a autora se contradiz demais ao fazer a mocinha dizer uma coisa e agir de modo diferente. Foi essa discrepância que me fez finalizar a obra com certo desapego pela mocinha.
 Mary Balogh realmente inovou com esse obra, pois ela fez um enredo "de trás para a frente" e com papéis invertidos, já que o sexo ocorre no início e o mocinho aparentemente apaixona-se primeiro e chega inclusive a sofrer por esse amor. A ideia da autora em brincar com a ordem cronológica da obra é boa, porém acredito que esse fato seja o culpado pelos problemas de personalidade da mocinha.
 Agora  vamos aos pontos positivos (finalmente). Como disse em algum parágrafo anterior a escrita da autora realmente melhorou nesse livro, Balogh não teve medo de suavizar um pouco seu modo de escrever e o romance tornou-se mais leve e até mesmo cômico, todavia sem perder seu característico tom de ironia.
 Diferente da protagonista, Rannulf foi um personagem bem desenvolvido e que conseguiu evoluir na narrativa. Apesar de ter as características arrogantes da família Bedwyn, o rapaz que inicialmente era um bon vivant adquiriu experiências valiosas com sua avó e até mesmo com Judith, fazendo-o amadurecer e portar-se de uma maneira melhor. 
 Ele não é o homem perfeito; nem o melhor mocinho de romance de época, contudo as ações do rapaz mais essa descrição física foram suficientes para ele ganhar meu respeito: "Ele era um homem alto, de constituição sólida. Os cabelos, como Judith podia ver agora que ele tirara o chapéu, eram realmente ondulados, além de grossos e claros, e quase tocavam os ombros dele. Se alguém acrescentasse uma barba e um elmo com chifres àquele rosto, seria possível imaginá-lo parado na proa de um navio viking à frente de um ataque a algum vilarejo saxão sem sorte." .
 Além dos protagonistas, os antagonistas roubaram a cena. Julianne Effingham, a prima da mocinha, foi o exemplo de garota chata/vilã que todos os leitores querem estapear. Quando pensei que apenas a garota iria atrapalhar a vida de Judith, a autora apresenta Horace, um primo mil vezes pior no quesito vilão e por mais estranho que pareça eu adoro quando tem pessoas para atrapalhar um pouco a perfeição do romance, então fiquei feliz em ver a autora explorar os personagens malvados da trama.
 Para finalizar a parte positiva e também a resenha (que já está ficando gigantesca) confesso que adorei rever os outros membros da família Bedwyn. Wulf continua sendo meu irmão preferido e eu choro só de pensar que ele irá protagonizar o último livro da série. Freyja também ganhou um espaço no meu coração, ela foi muito mais amigável com Judith e realmente espero que seu livro "Ligeiramente Escandalosos" seja ótimo, pois torço para que a moça tenha um final feliz.
 Conclui-se então que se você for uma pessoa menos implicante do que eu, a leitura de "Ligeiramente Maliciosos" será extremamente prazerosa, pois Mary Balogh consegue juntar aventura, romance e baile (tem coisa mais legal do que ler cenas de baile?) em sua obra, tornando-a uma leitura obrigatória para os fãs do gênero.


Classificação: 3,5 de 5 estrelas.

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