Resenha: Uma Chama Entre As Cinzas (An Ember In The Ashes #1) - Sabaa Tahir

24.1.16


"Fear can be good, Laia. It can keep you alive. But don't let it control you. Don't let it sow doubts within you. When the fear takes over, use the only thing more powerful, more indestructible, to fight: your spirit. Your heart."

 "Uma Chama Entre As Cinzas" de Sabaa Tahir era um livro que prometia restaurar minha fé nas obras do gênero jovem adulto/distopias. Com sua sinopse repleta de elementos que eu absolutamente adoro (reconstituição da época medieval, guerreiros de armadura, lutas constantes e outras coisas do tipo), comprei a obra em inglês logo após seu lançamento e devo dizer que não me arrependi dessa aquisição.
 O enredo criado por Sabaa Tahir conta a história de Laia, uma garota pertencente a classe dos Eruditos que morava com seus avôs e irmão em uma simples casa afastada da Academia Militar Blackliff. Sobrevivendo e seguindo as ordens tirânicas do Império Marcial a menina surpreende-se ao encontrar soldados invadindo sua casa à procura de seu irmão mais velho que estava sendo acusado de traição por trabalhar com os membros da Resistência.
 Durante a batida noturna, Laia vivência a traumatizante e cruel experiência de observar o aprisionamento de seu irmão mais velho Darin junto com a morte de seus entes queridos. E esses são os fatos que fazem a garota fugir de sua antiga moradia para salvar-se dos soldados Marciais e arquitetar um plano de resgate à Darin.
 Perdida nas catacumbas do deserto que marcam a cidade, Laia encontra um grupo de rebeldes que fazem parte da Resistência e pede ajuda à eles para salvar seu irmão, porém como nenhum integrante do grupo está disposto a arriscar sua vida numa missão suicida, Mazen (o líder dos rebeldes) diz que só irá salvar Darin se a garota trabalhar para ele como espiã dentro da Academia Militar Blackliff.
 Falsamente vendida como escrava, Laia inicia suas atividades como serva submissa da Comandante mais tirana do Império e apesar das dificuldades encontradas é dentro da Academia que a garota conhece Elias, um dos soldados mascarados que irá ser essencial para realizar a missão de Laia.
 Narrado sobre o ponto de vista de Elias e Laia, a narrativa proporciona um conhecimento amplo sobre a situação de vida dos colonizadores que dominam o Império sobre os colonizados que são tratados de modo geral como escravos.
 Sem medo de escrever cenas de tortura, guerras ou perdas, Sabaa Tahir não subestima  a inteligência do leitor e cria uma obra praticamente perfeita em termos de fantasia/distopia. Mesmo quem não é fã dessa temática brutal deveria dar uma chance à esse livro para surtar e hiperventilar comigo nos parágrafos a seguir (não consigo mais controlar minha fangirl interna).
 Resenhar livros que gosto é um enorme desafio, pois minha vontade é escrever uns dez parágrafos apenas com essas frases do tipo: "O livro é tão bom. Por favor leia-o. Já te disse que o livro é bom e você deveria lê-lo?".
 Portanto, antes de tentar justificar seriamente a obra, deveria dizer que o principal motivo por ter ficado fascinada com "Uma Chama Entre As Cinzas" deve-se ao fato de adorar (e hiperventilar) com histórias medievais que apresentam romance, mocinhas ferozes e guerreiros de armadura lutando por um pedaço de terra (I regret nothing).
 Consequentemente só a premissa da obra já tinha despertado meu favoritismo, porém o livro superou as expectativas e apesar de não ser tão medieval, Sabaa Tahir conseguiu resgatar essa temática esquecida pela literatura.
 Logo na primeira parte da obra foi possível notar que a autora iria cumprir tudo o que foi prometido na sinopse, o pânico de Laia ao deparar-se com o soldados mascarados não era infundado já que é exemplificado claramente ao leitor toda a barbaridade que esses treinados guerreiros são capazes de fazer em nome do Imperador. Nossa heroína caracteriza perfeitamente todas as consequências que as pessoas Eruditas sofriam, já que a garota também havia perdido seus pais e irmã durante a constante dominação desse povo.
 Com uma boa caracterização do Império, seus lideres e regras o leitor é rapidamente convencido sobre como aquele mundo funcionava, portanto quando o segundo capítulo narrado por Elias é apresentado, fica compreensível a vontade do garoto em querer abandonar a impetuosa Academia Blackliff.
 Cansado dos horrores das lutas e guerra, Elias esperava ansiosamente o dia de sua formatura com um plano perfeitamente articulado em sua mente para escapar daquele ambiente que estava transformando-o em um ser irracional, porém sua preocupação com Helene fazia o garoto hesitar em sua decisão.
 Helene é a única mulher presente entre os soldados e o motivo disso é desconhecido por todos, já que os Adivinhos nunca explicaram o motivo de escolher alguém do sexo feminino para transformar em guerreiro. A moça que deveria ser uma personagem secundária, ganhou todo meu carinho e atenção assim que apareceu na narrativa, pois ela representava todo o girlpower que estava faltando na obra.

 "Helene might be the only girl here, but there's a reason she's ranked third in our class. It's the same reason that bullies learned early on to leave her alone. She's clever, swift, and ruthless.
Now, in her black uniform, with her shining braid encircling her head like a crown, she's as beautiful as winter's first snow. I watch her long fingers at her nape, watch her lick her lips. I wonder what it would be like to kiss that mouth, to push her to the window and press my body against hers, to pull out the pins in her hair, to feel its softness between my fingers"

 Elias tinha sentimentos confusos por Helene e durante toda a narrativa, ambos apresentavam uma espécie de romance mal resolvido. Esse fato talvez foi o que mais me incomodou no decorrer da leitura por dois motivos: 1º - Helene completava o "quadrado amoroso" criado pela autora e 2º - A personalidade de Elias era levemente irritante.
 Vamos aos comentários sobre o primeiro motivo: No primeiro capítulo Laia conhece Keenan, um ruivo bonitinho que é membro da Resistência, óbvio que a garota já ficou interessada (afinal ruivo é uma raridade ultimamente, eu no lugar dela também ficaria encantada). Não contente em criar um triângulo amoroso, a autora apresenta Helene no segundo capítulo e forma-se então a confusão de sentimentos (feelings everywhere).
 Nada contra múltiplos romances, mas o único momento que Sabaa Tahir errou foi no quesito amoroso, já que a questão distópica foi bem construída. O leitor não sabia se torcia para Keenan e Laia, Laia e Elias, Elias e Helene, pois ficou algo muito confuso e bagunçado.
 Durante a leitura acreditei mais no romance entre Elias e Helene e acredito que a autora desenvolveu e focou-se muito mais na história desse casal, deixando talvez o relacionamento entre Laia e Elias (que deveria ser o principal) esquecido. Em um momento de opinião pessoal confesso que não torço para nenhum relacionamento, justamente pelo problema número dois que citei nos parágrafos acima.
 Enquanto as moças ganharam minha simpatia, o mesmo não aconteceu com o protagonista. O garoto tem ideais nobres; quer fugir de toda injustiça que domina o Império; não quer transformar-se em um soldado desumano e vários outros sentimentos puros compreensíveis, porém quando o assunto é romance e mulheres o cérebro dele deve dar curto-circuito.
 Inúmeros conflitos ocorrerem durante a narrativa e Elias não interage muito com Laia, já que ela é uma escrava e ele um soldado, porém o garoto e Helene estão mais unidos e passavam juntos por todas as dificuldades criadas pelos Adivinhos e Império. Era de se esperar que o garoto teria uma lealdade maior por Helene, entretanto Elias protege muito mais Lais do que sua amiga de infância e eu por ter um favoritismo descarado com relação a Helene fiquei frustada com o protagonista.
 Contudo essa é a única falha do livro, mas caso você não simpatize com Helene isso nem será um problema. Dando uma pausa na exaltação sobre a garota, outros personagens também merecem destaque como Cook (cujo nome não sei na versão nacional) e Izzi que ajudam Laia com a Comandante.
 Já do lado de Elias, os Adivinhos, a própria Comandante e Marcus complementam perfeitamente todos os elementos que tornam a obra harmônica. Assim como o desfecho de cada capítulo deixa o leitor curioso para descobri o que irá acontecer, o final do livro praticamente me deixou com crise de ansiedade em saber que terei de esperar até agosto para o próximo volume ser lançado.
 Apesar de algumas semelhanças com outras obras em alguns aspectos, acredito que a escrita da autora trouxe uma originalidade que há muito não encontrava em obras do gênero jovem adulto. E depois de passar anos desiludida com os livros dessa categoria, finalmente encontrei uma luz no fim do túnel.


Classificação: 4 de 5 estrelas.

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3 comentários

  1. Olá!
    Meu Deus, que capa é essa? SENSACIONAL!
    Parabéns pela resenha. Deu informações ótimas sobre o livro, sem dar spoilers importantes :D

    Beijão
    Leitora Cretina

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  2. Oi, Beatriz!
    Gostei muito da sua resenha e me interessei bastante pelo livro. Preciso ler algumas distopias "modernas" pois as únicas lidas por mim até hoje são aquelas clássicas: 1984 e Admirável Mundo Novo.
    Também adoro Idade Média, guerreiros de armadura e lutas e o "quadrado amoroso" me deixou curiosa, apesar de concordar com você de que o leitor deve ficar um pouco confuso.
    Uma pena que não leio em inglês... Vou aguardar (e torcer por) um lançamento em português.
    Um beijo!
    Fê Cardoso
    http://www.baseadoemlivros.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Oi Fê, fico feliz que você gostou da resenha. Eu adoro ler distopias modernas e por isso acabo adiando a leitura de obras tão importantes como 1984. Se você gosta desse ambiente medieval, essa leitura é mais do que indicada .) E não precisa aguardar para ler esse livro em português, pois a editora Verus lançou a obra aqui no Brasil em outubro do ano passado, só digitar o título nacional "Uma Chama Entre As Cinzas" em qualquer livraria online que você encontra o livro .D Espero que se um dia ler a obra goste tanto quanto eu.

      Beijos

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