Resenha: Sr. Daniels - Brittainy C. Cherry

14.1.16


 O aclamado livro "Sr. Daniels" de Brittainy C. Cherry estava na minha lista de leitura desde a época de seu lançamento nos Estados Unidos e o motivo de tamanha vontade de ler esse livro deve-se aos inúmeros comentários positivos no Goodreads sobre como a obra é perfeita; maravilhosa; comovente e entre outros adjetivos qualificativos (já adianto que ao finalizar a leitura da obra discordei de todas essas qualidades).
 Esse livro encaixa-se no gênero literário "novo adulto" e portanto irá retratar a vida de Ashlyn Jennings, uma garota de 19 anos que acabou de perder sua irmã gêmea Gabby para o câncer. Completamente perdida, agora que está sem sua outra metade, Ashlyn ainda é forçada a adaptar-se a uma nova rotina, já que sua mãe envia a garota à Wisconsin para morar com seu ausente pai.
 Com raiva da mãe que a despachou logo após o falecimento da irmã e ódio do pai que nunca participou da sua vida, Ashlyn não acreditava mais em salvação ou em um mundo onde existisse alegria, porém sua percepção muda quando na estação de trem a caminho de seu novo lar ela encontra Daniel.
 O jovem rapaz de 22 anos, encanta a garota instantaneamente e logo em sua conversa inicial eles descobrem que amam Shakespeare e música, portanto Daniel convida Ashlyn para um bar onde sua banda intitulada "Romeo's Quest" geralmente se apresenta (porque além de ter os olhos azuis mais lindos do universo, ele também é músico e tem alma de poeta).
 Somente a distração de um belo moço, pode ajudar Ashlyn a manter-se calma, já que ao chegar em seu novo lar a menina descobre que seu pai casou-se novamente e junto com a madrasta, dois novos irmãos foram adicionados em sua família.
 Tendo que se habituar com uma nova cidade; casa; família; escola e a perda da irmã, Ashlyn entregou-se de completamente em seu primeiro encontro com Daniel no bar, junto eles passaram uma noite agradável e romântica, combinando de se encontrarem novamente na próxima semana.
 Porém os planos de iniciarem um namoro vão por água abaixo quando em seu primeiro dia de aula, Ashlyn descobre que sua alma gêmea é na realidade seu novo professor de língua inglesa, Sr. Daniels.
 Mesmo repleto de drama, amor, dilemas e resenhas positivas a obra de Brittainy C. Cherry não me agradou em nenhum momento da leitura, portanto os parágrafos a seguir serão negativos. Prometo fundamentar todos os motivos que me desagradaram de modo a explicar claramente a razão da baixa classificação que darei à esse livro.
 O gênero literário "novo adulto" nunca funcionou comigo e sempre tive problemas ao ler livros como "Belo Desastre" de Jamie McGuire, "Easy" de Tammara Webber e todas as outras obras escritas por Colleen Hoover. Meu incômodo com esses livros é causado pelo fato de que tenho uma visão oposta a das autoras sobre o que uma pessoa considerada "nova adulta" deve fazer ou como ela deve se comportar (tenho várias outras implicações, porém cortarei a digressão por aqui). 
 Isso é um problema exclusivamente pessoal que já me faz ter um certo preconceito com as obras dessa categoria antes mesmo de iniciar sua leitura. Portanto já estava receosa com "Sr. Daniels" e isso aumentou meu nível crítico antes mesmo de ler o primeiro parágrafo do livro. Ainda no momento de pré-leitura, o fato da sinopse da obra ser quase idêntica a do livro "Métrica" de Colleen Hoover prejudicou ainda mais meu prejulgamento. 
 Deixei parcialmente de lado todas as implicâncias e finalmente iniciei a leitura para perceber que minha intuição estava certa em desconfiar de todos os comentários positivos que havia lido no Goodreads.
 Inicialmente tive um pequeno problema com a tradução da obra quando Ashlyn repete umas duas vezes a expressão "henino-momem", veja o trecho em que a garota surge com essa ideia: "Era estranho chamá-lo de homem, porque não era tão velho. Mas era muito crescido para ser chamado de menino. Era preciso haver uma palavra para os anos intermediários. Talvez henino? Momem? Henino-momem? Este henino-momem também tinha estado no meu carro (...)"
 Como matar um personagem no segundo capitulo: faça-o repetir "henino-momem" umas duas vezes. Sinceramente nesse momento da narrativa eu comecei a rir e depois disso o livro que deveria ser um drama, tornou-se uma comédia, justamente pelo fato de que não conseguia levar Ashlyn a sério ou me identificar com ela.
 A autora, talvez vendo esse problema de identificação que alguns leitores poderiam apresentar, transformou Ashlyn em uma garota viciada em livros. Em um único capítulo, Brittainy C. Cherry fez umas três referências a como nossa heroína era igual a você leitor que ama livros, veja novamente os trechos a seguir: 

1- "Espiando pelas janelas, vi um grupo de pessoas da escola bebendo, dando uns amassos e fazendo tudo o que se esperava de uma festa de adolescentes. Porque ninguém nunca dava festas de leituras?"
2- "Planejei ficar sentada ali até Hailey obter sua dose de decepção da noite. Abrindo o exemplar meu dedos viajaram pelas páginas, sentindo sua textura com meus polegares. Levantei o livro até meu rosto e inspirei, sentindo o cheiro das palavras no papel. Não havia nada tão romântico quanto a sensação de um livro em suas mão. Exceto Daniel. Ele era muito romântico"
3- "(...) Às vezes sinto como se você estivesse se escondendo atrás de seus livros para evitar a realidade"

 Essa abundância de amor literário não transforma automaticamente Ashlyn em alguém melhor e só prova o quanto a escrita da autora é fraca, pois para fazer o leitor apaixonar-se por sua obra ela teve que apelar para a criação de uma personagem principal que ama livros assim como seu próprio leitor (sintam a redundância).
 Depois das expressões sem sentidos, e da constante característica literária da protagonista comecei a julgar qualquer coisa que acontecia no enredo (quando eu começo a implicar é difícil parar), como por exemplo o número excessivo de mortes que acontece no decorrer da narrativa. 
 Queria sentar com a autora e explicar para ela que o gênero drama não consiste apenas em matar amigos e familiares, é possível dar dramaticidade à obra utilizando outros elementos. Por exemplo, vejam as novelas mexicanas, onde sempre tem algum drama ou alguém sofrendo e nem por isso o escritor matou todo o elenco (#ficaadica #novelamexicanatambémécultura).
 Piadas e digressões a parte, o livro era um clichê do inicio ao fim, foi possível identificar influências de várias outras obras do gênero e até mesmo um leve toque da série "Pretty Little Liars" no meio do enredo. 
 O romance entre Ashlyn e Daniel marca o famoso "instalove" eles se apaixonaram desde o primeiro momento em que se viram; citavam Shakespeare o tempo todo; Daniel vivia cantando músicas em sua homenagem (o que sinceramente me irritou, pois já estava parecendo audição para o The Voice de tanto que esse homem cantava) e nos momentos vagos não faltavam declarações de amor como essa: "Nossos corações sempre bateriam um pelo outro. Nossas almas estavam destinadas a queimar juntas em uma chama mistificadora que iluminava o universo de esperança e paixão".
 Apesar de toda essa paixão, os protagonistas não me convenceram como casal e nem indivíduos separados, portanto não fiquei comovida com seu relacionamento ou as dificuldades que eles enfrentaram (juro que tenho coração, só não simpatizei com esses dois).
 Lidar com o amor proibido entre aluna e professor já é um tema saturado e a autora simplesmente fez mais do mesmo, então nem pontos por inovação no tema podem ser atribuídos à obra, ainda mais quando no meio da narrativa aparece uma lista de "coisas para fazer antes de morrer" que Gabby (a falecida irmã) deixou para Ashlyn seguir.
 Alguns outros problemas me perturbaram, como a mistura de gêneros entre drama; novo adulto; romance e jovem adulto feitos pela autora. Além disso achei o comportamento de Ashlyn e Daniel muito infantil para suas respectivas idades, assim como o desfecho da obra foi bem mal executado.
 Não faltam críticas à esse livro, pois infelizmente foi impossível encontrar algum ponto positivo na escrita de Brittainy C. Cherry, porém apesar de toda a negatividade e tom irônico dessa resenha, acredito que o motivo de tamanho desgosto com essa obra é uma questão pessoal minha, uma vez que não sou fã desse gênero literário.
 Vários outros leitores adoram o livro e acreditam que a história é doce e encantadora, portanto se a sinopse de "Sr. Daniels" te interessou dê uma chance à leitura, talvez você interprete a obra de uma maneira completamente oposta a minha. 
 Como sempre finalizo mais uma resenha acreditando que estou ficando velha demais, e sem paciência também, para livros juvenis onde (igual na musiquinha infantil) só o amor faz o mundo andar.


Classificação: 1 de 5 estrelas.

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2 comentários

  1. Oi, Beah! Como comentei no Skoob, fiquei com medo de ler esse livro agora! Hahaha Não li toda a resenha, porque antes quero ler o livro e depois vir aqui para comparar opiniões, mas se tem um livro new adult que eu gosto é Beleza Perdida, achei ele bem bonito e sem o mimimi que parece permear os outros livros do tipo.

    Vanessa
    twitter.com/vanessaparalela

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  2. Oi Vanessa, leia sim, espero q (diferente de mim) você goste da obra .) Ainda não li "Beleza Perdida", mas já coloquei o livro na lista de leitura .D

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