Resenha: A Espada do Verão (Magnus Chase e os Deuses de Asgard #1) - Rick Riordan

2.12.15


 Conhecido mundialmente pela série "Percy Jackson e os Olimpianos", "A Espada do Verão" é o mais novo livro do famoso escritor Rick Riordan e marca o início da nova saga intitulada "Magnus Chase e os Deuses de Asgard".
 Como uma forma de interligar suas obras fictícias, Magnus Chase é primo de Annabeth Chase a companheira fiel de Percy Jackson. Porém diferente dos Olimpianos enfrentados pela garota, Magnus depara-se com os brutos deuses nórdicos e toda a mitologia sobre Vikings que envolve esse universo desconhecido.
 Seguindo seu estilo habitual de escrita, "A Espada do Verão" conta basicamente como Magnus entrou em contato com esse novo mundo. O livro inicia-se com o garoto morando na rua após tornar-se órfão com a perda de sua mãe. Contando apenas com a ajuda de outros dois garotos Blitz e Hearthstone para poder arranjar comida, locais para dormir, tomar banho e principalmente fugir de qualquer pessoa que possa lhe causar problemas, como seu tio Randolph.
 Antes de morrer, a mãe afastou o garoto de todos os membros da família e mesmo não entendendo o motivo desse distanciamento, Magnus passou a fugir de todos os seus familiares. Portanto ao ser avisado que uma garota loura e um homem mais velho o estavam procurando, o menino entra em pânico e começa a fugir desesperadamente apenas para encontrar seu tio Randolph que prontamente diz à Magnus que pessoas o estão perseguindo para matá-lo já que ele havia completado dezesseis anos.
 O que o tio "doidinho" da família não explica é o motivo de um gigante, uma Valquíria e quase metade dos guerreiros do Valhala estarem perseguindo o garoto, fato que ocasiona uma grande confusão na cidade de Boston e dá início ao enredo da narrativa.
 Essa resenha não terá nenhum tipo de spoiler, porém preciso adiantar que ela será levemente negativa já que tive alguns problemas com a leitura desse livro e pretendo explicá-los nos parágrafos seguintes. Portanto leitores ou não leitores da obram sintam-se convidados a prosseguir na leitura da resenha.
 "A Espada do Verão" é um livro repleto de resenhas positivas, porém ao iniciar a leitura com expectativas elevadas confesso que me decepcionei com o enredo criado por Rick Riordan.
 Em primeiro lugar percebi que a obra não iria prender minha atenção, pois infelizmente já não pertenço ao público alvo cujo livro é destinado (getting old sucks). No Goodreads esse livro é classificado como leitura infantil e inclusive ganhou o prêmio de melhor livro para crianças desse ano, portanto é possível perceber que após ter ultrapassado os vinte anos eu não me encaixo no perfil de Riordan.
 O que nos leva ao segundo problema: não ter mais paciência para livros desse gênero. Quando era mais nova li os três primeiros volumes da série "Percy Jackson e os Olimpianos" e posteriormente li o primeiro livro da série "As Crônicas dos Kane", portanto ao ler o quinto livro do autor senti inúmeras semelhanças com suas outras obras e isso me desanimou ainda mais.
 Durante vários momentos percebe-se que a personalidade de Magnus e Percy são quase idênticas, assim como as situações vividas por ambos os heróis. Riordan segue um padrão em sua escrita e praticamente todos os seus livros seguem a mesma "receita" e no meu caso que já estava familiarizada com  as obras do autor era possível prever a direção que a história levaria, o que acabou tornando o livro tedioso em vários momentos. 
 Magnus tinha uma única missão nesse livro e os inúmeros empecilhos criados pelo autor para atrapalhar a vida do herói deixou o livro arrastado demais, todo capítulo havia um novo problema a ser resolvido e eu (ansiosa como sempre) acabei ficando cansada de esperar Magnus finalmente chegar ao seu destino final.
 O único elemento que me tiraria da permanente sensação de déjà vu seria a exploração da mitologia nórdica e nem isso me animou muito. Se você, assim como eu, é fã declarada da série Vikings do History Channel nenhuma explicação feita por Rick Riordan sobre os deuses nórdicos e seus costumes serão novidade. 
 Porém a obra não é de todo ruim e apresenta algumas qualidades, como por exemplo, o autor tem um jeito bem didático de explicar a mitologia pertencente aos povos Vikings e isso encaixa-se em um ponto positivo do livro. Apesar desse fato não ter sido relevante para mim, os leitores mais novos que não conhecem ou possuem referências sobre esse tópico sairão com uma boa base de conhecimentos históricos sobre essa nova mitologia.
 Outros pontos positivos foram a aparição de deuses como Thor, Loki e Odin. Diferentes da versão criada pelos filmes da Marvel, porém engraçadíssimos para os leitores.

"- Espere ai. O que Sam quer dizer de novo? Você já perdeu esse martelo antes?
- Só uma vez - disse Thor. - Mentira, duas. Três se você contar essa, mas não devia, porque não estou admitindo que o martelo sumiu.
- Certo... - concordei. - E como você o perdeu?
- Não sei! - Thor começou a andar de um lado para outro de novo, com o cabelo ruivo e comprido soltando fagulhas e estalando. - Foi só... Puf! Eu tentei refazer meus passos. Tentei o aplicativo Encontre Meu Martelo, mas não funcionou!"

 Foi interessante ler a releitura de deuses históricos adaptando-se ao mundo moderno, assistindo séries, aprendendo a usar o Power Point e os Smartphones. Estou tão acostumada a relacionar os vikings com épocas pré-históricas que foi proveitosa essa mudança de ares.
  As Valquirías, o poder das runas, o pós morte no Valhala, a participação da völva e a preocupação com o Ragnarök são os elementos mais marcados sobre a mitologia nórdica no livro e o autor explica com maestria o simbolismo e significado de cada tópico.
 Com um herói verossímil e diálogos sarcásticos e inteligentes a série "Magnus Chase e os Deuses de Asgard" tem todos os elementos para conquistar seu público alvo. Infelizmente a obra não funcionou comigo, culpo 50% minha idade avançada e os outros 50% o seriado Vikings.
 Quando leio sobre deuses nórdicos eu já quero ver homens e mulheres com um machado e escudo na mão, correndo iguais loucos para o campo de batalha com aquele sangue nos olhos e ódio no coração, porque a série de televisão (que é exatamente assim) destruiu minha capacidade de imaginar uma versão suave ou diferente para o povo nórdico e seus deuses (caso não deu para perceber eu fiz uma leve digressão na resenha só para fazer propaganda gratuita desse seriado maravilhoso que todos vocês deveriam assistir).
 De volta ao livro, não irei dar continuidade com essa série, porém confesso que buscarei alguns spoilers sobre os outros livros no futuro, já que fiquei curiosa para saber sobre algumas coisas que irão acontecer nos próximos volumes. 
 A obra fica recomendada à todos que gostam do autor ou se interessam pelo tema abordado, pois as chances de vocês realmente gostarem de "A Espada do Verão" são altíssimas.


Classificação: 3 de 5 estrelas.

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1 comentários

  1. Tô lendo O Sangue do Olimpo e apesar de estar achando ele bonzinho não tô conseguindo ler muito dele, porque ele parece com os outros livro do Rick Riordan e porque também não faço mais parte do público alvo (realmente getting old sucks).

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