Resenha: O Visconde que Me Amava (Os Bridgertons #2) - Julia Quinn

20.11.15


"Anthony Bridgerton é um Libertino.
Um libertino com l minusculo é jovem e imaturo. Ele se gaba das próprias proezas, comporta-se feito um idiota e se considera um perigo para as mulheres. 
Um Libertino com l maiúsculo sabe que é um perigo para as mulheres. Não se gaba das próprias proezas, pois não precisa. Sabe que homens e mulheres cochicharão a seu respeito e, na verdade, preferiria que não fizessem isso. Ele sabe quem é e o que faz. Relatos detalhados são, em sua opinião, redundantes (...)
E, se isso não descreve à perfeição o visconde Bridgerton, sem dúvida o solteiro mais cobiçado da temporada, esta autora aposentará a pena imediatamente."

 De volta aos romances de época (e queridinhos do meu coração) resolvi dar continuidade a série "Os Bridgertons" da autora Julia Quinn ao ler "O Visconde que Me Amava", título do segundo volume dessa saga.
 Antes de começar com toda a empolgação, necessito avisar que essa resenha não terá spoilers e que você também pode conferir a resenha do primeiro livro dessa série "O Duque e Eu" clicando no título do livro.
 Julia Quinn é a minha segunda autora de romances históricos preferida (Lisa Kleypas em primeiro lugar) e portanto sabia que não iria me decepcionar ao ler a história de Anthony, o primogênito da família e notório libertino que ao chegar próximo dos trinta anos de idade, resolve buscar um casamento de conveniência com uma dama de boa reputação para poder cumprir seu papel de patriarca e passar seu título à um futuro herdeiro.
 Com essa ideia em mente, Anthony decide que Edwina Sheffield é a moça perfeita para o posto. Aos 17 anos a garota possuía todas as qualidades que o visconde procurava em uma mulher, já que ela era jovem, inteligente, virginal e possivelmente a beldade loura mais disputada da temporada. O único problema de Edwina era sua meia irmã Kate Sheffield.
 Devido ao grande número de pretendentes que buscavam casar-se com Edwina, a moça teve a infeliz ideia de anunciar em um evento social que só receberia a corte daqueles cuja à irmã mais velha aprovasse, já que confiava completamente no julgamento da garota.
 Após essa declaração, Kate tornou-se alvo de todos os solteiros da temporada que queriam uma chance com Edwina. Já extremamente irritada com a posição sob a qual foi colocada, Kate enfurece de vez ao descobrir que o maior libertino de Londres planejava fazer a corte para sua irmã caçula.
 Anthony nunca havia prestado atenção em Kate, com 20 anos a garota de olhos e cabelos castanhos, era simplesmente vista como uma parte da paisagem se comparada com Edwina, porém ao encontrarem-se pela primeira vez em um baile da temporada sentimentos desconhecidos são despertados em ambos os mocinhos dessa história. Pena que esses sentimentos resumiam-se à raiva, preconceito e sarcasmo excessivo.
  Basicamente o enredo do livro resume-se a essa pequena sinopse, porém nós leitores assíduos de Julia Quinn sabemos o quanto são os pequenos detalhes que transformam seus romances em verdadeiros calmantes para o coração.
 Em "O Visconde que Me Amava", temos inicialmente uma maior exploração dos membros da família Bridgerton. Logo no início da narrativa a autora reconstrói sutilmente a imagem dos personagens, ampliando o conhecimento dos leitores sobre o pai e a mãe dos nossos oito heróis.
 Por ser o primogênito, Anthony possui uma forte ligação com o pai e logo no prólogo, somo apresentados  a esse relacionamento de pai e filho, assim como a súbita morte do chefe da família e a responsabilidade passada à Anthony. A importância desse acontecimento, torna-se fundamental para o leitor entender alguns medos e fobias sofridos pelo mocinho no decorrer da narrativa.
 Algo semelhante ocorre com Kate, já que a moça também sofre de ataques de pânico e fobias relacionadas com problemas do passado. Diferente de outros romances, o fato da autora ter explorado (ainda que sutilmente) questões sobre fobias mentais me fez gostar mais ainda da obra, pois isso é um elemento pouco característico desse gênero e ao adicioná-lo em seu enredo, Julia Quinn conseguiu proporcionar mais veracidade à seus personagens, destacando-os dentro do universo literário.
 Além dessa adição à narrativa é impossível não amar o lado cômico da obra, sendo Newton (o cachorro de estimação de Kate) e Colin os maiores responsáveis pela comédia durante a narrativa. Os risos foram garantidos ao ler o primeiro encontro proposital do casal do romance, causado por Colin, ao descobrir que Kate detestava Anthony. O quarto irmão dessa série, já ganhou meu coração e confesso estar morrendo de curiosidade para ler seu livro.
 Citando os outros membros da família Bridgerton, confesso que fiquei muito contente com a aparição de nosso primeiro casal, Daphne e Simon que trouxeram junto consigo a cena de Pall Mall mais hilária da obra. Ao passarem um tempo na casa de campo da família, foi possível perceber o quanto a mãe, os irmão e irmãs agiram como cupido do casal e mesmo assim fiquei surpreendida ao descobrir como uma abelha pode ser importante para a concretização do amor. Julia Quinn surpreende novamente ao usar insetos e animais como os principais causadores da união de Kate e Anthony.

"- Bom garoto - disse Anthony, parecendo bastante satisfeito consigo mesmo. Estendeu a guia para Kate. - A senhorita fará as honras ou eu devo fazer?
- Vá em frente - respondeu ela. - O senhor parece ter afinidade com cães.
- Sem dúvida - retrucou ele, mantendo a voz baixa para que Mary não pudesse ouvir-, eles não são muito diferentes das mulheres. As duas raças ouvem com atenção cada palavra.
Kate pisou na mão dele que estava apoiada no chão enquanto ele prendia a guia à coleira de Newton.
- Ops - falou com afetação -, me desculpe.
- Sua sinceridade me comove - retrucou ele, voltando a ficar de pé. - Sinto até vontade de chorar."

  Com dois personagens fortes, a autora cria uma história mais focada nos sentimentos de ambos e também mais verídica com a época. Apesar de ter alguns beijos roubados , Julia Quinn não se preocupa em fazer uma obra carregada de tensão sexual ou cenas "picantes" e talvez esse seja o segredo da autora para conquistar os leitores, já que nos apaixonamos por Kate e Anthony através de seus diálogos, pensamentos e ações.
 Fiquei encantada com a força de Kate, mesmo sendo desprezada por metade da aristocracia britânica a garota não muda sua personalidade para encaixar-se nos padrões exigidos por ninguém e ao finalizar o livro foi possível perceber seu amadurecimento. O mesmo ocorre com Anthony, apesar do nosso herói ter me irritado um pouco no final do livro com medo de aceitar seu novos sentimentos, ele também cresce junto da nossa mocinha.
 Além dos Bridgertons, é importante citar a perfeita construção da família de Kate. A madrasta Mary e sua meia irmã Edwina fogem do esteriótipo e surpreendem o leitor ao mostrar um lado doce e frágil com relação à Kate, dando o toque final para a composição da narrativa.
 Um romance digno de leitura e excelente para curar ressacas literárias e aquecer corações ao mesmo tempo. Que venha Benedict em "Um Perfeito Cavalheiro" e que sua história seja tão boa quanto as de Daphne e Anthony.

"- Se eu pedisse em casamento toda mulher que beijasse, já estaria preso por bigamia há muito tempo" - Anthony Bridgerton.



Classificação: 4 de 5 estrelas.

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1 comentários

  1. Eu sempre gostei muito de livros/filmes/séries de época e nunca li nada dessa autora! Fiquei com muita vontade depois de ler essa resenha.
    Seu blog é muito bonito e as resenhas são ótimas!
    Beijos!
    Fê Cardoso
    http://www.baseadoemlivros.blogspot.com.br

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