Resenha: Belezas Perigosas (Gemma Doyle #1) - Libba Bray

16.11.15


 Após um período de ressaca literária, "Belezas Perigosas" de Libba Bray foi o escolhido da vez para curar minha falta de ânimo com a leitura e infelizmente "o tiro saiu pela culatra".
 Presente na minha lista de leitura desde 2008 a trilogia de Gemma Doyle é ambientada em Londres no ano de 1895 e conta a história de Gemma, uma garota de dezesseis anos que possuí poderes psíquicos de ter visões confusas e inesperadas sobre o futuro.
 No início da narrativa somos apresentados a Gemma e sua mãe em Bombaim, onde ambas continuavam uma briga constante sobre ir ou não ao Reino Unido, já que a garota detestava a Índia e queria voltar à solo britânico para ser educada e apresentada à sociedade como debutante. Durante o desentendimento entre mãe e filha, Gemma deixa sua mãe sozinha e começa a vagar pelas ruas indianas até ter uma visão horrível da morte de sua mãe em algum lugar próximo de onde estava.
 Desesperada a garota procura sua mãe entre a multidão e descobre que o pior aconteceu. Após esse fato seu irmão Tom aparece na narrativa para levar Gemma à Spence, uma escola londrina feita exclusivamente para treinar garotas a se tornarem verdadeiras damas da sociedade.
 Apesar da reputação impecável do colégio, a garota percebe que coisas estranhas macularam a perfeição do instituto. Além de acontecimentos inexplicáveis Gemma envolve-se com as meninas populares de Spence e juntas elas exploram cada vez mais as visões e poderes da heroína, descobrindo novos poderes, reinos e seres desconhecidos para os meros mortais.
 Mesmo com todas essas distrações, Gemma e as outras garotas ainda encontram tempo entre as aulas de francês e etiqueta para envolverem-se com os ciganos que habitam as redondezas da escola. Sendo Kartik uma espécie de par romântico da narrativa e Mãe Elena a típica vidente que utiliza bola de cristal para prever o futuro.
 Com inúmeras referências as Lendas de Camelot e outros tipos de mitologia, a narrativa de Libba Bray inicia-se de modo positivo. A autora explora bastante as características góticas e sombrias do ambiente londrino, utilizando alguns elementos do gênero terror nesse romance jovem adulto. Complementando a construção da narrativa com a inicial personalidade perfeita de Gemma, a qual era sarcástica e inteligente ao mesmo tempo, gerando uma narradora perfeita para o leitor.
 Porém o que aparentava ser um livro promissor no início perdeu todo o seu encanto após a página cinquenta ao transformar-se em mais um livro estereotipado de colegial.

"- Tem algo de diferente, não tem? Como é? Se vocês têm um segredo, é melhor dividir conosco.

- Mas ai deixaria de ser segredo, não é? - Felicity ri ironicamente. A luz entra pela janela da sala. Ela faz a poeira dançar no ar.
- Pippa, querida, você vai me contar, não vai? - Elizabeth põe um braço em volta de Pippa, que foge do seu abraço.
Cecily está desapontada.
- Pip e Fee não teriam segredos para nós.
- Mas essas velhas garotas não existem mais. - Felicity dá um sorriso radiante. - Elas estão mortas e enterradas. Agora nós somos novas garotas para um novo mundo.
E com isso saímos andando, deixando-as para trás na sala como um punhado de poeira que flutua devagar até o chão"

 Detestei me aprofundar no enredo e perceber a mudança no foco da narrativa. A autora abusou demais dos problemas adolescentes, como a inveja entre as garotas; os namoros escondidos; o preconceito e bullying com as meninas de classe social baixa; as fofocas e intrigas que cada grupinho espalhava pela escola; os encontros escondidos para beber e fazer coisas proibidas entre vários outros temas que deixaram a leitura extremamente entediante.
 Ao ler a sinopse e ver a capa meu cérebro automaticamente acreditou que a obra seria apenas focada na parte sobrenatural da narrativa, então fiquei profundamente decepcionada ao me deparar com um livro igualzinho Gossip Girl, cuja única diferença entre ambos os livros é o período temporal em que são ambientados.
 Ultrapassando os problemas de temática, eis que a autora conseguiu construir a mitologia mais bagunçada da história de livros jovens adultos. Gemma tinha visões sobre outros reinos e coisas que iriam acontecer, a garota assim como o leitor não sabem o motivo desse acontecimento então seguimos unidos na jornada de tentar entender o que acontece com a protagonista.
 E durante esse trajeto a autora despeja um monte de explicações para o caso de Gemma, utilizando-se de: encontros espirituais com uma médium da redondeza; consulta mitológica com Mãe Elena (incluindo leitura de mão durante a sessão); entrada e saída de vários reinos; deuses gregos e indianos para exemplificar a importância de Gemma e por último cita o uso da magia de umas runas que pertencem ao reino dos mortos e só alguém poderoso o suficiente pode utilizar.
 Mesmo com essa enxurrada de informações, ao chegar no final do livro eu ainda não tinha entendido o propósito de tudo. A preocupação em criar vários elementos durante a narrativa, fez com que a autora esquecesse de explicar o básico que seria: o que é a Ordem a qual Gemma pertence e por que ela foi escolhida, dentre várias outras mulheres, para ser a salvadora desse grupo?
 A existência da Ordem é a causa pela qual Gemma é diferente, eles são responsáveis por todos os problemas que a garota está enfrentando e foi frustante não conseguir entender o que é esse grupo. Como leitora finalizei a narrativa com um ponto de interrogação na minha cabeça junto com a sensação de que a leitura não chegou a lugar nenhum.
 Desnecessário comentar, mas em várias partes do livro sentia que estava assistindo ao filme Jovens Bruxas ao presenciar o quarteto de meninas fazendo seus feitiços. Esse e o fato de ter associado o livro com a narrativa de Gossip Girl destruíram qualquer chance de me surpreender com o enredo, pois basicamente eu já conhecia todos os elementos que a autora apresentara na obra, nem mesmo o escasso romance e as características históricas foram suficientes para me conquistar.
 Depois de anos adiando a leitura dessa obra, admito que não irei dar continuidade com o restante da trilogia. A escrita de Libba Bray falhou em  prender minha atenção, tornando o livro extremamente cansativo e desmotivador.


Classificação: 2 de 5 estrelas.

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