Resenha: Por Lugares Incríveis (All The Bright Places) - Jennifer Niven

8.10.15


 "Por Lugares Incríveis" ou "All The Bright Places" de Jennifer Niven foi um dos lançamentos mais comentados de 2015 e eu, como sempre apressada, garanti meu exemplar em inglês logo no começo do ano. Portanto antes de começar a resenha crítica gostaria de avisar que todas as frases e citações do livro estarão em língua inglesa e que esse texto não terá spoilers, então leitores ou não leitores da obra podem prosseguir tranquilamente com a leitura dessa resenha.
 O primeiro livro "jovem adulto" de Niven conta a história de Violet e Finch, dois adolescentes unidos por uma situação pouco convencional, já que ambos se encontram pela primeira vez na torre mais alta do colégio com a intenção de cometerem suicídio.
 O que leva os protagonistas a quase se jogarem da torre é o fato de que Eleanor, a irmã mais velha de Violet, morreu em um acidente de carro e a jovem ainda não conseguiu superar a perda da outra garota. Já no caso de Finch vários fatores e problemas ocorridos no decorrer de sua vida, proporcionaram e impulsionaram o garoto a pensar frequentemente em vários métodos distintos para tirar a própria vida. 
 O início do livro é marcado por essa cena e o relacionamento entre Violet e Finch se desenvolve a partir desse momento, já que ambos pertenciam a diferentes "grupos" dentro do colégio e não eram amigos. Violet sempre foi a menina popular, ela e sua irmã faziam toda e qualquer atividade juntas, inclusive eram donas de um blog onde escreviam sobre garotos, roupas e maquiagens. Já Finch sempre foi o menino esquisito e intitulado como louco por todos os outros adolescentes, sendo que sua fama de anormal só cresceu com o passar do tempo.
 O enredo da obra gira em torno do último ano do  ensino médio e enquanto Violet conta os dias para sair do estado de Indiana, Finch conta os dias em que está "acordado", pois o garoto sofreu um grande "apagão" durante várias semanas e estava tentando se recuperar e manter-se desperto.
 Após o encontro na torre do colégio, Finch e Violet unem-se (inicialmente contra a vontade da garota) em um projeto para a aula de geografia que propunha aos garotos visitarem as maravilhas de Indiana, dando assim início as aventuras dos garotos,
 Apesar do enredo simples, a narrativa de Jennifer Niven é extremamente complexa e ouso dizer cansativa, pois a autora usa como "plano de fundo" fatos normais ocorridos no colégio para aprofundar-se em questões profundas e psicológicas sofridas pelos protagonistas. 
 Portanto não deixe a capa bonitinha do livro te fazer pensar que essa é mais uma obra leve e descompromissada, pois os temas e conteúdos abordados pela autora são fortes e sem nenhum tipo de encantamento ou abordagem delicada.

"The thing I don't say is: I want to stay alive. The reason I don't say it is because, given that fat folder in front of him, he'd never believe it. And there's something else he'd never believe - I'm fighting to be here in this shitty, messed-up world. Standing on the ledge of the bell tower isn't about dying. It's about having control. It's about never going to sleep again."
  Desde o começo da narrativa era possível perceber que o enredo não se tornaria alegre e mesmo após o envolvimento dos personagens era notável o quanto a autora se esforçou para fazer o leitor compreender a mente de uma pessoa que tem distúrbios mentais.
 Por ser uma obra narrada sobre dois pontos de vista, alternando entre Finch e Violet, confesso que penei ao ler os capítulos narrados por Finch, pois a mente do rapaz era extremamente depressiva. Em todos os trechos ele apresentava novas formas de suicídio, como enforcamento, afogamento, asfixia entre outros métodos e na minha opinião isso deixou a narrativa muito sobrecarregada. Já a narração de Violet era mais leve e já mostrava indícios de uma possível recuperação.
 Apesar das dificuldades em ler sobre o ponto de vista de Finch, ao finalizar o livro finalmente consegui entender os motivos que fizeram a autora escrever personagens tão distintos, já que no final todos os elementos criados durante a narrativa se encaixaram como um quebra-cabeça.
 E realmente a melhor parte do livro é entender os protagonistas, por mais difícil e cansativo que isso seja. Tanto Violet quanto Finch são sobreviventes. A garota teve que aprender a sobreviver mesmo após a morte da irmã e o garoto teve que aprender a superar o divorcio dos pais, a falta de atenção dos pais e o bullying no colégio.
 Apesar do desfecho realista, Finch e Violet protagonizaram uma linda histórias de amor adolescente, pois um ajudou o outro a evoluir. Theodore foi a base fundamental para a recuperação de Violet, incentivando a menina à fazer coisas simples que ela parou de fazer depois do acidente da irmã. Enquanto Violet proporcionou a Finch sentir-se amado, sentimento que ele não conseguia encontrar dentro de sua própria casa,
 Em um dos poucos momentos amenos do livro pode-se citar a comunicação entre ambos os mocinhos por meio de citações de Virginia Woolf, objetos deixados em cada um dos lugares que visitaram, os encontros em locais agradáveis e as anotações de palavras "boas" e "ruins" em post-it.

"I take a good long look at her. I know life well enogh to know you can't count on things staying around or standing still, no matter how much you want them to. You can't stop people from dying. You can't stop them from going away. You can't stop yourself from going away either. I know myself well enogh to know that no one else can keep you awake or keep you from sleeping. That's all on me too. But man, I like this girl."

 Mesmo tendo gostado do livro, sinto-me na obrigação de fazer algumas ressalvas, pois a obra de Jennifer Niven não apresenta um enredo original e se você já leu livros de John Green ou Stephen Chbosky ("As Vantagens de Ser Invisível") provavelmente sentirá aquela sensação de "dejà vu". E esse fato me  fez diminuir a classificação do livro, já que estou um pouco cansada dessa temática.
 Outro problema que eu tive com a escrita de Niven foi o fato de achar esse livro muito didático. Várias vezes durante a leitura, sentia-me uma adolescente no colégio lendo um livro instrutivo sobre como lidar com bullying, depressão ou pensamentos suicidas. Porém como o público alvo do livro são pessoas jovens, não há como tirar essa parte mais educadora da obra então relevei o fato.
 Além disso é necessário ressaltar que o leitor só irá realmente aproveitar a obra se estiver com o "humor" adequado para essa leitura. Se você busca algo leve, passe longe desse livro e guarde-o para quando quiser ler algo de temática mais profunda. 
 Para desfrutar a obra é necessário estar com a mente aberta e tentar se identificar com os problemas dos protagonistas. Creio que se não houver pelo menos algum tipo de reconhecimento com as situações e sentimentos vivenciados pelos personagens será impossível usufruir dessa leitura de maneira agradável e esse é um livro que apesar de alguns problemas de execução, merece uma atenção especial. 


Classificação: 4 de 5 estrelas.

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