Resenha: Ligeiramente Casados (Os Bedwyns #1) - Mary Balogh

22.10.15


" - Uma coisa sobre os Bedwyns - falou Aidan - é que não amam facilmente, mas quando amam é com muita intensidade. Ninguém imaginaria isso ao nos conhecer, não é mesmo?"

 "Ligeiramente Casados" de Mary Balogh é o primeiro romance de época da série "Os Bedwyns" composta originalmente por seis livros. Aqui no Brasil, a Editora Arqueiro, já publicou três volumes dessa saga e eu estou contendo a ansiedade para não comprar as duas obras remanescentes nesse exato momento.
 Antes de começar a resenha, sinto-me na obrigação de tranquilizar a todos e avisar que não escreverei nenhum spoiler durante esse texto. Então leitores ou não leitores do livro, convido todos vocês à seguirem em frente comigo para descobrirem o quanto essa obra é perfeita.
 A narrativa de "Ligeiramente Casados" inicia-se com o encontro entre Aidan Bedwyn e o capitão Percival Morris que encontrava-se à beira da morte, ferido no campo de batalha ao lutar pela vitória da Inglaterra em mais uma guerra interminável.
 Morris havia salvado a vida de Bedwyn em uma outra outra ocasião e como pagamento dessa eterna dívida, Aidan promete atender aos últimos desejos do falecido que pediu à seu oficial superior para avisar a irmã mais nova sobre sua morte e protegê-la acima de qualquer custo.
 Com toda sua honra e dever Aidan parte à procura de Eve Morris, que morava e administrava o Solar Ringwood, para contar-lhe a triste notícia e oferecer sua ajuda e proteção. Porém Eve mostra ser uma moça forte e orgulhosa ao recusar qualquer tipo de auxílio do coronel.
 Sentindo-se inútil por não poder cumprir a promessa feita a Percival, Aidan resolve investigar a vida da moça de maneira a descobrir que o Solar Ringwood passará para um primo distante de Eve, já que na herança deixada pelo pai a filha mais nova só poderia ser dona da propriedade caso estivesse casada.
 Ao descobrir esse problema, Aidan propõe imediatamente um casamento de conveniência entre ele e Eve, de modo a cumprir sua promessa protegendo a garota. Apesar de relutante, Eve concorda com o pedido e ambos estipulam que não se veriam mais depois da cerimônia, tornando o matrimonio restrito as documentações legais.
 Apesar do plano perfeito, o duque de Bewcastle e irmão mais velho de Aidan atrapalha a felicidade dos mocinhos ao exigir que Eve seja apresentada formalmente à Rainha da Inglaterra e à aristocracia da sociedade, já que a mulher de Aidan era agora o mais novo membro da família Bedwyn.
 Após a intervenção do duque, todos os planos de um casamento estritamente prático e sem envolvimento ou sentimentalismo são destruídos, forçando Aidan e Eve a encararem situações e emoções difíceis de resolverem.
 " (...) Aidan era seu marido, e naquele dia eles estavam juntos como uma família. Talvez o presente fosse tudo o que importava. Talvez fosse tudo o que qualquer um pudesse esperar. Talvez o amanhã fosse uma ilusão que nunca chegasse."

 Confesso que a narrativa de Mary Balogh me surpreendeu de uma maneira extremamente positiva. A autora desenvolve sua escrita de uma forma quase poética e muitas vezes nostálgica, principalmente nas cenas ocorridas dentro do ambiente rural do Solar Ringwood. 
 Em um breve momento de análise poética (e digressão), era possível perceber o quanto o ambiente externo refletia os sentimentos dos personagens. Durante vários trechos, víamos que o sol brilhava e refletia no lago quando Eve e Aidan estavam felizes, já nos momentos tristes ou de angústia um vento forte balançava as árvores e as nuvens traziam os dias nublados. Por mais bobo que possa parecer me encantei com essas analogias e achei que elas acrescentaram um encantamento extra para a narrativa.
 Saindo da poesia, "Ligeiramente Casados" também prende o leitor pelo desenvolvimento distinto do enredo. Mary Balogh realmente constrói um romance, então Eve e Aidan não se apaixonam loucamente e saem se beijando e tendo relações físicas logo no segundo capítulo. Os protagonistas dessa obra se apaixonam um pelo outro de uma forma mais verídica, sendo normal vermos Eve observando Aidan e se apegando gradualmente ao moço por sua palavras e ações.
 Em um momento de opinião pessoal, confesso que achei a coisa mais meiga do romance como cada gesto era analisado e refletido pelos mocinhos. Um sorriso não era um simples sorriso, uma lágrima não era necessariamente um choro de tristeza e esses pequenos detalhes me conquistaram por completo, pois eles deram uma profundidade ao relacionamento dos personagens principais.
 Talvez todos esses detalhes serviram para compensar o enredo simples do livro, que não apresenta grande reviravoltas ou problemas de difíceis soluções. A autora baseia-se exclusivamente no crescimento e amadurecimento dos personagens como pessoas.
 Aidan era o típico preconceituoso da época, julgava Eve e todos os empregados não convencionais que a moça contratara para trabalhar em sua propriedade e assim como todos os membros da família Bedwyn achava-se superior aos meros plebeus. Já Eve era uma moça inocente demais, acreditara em um falso amor e sofreu a perda de todos aqueles que lhe eram queridos.
 Durante o desenvolvimento da trama, percebemos as mudanças de pensamento dos mocinhos e foi gratificante descobrir no final da narrativa o quanto a autora os fez evoluir como seres humanos. Ainda sobre o desfecho, confesso que também adorei a forma como a autora finalizou a narrativa de uma maneira amorosa, porém sem transformar os personagens em pessoas melosas que ficam fazendo mil juras de amor.
 Balogh não alterou as características mentais dos mocinhos para fazer um final extremamente romântico. Aidan nunca gostou de sentimentalismo, Eve sempre foi mais reservada e o desfecho e diálogos escolhidos pela autora ao terminar o livro foram perfeitos para esses protagonistas.
 Nem preciso dizer o quanto recomendo esse livro e série, porém se você espera um romance mais picante ou mais ágil "Ligeiramente Casados" pode não te agradar muito. No meu caso que sempre implico com as autoras que criam romances baseados apenas no relacionamento físico dos personagens, achei a obra praticamente perfeita. 
 O único motivo que irá me impedir de classificar o romance com cinco estrelas é o fato de não ter gostado tanto assim de Aidan, sinto que faltou alguma coisa na personalidade do mocinho para me conquistar completamente. Esse problema obviamente não aconteceu com o irmão mais velho da família.
 Depois de inúmeros capítulos enaltecendo a obra e os personagens chegou a vez de "babar" sobre o duque de Bewcastle, pois essa resenha não seria completa se Wulf não fosse citado.

"Ele era Wulfric, um nome que lembrava lobo, em inglês, e que lhe caia bem. Havia algo de lupino nele, incluindo os olhos prateados"

 Alguém minta para mim e diga que o livro de Wulf não é o último da série? Durante a leitura desse livro, confesso que gostei de Aidan (não me apaixonei por ele perdidamente, mas o moço ganhou um espaço em meu coração), porém o duque de Bewcastle mostrou ser um poço de problemas e complexos que eu estou louca para desvendar.
 Prova de mais um ponto positivo para a autora, foi como ela conseguiu mostrar as características e traços dos outros personagens da série logo na primeira obra, deixando o leitor curioso para descobrir como serão as outras histórias.
 A família Bedwyn não é uma das mais boazinhas ou simpáticas que existem no universo literário dos romances de época, porém é impossível não se apaixonar pela excentricidade que cada componente desse grupo transmite no decorrer da leitura.

   
  Classificação: 4 de 5 estrelas.

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2 comentários

  1. Fiquei feliz ao chegar aqui no blog e ver que você ajeitou os comentários! (Fui eu que comentei no seu insta!)
    Eu já fui uma vez muito apegada a livros de época e até de banca, mas aos poucos fui perdendo o costume e hoje em dia acabo dando aquela estranhada. Acho que isso se deve ao fato de dois traumas literários: O morro dos ventos uivantes e Perdida. Não sei se você já leu algum desses livros, nem se gosta, mas ambos foram terríveis pra mim, sério. Fico até receosa quando vejo um livro assim de época. Só que você fala tão bem do livro, tem uma sensibilidade gigante com as palavras e me deixa com vontade de ler tudo que indica. Vou tentar superar meus traumas e dar uma chance pra esse livro ou algum outro que você recomendou aqui no blog.

    Beijos!
    http://tempestade-de-estrelas.blogspot.com

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  2. Oi Bianca.
    Eu fiquei feliz de você ter voltado aqui no blog para comentar, obg por comentar no insta e aqui.
    Sou suspeita para falar sobre livros de época, pois sou apaixonada pelos livros de banca, antigamente eles eram minha única leitura já que só comecei a ler livros de livraria aos 16 anos.
    Entendo seu trauma literário, tentei ler O morro dos ventos uivantes e não passei nem da metade, também tentei ler Perdida e meu desgosto com esse livro foi tão grande que eu "doei" a obra para uma colega.
    Fico extremamente feliz que vc gosta das resenha e do meu jeito de escrever, sempre tento expressar o que realmente acho dos livros e não tem coisa melhor do que alguém se identificar com os nossos textos, então obrigada pela visita e pelos comentários.
    Tente dar uma chance para os romances de época, principalmente os da Lisa Kleypas e ou da Julia Quinn que são mais alegrinhos, espero que você goste deles e vença o trauma.

    Beijos

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