Resenha: Entre O Amor e A Vingança (O Clube dos Canalhas #1) - Sarah MacLean

19.9.15


 Depois de muito relutar em tirar o plástico que envolvia esse livro, eu finalmente resolvi rasgar sua bela embalagem e ler um dos romances de época mais comentados dos últimos anos. 
 "Entre o amor e a vingança" de Sarah Maclean foi lançado originalmente em 2012 e desde então eu venho "namorando" esse livro no Goodreads, portanto a primeira coisa que eu preciso comentar é a beleza dessa capa que caracteriza de modo perfeito minha imagem da mocinha e praticamente grita na sua cara: "romance de época meigo e fofo, me compre agora". Então nem preciso dizer que comprei esse livro pela capa, sem nem ler o resumo da história *me julguem.
 Passado as impressões iniciais, vamos ao que realmente nos interessa: o enredo da obra. "Entre o amor e a vingança" conta a história de Penélope e Michael (Lorde Bourne). Penélope é a típica mocinha "Taylor Swift" de 1831, digo isso no sentido da moça ser uma romântica incurável, daquelas que vivem com a cabeça nas nuvens criando cenários imaginários dignos de contos de fadas.

"Ela queria mais. A palavra passou sussurrando por seus pensamentos em uma onda de tristeza. Mais. Mais do que ela teria no fim. Mais do que ela jamais deveria ter sonhado."

 Com a terrível idade de 28 anos, nossa mocinha era considerada uma solteirona azeda que nunca encontraria um marido, principalmente após ter sido abandonada por seu primeiro noivo alguns meses antes de concretizar o casamento. Na intenção de livrar-se da filha mais velha que além de encalhada estava atrapalhando as irmãs mais novas de conseguirem arrumar um casamento, o pai de Penélope vincula o dote da moça com uma antiga propriedade em Surrey, cujo o dono por direito era ninguém mais ninguém menos que Lorde Bourne.
 Michael era o oposto da mocinha sonhadora. Ao ter perdido todo seu dinheiro e terras em uma aposta aos 21 anos, Bourne tornou-se obcecado em subir novamente na vida e vingar-se do homem que praticamente roubou todos os seus bens materiais, tendo a vingança como único sentimento e motivação por mais de 10 anos em sua vida. Agora aos 31 anos de idade, Michael comanda um dos cassinos mais populares de Londres intitulado "O Anjo Caído" e com sua fortuna restabelecida só lhe resta tomar de volta sua terra. 
 Com esse objetivo principal de recuperar sua propriedade nem é preciso dizer que Lorde Bourne literalmente corre para se casar com Penélope e finalmente iniciar seu plano vingativo. Sem intenção nenhuma de apaixonar-se ou se preocupar com a esposa, Michael apenas utiliza Penélope como "um meio para o fim", porém como o homem não é de ferro e a mocinha é persistente ao extremo, os sentimentos de ambos passam por uma montanha russa no decorrer da narrativa.
 Quero muito comentar as coisas que ocorrem depois desse casamento e até mesmo antes, portanto inicia-se aqui a seção de spoilers. Se você não leu o livro eu realmente recomendo a leitura, a obra não entrou na minha lista de favoritos, porém se você está procurando um livro no estilo "conto de fadas" e que explore bem a temática sentimental e romântica, a obra de Sarah Maclean não irá decepcioná-lo. Já se você leu esse livro, siga em frente com a leitura e vamos ver se nossas ideias são parecidas.
 Eu não sei se contar o fato de que os mocinhos já se conheciam desde a infância é um spoiler ou não, no meu caso isso talvez estragaria um pouco a história, pois quando comecei a ler o livro não imaginava que ele se tratava de um romance de longa data, pensei que os mocinhos iriam se encontrar pela primeira vez como todo casal regular dos romances de época.
 Porém o fato deles terem se conhecido quando pequenos, altera todo o entendimento da narrativa. Sarah MacLean criou um romance focado apenas nos sentimentos dos personagens e como cada emoção alterava suas ações. Logo no início da leitura, principalmente pelo título, já foi possível desvendar que Michael se apaixonaria por Penélope e que esse amor irá transformá-lo em uma pessoa melhor levando-o a desistir de sua vingança contra Langford.
 Talvez o fato dessa temática já explorada milhares e milhares de vezes em romances de época me tirou um pouco o entusiasmo com esse livro, achei o final da obra extremamente clichê com muitas frases que todos os leitores já leram ou ouviram em algum lugar.

"Mas você escolheu ele. Você escolheu a vingança"
"Não", ele disse, apoiando-se na mesa, puxando-a para o meio de suas coxas, segurando as mãos delas nas dele. "Não. Eu escolho você. Eu escolho o amor."
(...)
"Eu escolho você Penélope. Eu escolho o amor em vez da vingança. Escolho o futuro em vez do passado. Escolho a sua felicidade em vez de todo o resto."

 Nada contra o romantismo final, todo romance é assim, porém eu tive um sério problema com a execução da história pela autora. Demorei exatamente uma semana para ler esse livro, razoavelmente curto, pois muitas vezes não sentia que a obra tinha uma motivação boa o suficiente para prender o leitor do começo ao fim.
 O enredo era limitado ao fato de Penélope ser apaixonada desde moça por Michael e fazer de tudo para conseguir transformá-lo naquele rapaz de suas memórias. Sem reviravoltadas, sem um vilão presente no decorrer da narrativa (a presença de Langford é apenas mental, já que ele só aparece fisicamente no último capítulo), sem nenhum problema paralelo (já que casar as irmãs de Penélope não é considerado uma dificuldade sem solução) o enredo tornou-se pobre.
 Eu entendo e percebo o trabalho da autora em fazer os personagens evoluírem. Penélope é uma personagem perfeita, pois apresenta complexidade e motivação por trás de seus sentimentos e ação. Do começo do livro para o final ela evolui completamente, tornou-se dona de seus atos, aprendeu a se valorizar e impor suas vontades, deixando de ser apenas aquele esteriótipo de boa moça que a sociedade da época esperava. Adorei vê-la enfrentando o marido quando descobriu o que ele queria fazer com Tommy, amigo de infância de ambos, e acredito que a história melhorou bastante a partir desse ponto.
 Michael também evoluiu, porém considero seu personagem um pouco mais fraco e culpo levemente a autora por isso, já que ela explorou mais os pensamentos de Penélope tornando o amadurecimento de Bourne menos notável.
 Além das personagens principais, confesso que não gostei muito da família de Penélope chegando a detestar um pouco sua irmã Olivia. No início da narrativa queria esbofetear o pai, a mãe e Olivia por serem tão grosseiros com a mocinha só porque ela havia sido dispensada pelo noivo.
 O que salvou um pouco os momentos mais tediosos da narrativa foram os companheiros de Michael que trabalhavam no cassino. Por se tratar de uma série de quatro livros intitulada "Série O Clube dos Canalhas", a autora "pincelou" os mocinhos dos outros livros e suas principais características, explorando principalmente Cross e Philippa no epílogo da obra.
 Acredito que irei ler os outros livros da série, já que não odiei "Entre o amor e a vingança", simplesmente o livro não me surpreendeu em nenhum aspecto já que o desfecho era óbvio demais. Como já dito anteriormente, talvez se a autora tivesse criado algum conflito paralelo com a história de amor a obra tivesse ficado mais interessante. Agora só resta esperar para descobrir como será o próximo livro da série. Na página do Skoob já é possível ver a capa e o resumo do segundo volume da saga que tem lançamento previsto para o dia 07/10.
 Conto com a inteligente Philippa para ganhar meu coração e me fazer entrar para a lista de fãs de Sarah MacLean, coisa que infelizmente Lorde e Lady Bourne não conseguiram.


Classificação: 3 de 5 estrelas.

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2 comentários

  1. Oi!
    Concordo com tudo que voce falou, mas acho que por ser a primeira vez lendo um romance de epoca com esses elementos fiquei meio fascinada (nao costumo ler esse genero).
    Fazer o que, né, além de tudo sou uma romantica incorrigivel. Hahah.
    É engraçado. Parece que aquela fórmula "canalha mais mocinha decidida" me atrai bastante em narrativas. Pode ser que soe como se eu estivesse a ler o mesmo "roteiro" repetidas vezes com um cenario diferente, mas eu continuo com satisfeita com esse cliche.
    Geralmente quando leio livros romanticos estou procurando por entretenimento, e A Rogue by... serviu.
    [É provavel que eu esteja escrevendo tudo de maneira confusa, mas whatever. Eu amo ler resenhas de livros.]
    Nossa, concordo com voce, Olivia e a mae dela sao muito chatas. Mas de alguma forma lembrei da senhora Bennett e daquela irma da Lizzie... Lydia? Whatever.
    Foi quase nostalgico pra mim. Faz muito tempo que nao leio Jane Austen no geral.
    Agora sobre ~SPOILERS~
    Quando o Michael apareceu para compromete-la eu comecei a ficar com receio do livro. Até olhei para ver quantas paginas faltavam para terminar, mas continuei a ler. E depois... Nossa... Que canalha (eu ri muito, mas Penelope é um amor de pessoa).
    Nao lembro muito bem de quando o livro começou a ficar tedioso, e concordo com isso que você "falou" de nao existirem conflitos paralelos. Acho que o que me deu tedio foi pensar na pobre Penelope enclausurada na casa. E fiquei quase fiquei chateada com a autora por incluir uma rivalidade desnecessaria entre a Penny e a empregada cujo nome nao recordo. Mas isso nao aconteceu, ainda bem.
    Agora, sobre essa parte do Tommy, fiquei bem feliz. Penny tomando atitudes é otimo.
    Eu estava quase que olhando no relogio para apressar o Michael a se apaixonar/lutar por ela.
    Todo mundo fala mal do Michael em resenhas, sobre esse dilema bobo entre escolher a vingança ou o amor, mas eu ate entendi. Esse negocio de perder tudo realmente teve algum impacto na vida dele. Só que Bourne demorou um pouco para largar o osso da vingança, ne? Ugh.
    Acho que a Penny foi muito misericordiosa com ele, eu ficaria meio cansada de passar vergonha. (Sabe aquela parte em que eles estao num jantar, sociedade, etc, e alguem chega, entao o Michael finge que foi de proposito??? QUIS BATER NELE, mas a Penny soube lidar direitinho com isso, te amo Penny).
    Eu gostei desses dois. Nao sei se é comum nesse genero o epilogo ser sobre o proximo livro/casal, mas eu lembro de ter ficado indignada (Risos). Queria ler mais de Penny e Michael juntos como um casal.
    Na verdade, ver o Michael apaixonado é bem fofinho. Queria que a autora tivesse explorado mais isso (além do desenvolvimento do proprio personagem, como voce mesma falou).
    Enfim, amei sua resenha!
    see ya

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    Respostas
    1. Eu adorei seu comentário e fico extremamente feliz que você gostou da resenha, msm ela não sendo tão positiva assim .)
      Deixa eu te contar que a minha implicância com algumas coisas nesse livro deve-se ao fato de eu estar lendo esse gênero de romances de época há quase 10 anos (comecei a ler esses livros quando eu tinha 14 anos) então eu sempre tenho uma sensação de déjà-vu com essas obras. Por isso sempre digo as pessoas que elas devem ler o livro para verem se gostam ou não, já que eu tendo a ser mais crítica rs.
      Concordo com suas observações sobre o livro, principalmente no que diz respeito ao Michael e sua sede de vingança. Penny foi uma mocinha adorável e o fato de amar Michael desde novinha tornou a moça misericordiosa (como vc msm disse).
      O segundo volume dessa série, na minha opinião é mil vezes melhor que o primeiro, Pippa é uma das personagens mais engraçadas que eu já li. E respondendo sua pergunta sobre o epílogo, geralmente as autoras tendem a falar sobre o próximo casal da série sim, mas não são todas que fazem isso.
      Em um momento de recomendação literária de romances históricos, não sei se vc já leu ou conhece as obras de Lisa Kleypas e Julia Quinn, mas eu super recomendo que vc leia algum livro dessas autoras (tem um monte de resenha de livros delas aqui pelo blog, se vc quiser sentir meu amor incondicional por elas rs).
      Obg pela visita e comentário, espero que vc volte sempre ao blog .D
      Beijos

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