Resenha: À Procura de Audrey (Finding Audrey) - Sophie Kinsella

15.8.15


"So now you know. Well I suppose you don't know - you're guessing. To put you out of your misery, here's the full diagnosis. Social Anxiety Disorders, General Anxiety Disorder and Depressive Episodes. Episodes. Like depression is a sitcom with a fun punchline each time. Or a TV box set loaded with cliffhangers. The only cliffhanger in my life is, 'Will I ever get rid of this shit?' and believe me, it gets pretty monotonous"

    À Procura de Audrey é o título nacional da mais nova obra da britânica Sophie Kinsella, publicada pela editora Galera Record esse mês no Brasil. Como leitora apressada, adquiri o livro em inglês antes do lançamento em português, portanto todas as frases retiradas da obra e postadas nessa resenha se encontrarão em língua inglesa. Durante essa resenha irei comentar sobre vários trechos do livro que me chamaram a atenção, porém não considero isso como spoiler pois a temática do livro é bem simples. Além disso quero declarar que eu vou claramente ficar animada e tecer elogios à Sophie Kinsella porque essa autora ganhou totalmente meu coração. 
   Avisos feitos, vamos começar a resenha explicando a narrativa da obra. "À Procura de Audrey" conta a história de Audrey, uma menina de 14 anos que sofre de um caso extremo de ansiedade e depressão. Ninguém sabe ao certo o que desencadeou esse problema com a garota, a única coisa que o leitor consegue deduzir foi que algumas garotas de seu antigo colégio praticavam um certo tipo de bullying para Audrey, fato que ocasionou essa série de transtornos mentais na garota e a fez sair do colégio.
   A narrativa é iniciada com Audrey em sua casa, contando os problemas sofridos por sua família que é composta por: sua mãe que é viciada no jornal local e faz tudo o que lá é publicado; seu pai que é um ex-músico e aparenta ser mais tranquilo que sua esposa; seu irmão mais velho Frank que é viciado em jogos online e seu outro irmão Felix que é o caçula e amor de toda a família. 
   Depois dos problemas ocorridos em sua escola, Audrey não sai mais de casa e também recusa-se a tirar seus óculos escuros, pois ela alega não estar preparada para estabelecer contato visual com ninguém, portanto o livro todo ocorre dentro do ambiente familiar sendo os únicos intrusos a Doutora Sarah que é a terapeuta de Audrey e Linus que é um amigo e companheiro de jogo de seu irmão mais velho.
   Por mais simples que a narrativa possa parecer, a personagem criada por Sophie Kinsella conquista o leitor principalmente aquele que sofre ou já sofreu dos mesmos problemas apresentados por Audrey (Bia levanta a mão lentamente). A autora não tem medo de explorar a mente da personagem e mostrar aos leitores o quanto ter ansiedade e depressão é difícil e cansativo. 
"The trouble is, depression doesn't come with handy symptoms like spots and a temperatura, so you don't realize at first. You keep saying 'I'm fine' to people when you're not fine. You think you should be fine. You keep saying to yourself: 'Why aren't I fine?"

  Mesmo estando dentro de casa e longe das pessoas que causam fobia, é possível perceber o quanto coisas pequenas afetam a mente de Audrey, como por exemplo seu primeiro encontro com Linus onde a garota teve uma crise de pânico ao notar o desconhecido ocupando um espaço próximo ao dela.
   Linus é o par romântico dessa narrativa e Sophie Kinsella não poderia ter criado um personagem fictício tão perfeito quanto ele. O garoto entende o problema de Audrey e começa a conversar com ela inicialmente por bilhetinhos de papéis para que ela não se assuste e vá se acostumando com sua presença. Posteriormente ele começa a quebrar algumas barreiras de "contato" com a menina até eles conseguirem iniciar o relacionamento.
   O amigo de Frank é o ser humano mais perfeito para se ter de amigo, principalmente no caso da protagonista que sofria com vários problemas. Linus foi compreensivo, paciente e respeitoso. Em nenhum momento ele forçou a garota a fazer aquilo que ela não queria e em todas as situações que ela se sentia mal, o garoto entendia o impacto dos sentimentos de Audrey e lhe dava espaço para tomar suas próprias atitudes e clarear o pensamento. Isso, meninas e meninos é o que eu chamo de "melhor mocinho fictício dessa geração".
   À parte de seu par romântico, a família de Audrey era responsável por arrancar gargalhadas do leitor. Confesso que identifiquei-me com Anne que é a mãe da narrativa e sua obsessão em fazer as crianças lerem livros e verem filmes de Charles Dickens, ela era uma das personagens mais engraçadas do livro e ao mesmo tempo extremamente carinhosa com os seus três filhos, mesmo "pegando no pé" de Frank e seus jogos onlines.
   Sophie Kinsella escreveu um livro com todos os elementos para encantar os corações de leitores de todas as faixas etárias, sem perder suas principais características de humor a autora conseguiu criar um livro realista e uma heroína verídica para sua idade.
   A melhor coisa de "À Procura de Audrey" é que a autora entende a profundidade dos transtornos mentais e mostra de uma maneira instrutiva que a vida, mesmo daqueles que não apresentam esses problemas, é feita de altos e baixos. Por meio da personagem da Doutora Sarah, a autora ensina à Audrey e seus leitores que é impossível estar sempre bem as vinte e quatro horas do dia e que doenças como ansiedade ou depressão não são curáveis rapidamente como um resfriado comum, mostrando que as melhoras são gradativas e que qualquer vitória por mais simples que pareça deve ser comemorada.
   Com uma veracidade crua e comovente "À Procura de Audrey" foi um dos melhores livros desse ano, senti-me nostálgica, emocionada e alegre no decorrer da leitura e ao finalizar o livro tive a sensação de que meu coração ficou um pouco mais leve ao entender a mensagem transmitida pela autora. Audrey entrou para a lista de personagens que moldam a essência dos leitores, portanto termino o livro e a resenha com a sensação de que um pedacinho dela ficou comigo.
  

Clasificação: 5 de 5 estrelas + <3

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