Resenha: Uma Noite Para Se Entregar (Spindle Cove #1) - Tessa Dare

4.7.15


 Infelizmente inicia-se nesse blog a série: Abandonada Por Você, onde Beatriz (a autora desse blog) irá relatar sua luta intelectual ao tentar ler inconstante vezes o mesmo livro antes de abandoná-lo de vez. E o primeiro livrinho estreante dessa série é Uma Noite Para Se Entregar da autora Tessa Dare. 
 Antes de começar as críticas e possíveis spoilers (avisarei antes de escrever qualquer tipo de spoiler), vamos sintetizar o enredo do livro.
 A história criada por Tessa Dare ocorre em 1813 num lugar denominado Spindle Cove. A cidadezinha é a representação do cenário perfeito para todas as moças da sociedade que não conseguem seguir ou comportar-se adequadamente para a época. Comandada por Suzanna Finch, uma mulher de cabelos ruivos com comportamento e ideais revolucionários para sua época conservadora, a cidade refúgio para mulheres cresce a cada dia que passa.
 As damas desse lugar pacífico, vivem em perfeita harmonia com seus dias da semana fixamente delimitados por uma rotina criada por Suzanna. Porém a paz desse ambiente é destruída com a chegada do tenete-coronel Victor-Bramwell, que vai a cidade com o desejo de conversar com o pai da nossa heroína e restabelecer seu comando militar. Nosso pobre mocinho levou um tiro em seu joelho e isso prejudicou seu desempenho e papel durante a guerra, ficando dessa forma impossibilitado de liderar seus homens. 
 Ao conversar com o pai de Suzanna, Victor descobre que só poderá ter seus desejos concedidos se criar uma milícia respeitável  na cidadezinha de Spindle Cove e é assim que iniciam-se os problemas da nossa narrativa.
 Pode-se dizer que essa leve sinopse resume basicamente toda a história do livro, porque a narrativa de Tessa Dare consegue se limitar ao resumo encontrado no verso da obra.
* Se você não leu o livro, o restante da resenha pode conter spoilers. Portanto se o resumo do livro te deixou com vontade de ler ou se você está lendo a história e não quer descobrir informações importantes, recomendo não prosseguir a leitura completa da resenha. 
 O mocinho de quase 30 anos encontra a mocinha de 25 anos e desde o primeiro momento já fica encantado com a mesma. Passa dias e noites pensando nela e seus lindos atributos físicos, resultando em encontros carregados de frases e cantadas infames e irritantes.

"É só uma interrupção momentânea. Só dessa vez."
"Só dessa vez?" Ele emitiu um som de pouco caso, enquanto procurava algo nos papéis. "E agora há pouco na igreja?"
"Muito bem, são duas vezes"
"Pense bem." Ele empilhou os papéis e olhou para ela , devorando-a com seu intenso olhar esverdeado. "Você invadiu meus sonhos pelo menos de vezes noite passada. Quando estou acordado, você entra gingando nos meus pensamentos. Às vezes, quase não está vestida. Que desculpa você tem para isso?"

 Alguém segura a anágua da mocinha, porque com esse tipo de conversa maravilhosa é aparentemente impossível controlar seus impulsos sexuais por esse homem (leia essa frase em tom sarcástico).
 Todos os momentos que os protagonistas da história se encontravam, a autora carregava os diálogos e as situações com conteúdos sexuais, com a intenção de criar aquela tensão entre ambos e isso foi o fator principal para eu abandonar de vez o livro. Um romance bem escrito não precisa se basear em atração física ou encontros explosivos onde um "olhar devorador" deixa a mocinha com as pernas trêmulas e o mocinho precisando de um banho frio. 
 Os protagonistas dessa história eram adultos e eu queria tanto ler um romance maduro, com referências sexuais dentro da medida certa. Em vários momentos Victor parecia um adolescente encantado descobrindo o sexo pela primeira vez, pois não sabia nem ao menos se comportar como um homem tenente-coronel na frente de Suzanna. A cada oportunidade sozinhos, ele sempre tentava beijar a moça ou falar as coisas que queria fazer com ela nos momentos íntimos.
 Sem diálogos produtivos e sem a preocupação de se conhecerem como seres pensantes, a autora criou um mocinho que eu simplesmente odiei. Detalhes da primeira vez de ambos juntos não devem nem ser comentados nessa resenha, de tão impertinente que foi a cena, o local e os diálogos.
 Tirando nosso herói adolescente de 30 anos que destruiu a narrativa, temos também a mal elaboração do enredo. Tessa Dare comete o erro de criar um romance histórico sem nenhuma relevância real com o contexto histórico verídico da época. Sabemos que todos os romances históricos apresentam impertinências com o período retratado, porém os elementos criados pela autora beiram um delito.
 O livro todo se baseia em assistirmos quem tem mais poder em uma cidade dominada pelo clube da Luluzinha, liderado por Suzanna ou o clube do Bolinha, liderado por Victor.

"Digam com convicção: 'Acredito que esta dança é minha'."
Os homens pigarrearam, remexeram-se e repetiram:
"Acredito que esta dança é minha."
"Melhor assim. Tentem isto: 'Seu cabelo é um rio de seda'." Quando tudo o que ele conseguiu foram olhares confusos, Colin explicou: "A primeira frase a coloca em seus braços. Para convencer uma mulher a ir para sua cama, você precisa de mais algumas palavras bonitas. Agora repitam comigo, droga: 'Seu cabelo é um rio de seda'."

 Típica cena onde Colin, um primo do mocinho, estava ensinando aos componentes da mílicia de Victor a seduzir as mulheres. Essa cena foi escrita em tom cômico, porém eu ainda estou tentando achar a graça do capítulo. Vários outros episódios aparecem e são elaborados na intenção de fazer o leitor rir e aproveitar essa leitura descompromissada, porém a autora não conseguiu criar esse efeito durante minha leitura.
 Em tempos de feminismo, algumas piadas irritam, algumas frases de sedução cansam e a mocinha completa a cereja do bolo ao não representar melhor seu papel de mulher perante os homens da época.
 Abandonei a leitura após ler 200 páginas e não me sinto arrependida. Entendo o motivo pelo qual vários leitores amam esse livro e também sei que muitas vezes a minha impaciência transforma algumas histórias boas em ruins, porém depois da terceira tentativa em continuar esse livro, descobri que o problema está na escrita da autora e não em minha boa vontade.


Classificação: 1 de 5 estrelas.

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