Resenha: O Príncipe dos Canalhas - Loretta Chase

27.6.15


 O Príncipe dos Canalhas de Loretta Chase conta a história do marquês Dain (conhecido também como Sebastian ou lorde Belzebu) e Jessica Trent. A trama inicia-se quando Jessica é chamada para salvar seu irmão Bertie das "garras" de Dain que envolveu o inocente e inexperiente moço em apostas e prostitutas. Com a intenção de colocar juízo na cabeça do irmão, Jessica o acompanha até a loja de "quinquilharias" da qual Sebastian é o dono e é nesse primeiro encontro que os problemas aparecem.  Jessica é considerada uma verdadeira "solteirona", pois está próxima dos trinta anos de idade e nunca se casou. Seu desejo é abrir uma loja de antiguidades para poder se sustentar e viver independente. Enquanto Dain também não demonstra nenhum interesse no casamento, o marquês é fã declarado dos jogos de aposta e das cortesãs da época. Nutre certa aversão pelas damas da sociedade e pode ser facilmente encontrado em ambientes impróprios para qualquer mocinha recatada. Seu apelido de lorde Belzebu, faz uma analogia ao seu comportamento e aparência. 
 Logo no início nota-se a recriação da história "A Bela e a Fera". O mocinho feio e com temperamento complicado encontra a beldade da cidade, uma dama pura e educada segundo os padrões da sociedade. Como fã dos contos de fadas e filmes da Disney, O Príncipe dos Canalhas aparentava ser o melhor romances histórico do ano, porém devo admitir que ele foi decepcionante.
 Até as 100 primeiras páginas estava adorando a escrita de Loretta Chase. Os diálogos bem elaborados e a perfeita construção dos personagens (especialmente Dain, cuja autora realmente se aprofunda em suas características e problemas pessoais) me deixaram inicialmente empolgada e ansiosa para ler o desenrolar do romance, porém foi justamente no romance que a autora conseguiu me decepcionar.
Ao ler romances históricos eu realmente adoro aquelas históricas de puro amorzinho, onde tudo é lindo, perfeito e cor de rosa. O mocinho que se desdobra para conquistar e seduzir a mocinha, os encontros escondidos no meio de bailes ou eventos sociais para roubar um beijo ou despertar o interesse do outro fazem meu coração feminino se encher de alegria (por isso que adoro todos os livros da Lisa Kleypas, mas isso fica para outro post).
 O que aconteceu nessa história foi totalmente o oposto do que eu gosto ou estava esperando, achei a criação do romance entre Jessica e Dain mal elaborada e cheia de clichês que já não mais me emocionam. Confesso que odiei o amado Sebastian, pouco simpatizei com Jessica e detestei o relacionamento baseado unicamente em quem mandava mais ou quem cedia primeiro na relação. Questões simples de serem resolvidas, foram transformadas em verdadeiras batalhas devido ao temperamento difícil dos personagens.
 Esperava que Dain fosse o típico libertino que tem um passado problemático e depois de conhecer Jessica, iria se comunicar com ela e juntos eles iriam encontrar "uma luz no fim do túnel" para viver felizes para sempre, porém tentar conversar com lorde Belzebu era realmente um inferno. Admiro a mocinha por insistir tanto com esse homem, pois Jessica foi a principal responsável pelo desenvolvimento do relacionamento entre ambos, tendo que resolver tudo por conta própria e tomando todas as iniciativas para o entendimento e a conclusão feliz dessa história de amor.
 Uma personagem intelectual como Jessica, tinha tudo para crescer na narrativa e infelizmente acredito que seu envolvimento amoroso com Dain causou um tipo de regressão para a mocinha que aparentou perder todas as sua ambições pessoais, para focar-se apenas nos problemas de Sebastian.
 O final do livro incomoda um pouco. A entrada de um novo personagem importante na história foi pouco explorada e a autora deixou alguns pontos soltos como o próprio irmão de Jessica que some da narrativa.
 Talvez o meu desgosto quase que completo com esse livro aconteceu devido as expectativas criadas antes de iniciar a leitura e também ao fato de que ainda estava em uma pequena ressaca literária devido à leitura do último livro da série "Os Hathaways" de Lisa Kleypas. 
 Fiquei realmente decepcionada de não ter gostado desse livro, mas acredito que eu realmente não seja fã de histórias nas quais as mocinhas devem se desdobrar em mil pedaços para fazer o amor acontecer. Prefiro ver o herói resgatar a heroína, ou então um companheirismo igualitário entre ambos, já que uniões unilaterais não fazem meu coração feminino se encher de alegria.


Classificação: 2 de 5 estrelas.

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